Foto: Arquivo Pessoal
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Por Lucas Rechia

A vontade de sair da vida conectada da metrópole me fez cogitar alguns destinos próximos à São Paulo, onde eu pudesse passar alguns dias imerso na natureza para recarregar as energias.

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Depois de conversar com alguns amigos, surgiu a ideia de ir para a Chapada dos Veadeiros, a 210 km de Brasília. Ainda pouco explorada pelo turismo, o local é conhecido por ter uma energia incrível graças a enorme quantidade de cristais de quartzo que brotam do chão nas trilhas e cachoeiras da região. Era a viagem ideal: alguns dias em meio a natureza e completamente desconectado do mundo – afinal, sinal de celular é coisa rara por lá.

A viagem parecia perfeita para um feriado prolongado, e lá fomos nós, eu e um grupo de 11 amigos. De Brasília até Alto Paraíso, que é a cidade mais próxima das atrações, a qualidade da estrada é ótima e o trajeto dura cerca de 2h30.

Em compensação, a maior parte das estradas que levam da pousada aos pontos turísticos são de terra e bastante esburacadas. Sabendo disso, a melhor opção de locação de carro são os SUV’s, que aguentassem alguns bons quilômetros nas estradas de chão.

As alternativas de hospedagem se concentram na cidade de Alto Paraíso e na cidade de São Jorge, que ficam a 40km de distância uma da outra. Escolhemos ficar em Alto Paraíso, pois oferece mais estrutura de restaurantes e pousadas, aliás, passear no centrinho da vila é um passeio super bacana.

Foto: Arquivo Pessoal
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Chegando à Alto Paraíso, fomos direto conhecer nosso paradeiro pelas próximas noites. Escolhemos a Casa Gengibre, uma espécie de condomínio com seis lares para hospedar os visitantes que buscam a cidade para descansar, mas sem abrir mão de conforto e hospitalidade.

Foto: Arquivo Pessoal
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Com a ajuda do nosso guia para organizar a programação, no primeiro dia fomos conhecer a Catarata dos Couros. A trilha para chegarmos à primeira cachoeira durou cerca de 40 minutos, mas valeu a pena, já que as quedas d’água de até 100 metros de altura deixavam o visual simplesmente incrível.

Foto: Arquivo Pessoal
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Ao final do dia, escolhemos jantar no centrinho de Alto Paraíso. O restaurante escolhido foi o Vendinha 1961, lugar charmoso, com música ao vivo e comidas típicas da região. A escolha foi ótima já que o lugar acabou sendo perfeito para conhecermos um pouco mais do cotidiano da cidade, bem como darmos uma espiadinha no movimento e nos outros turistas que estavam pela região.

Uma dúvida frequente para quem vai para a Chapada dos Veadeiros é a escolha entre contratar ou não um guia. Há quem goste de se aventurar solo, mas, considerando a possibilidade de chuvas repentinas e também a dificuldade de se chegar em alguns lugares, decidimos contratar um guia indicado por um amigo, Mauro Seadi. Com a ajuda dele ficamos seguros de encarar qualquer aventura e conhecer os melhores passeios e restaurantes. Maurão cuidava de absolutamente tudo, dos melhores e mais desertos pontos dos passeios, às histórias do local, até as reservas nos restaurantes. Convenhamos, em um grupo de 12 pessoas, isso fez toda a diferença.

Foto: Arquivo Pessoal
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No segundo dia, decidimos fazer a trilha da cachoeira do Abismo, em meio ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Confesso que no momento da escolha eu não tinha a dimensão do que nos aguardava. A trilha tem 8km de caminhada na vegetação nativa e com mil metros de altitude.

Todo o trajeto durou cerca de 6 horas, entre cachoeiras e paisagens incríveis. Me chamou atenção também a quantidade de cristais no chão do percurso. O local possui naturalmente essas pedras, mas, como já foi ponto de garimpo, em alguns lugares fica nítida a ação exploratória do homem.

Após tantas horas de caminhada, chegar no ponto mais alto da trilha a recompensa foi imediata, a sensação é como se estivesse chegado em uma parte da terra nunca antes explorada.

Foto: Arquivo Pessoal
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No caminho de volta levamos um pequeno susto ao cair uma chuva relativamente forte. A sorte de principiante foi o nosso guia, que rapidamente nos indicou um lugar sob uma pedra que pudemos nos abrigar com segurança.

Após alguns minutos a tempestade se afastou e completamos a nosso passeio. De volta à cidade, Maurão tinha preparado uma bela recompensa após um dia de trilha. Ele reservou uma mesa para jantarmos no restaurante Rústico, e, apesar do nome, tivemos a surpresa de chegar em um restaurante extremamente refinado, mas sem perder as características do lugar.

Fogueira, vinho e música ao vivo já seria o suficiente para que a nossa noite fosse perfeita após um dia de trilha, mas, não bastasse, ainda fomos surpreendidos com uma bela performance da cantora a Izabella Rocha, primeira vocalista do Natiruts.

Em seguida, o jovem cantor Josué Mafra embalou o restante da noite com MPB e reggae. Era como estar em um show particular do Djavan, em meio a natureza. Sem dúvida uma das melhores experiências da viagem.

Foto: Arquivo Pessoal
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No dia seguinte, já era hora de voltar, mas antes resolvemos ir até o Vale da Lua, uma formação rochosa que lembra as crateras da Lua e que é um dos cartões postais da Chapada. Como se trata de um passeio rápido, mas mesmo assim imperdível, acordamos cedinho e passamos a manhã por lá. A beleza do local, sem sombra de dúvidas, é um dos fatores que deram a Chapada toda sua fama de lugar místico e que atrai diversos visitantes em busca de terapias alternativas.

Dicas:

Três Lugares imperdíveis
1. Trilha do Abismo
2. Cachoeira Santa Barbara
3. Vale da Lua

Três opções de restaurantes
1. Rústico Premium Grill
2. Santo Cerrado Risoteria Gourmet
3. Vendinha 1961

Três opções de hospedagens
1. Pousada Maya
2. Baguá pousada
3. Casa Gengibre

Qual a melhor época para ir para a Chapada dos Veadeiros?
Na época das secas, entre maio e setembro.

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