A artistas plástica Verena Marzen - Foto: Reprodução/Harper's Bazaar
A artistas plástica Verena Marzen – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Em 2011, fiz alguns roteiros de cavalgadas de dois dias com meus primos na região de Córdoba, Argentina. Sem saber, eles me preparavam para a minha mais recente aventura: cavalgar pela serra gaúcha.

Na busca do roteiro ideal, encontrei pela internet a agência Cavalgadas Brasil. Francesca Romana, minha amiga, disse que já tinha viajado com eles, experts no assunto. Sozinha, escapei de São Paulo para me inspirar com novas paisagens. Escolhi me juntar a um grupo de desconhecidos e fizemos a travessia do parque nacional Aparados da Serra, que percorre a região entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Descobri que, para essa aventura, não é necessário ser uma amazona experiente – mas é preciso ter resistência física e, claro, saber se manter em segurança em cima do cavalo. Meu guia garantiu que mulheres (dos 30 aos 80 anos) são fãs desse tipo de viagem e muitas delas se aventuram sozinhas, como eu.

Guias comandam a viagem - Foto: Reprodução/Harper's Bazaar
Guias comandam a viagem – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Cavalgamos durante seis horas diárias ao longo de uma semana por paisagens surpreendentes da região, conhecida pela geografia especial: é um dos únicos lugares do mundo em que gigantescos cânions têm floresta. Ali também fica a maior área de Mata Atlântica preservada do Brasil. É fácil encontrar cachoeiras deslumbrantes pelo caminho e nada de casas, asfalto ou carros à vista.

Um dos meus trechos favoritos fica na cidade gaúcha de São José dos Ausentes. Lá está a cachoeira das Sete Mulheres (que deu nome à minissérie da Rede Globo): monumental e cortada por imensos paredões de pedra.

A cabeça de boi guarda um dos estábulos - Foto: Reprodução/Harper's Bazaar
A cabeça de boi guarda um dos estábulos – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Além da natureza exuberante e praticamente intocada, conheci, com mais profundidade, a cultura da região. Nós nos hospedamos em quatro pousadas, todas bem simples, com cara de casa de família e dentro de pequenas fazendas.

Aprendemos canções folclóricas com nosso guia-violeiro e ouvimos lendas que cercam a região. Havia um certo misticismo no ar. As bússolas e relógios funcionam irregularmente e alimentam as fantasias. Sentíamos que, a qualquer momento, personagens da Revolução Farroupilha poderiam brotar da neblina que rasgava a paisagem enquanto caminhávamos.

Verena em uma das cachoeiras escondidas em Aparados da Serra - Foto: Reprodução/Harper's Bazaar
Verena em uma das cachoeiras escondidas em Aparados da Serra – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Na Fazenda Potreirinhos, em Ausentes, além do tradicional churrasco gaúcho, comi deliciosas trutas preparadas de forma rústica e pescadas instantes antes nos rios que cortam a cidade. Como acompanhamento, provei a famosa paçoca de pinhão, clássico gaúcho servido na região.

Descobri que menos é mais. Na mala, poucos itens dão conta do roteiro: botas e calças de montaria, poncho, suéter e luvas, além de um biquíni, caso você cruze uma cachoeira e decida se refrescar na água gelada. A rotina me desligou de tudo. A sensação de liberdade que sinto quando ando a cavalo me acompanha há anos. E é muito bom lembrar que é possível viver com simplicidade, saboreando e carregando apenas o necessário.