(Foto: Romulo Fialdini)
(Foto: Romulo Fialdini)

Por Rosana Rodini

Poderia ser pelo hype – ele foi aprendiz do chef argentino Francis Mallmann nos quatro cantos do mundo e hoje representa o rei da gastronomia rústica em território brasileiro. Poderia ser pela novidade – nascido no Uruguai, criado na Argentina, acaba de desembarcar, de mala, cuia, facas e outros utensílios de trabalho em São Paulo. Poderia ser, ainda, por já ter baixado por aqui cheio de contatos – depois de duas temporadas em Trancoso, como assistente de Mallmann no extinto restaurante Los Negros do Quadrado,conheceu um punhado de gente influente,inclusive um amor dos trópicos, a empresária paulistana Ana Carolina Alves. Mas, a verdade é que nenhum dos requisitos acima supera a comida de Diego Perez Sosa. Sua parrilla, feita nos jardins de seus clientes ou adaptada para ambientes indoor, já chega como novo hit gourmet da pauliceia. E, sim, é para se comer de joelhos, mas também com os olhos.

Há de se admitir que existe certa magia em observar o fogo, seu principal instrumento de labuta. Aprendeu com Mallmann, claro, mas, como bom uruguaio/argentino, a tal da parrilla é genética.“Minha ligação com comida vem desde sempre. Meus pais tinham uma rotisserie”, relembra. No horário acadêmico, cursava Filosofia. Fora dele, ajudava a família. Jovem cheio de ideias e ideais, decidiu escrever um livro sobre a filosofia latino-americana.“Paralelamente, virei padeiro.Assava os pães e vendia na faculdade”, conta ele, que se juntou a outros pensantes para criar um grupo de pesquisas, o CFL, Coletivo de Filosofia Latino-Americana. Há cinco anos, surgiu a proposta para trabalhar com Mallmann.“Ele precisava de uruguaios para o Los Negros de lá.” Diego seguiu o mestre. Parte do staff gastronômico do chef, ampliou suas funções: participou do documentário Chef’sTable,do Netflix,e viajou muito por causa dos eventos internacionais.“Ano passado,o Mallmann me convidou para comandar o resturante 1884, seu mais antigo em Mendoza.” Sorte a nossa, optou pelo Brasil, com o aval do mestre, que virou parceiro na jornada.

Chegou em fogo brando, o que não durou muito. In town há poucos meses, já participou do menu do jantar que o e-commerce Farfetch promoveu para celebrar o lançamento do livro Farfetch Curates: Food; foi assunto no aniversário da documentarista Maria Raduan, com seu fogo alto instalado ali mesmo, no jardim da casa da anfitriã; cozinhou com Renzo Garibaldi (chef do Osso, em Lima) na Casa do Carbonara; além de ter sido o responsável pelo jantar de Dia dos Namorados de Jack Vartanian, desta vez adaptando seu banquete para dentro da loja do joalheiro. Resumindo: quem é bom de garfo já detectou o talento do cara, que também instala parrillas fixas (chapa e grelha) e anda produzindo peças incríveis para os tais churrascos ao ar livre,que seguem a escola dos sete fogos de Mallmann. Slow cooking, babe.A espera vale cada pedaço de carne bem preparada, peixes que desmancham na boca e legumes idem.