Dudu Bertholini faz imersão na natureza e na moda do Chile

O estilista viaja para o Atacama e Santiago

by redação bazaar
Dudu em meio à fumaça dos famosos Gêiseres del Tatio, no Deserto de Atacama - Foto: Arquivo Pessoal

Dudu em meio à fumaça dos famosos Gêiseres del Tatio, no Deserto de Atacama – Foto: Arquivo Pessoal

Por Dudu Bertholini

Onde celebrar meus 40 anos? Confesso que vieram à minha cabeça muitos destinos distintos, mas refleti que seria o início de um novo ano, de uma nova década e também ano novo judaico, o Rosh Hashaná, comemorado em 29 de setembro, dia seguinte ao meu aniversário. Não sou judeu, mas pratico a Cabala e todas essas datas me levaram a ter a certeza de que eu queria estar em um lugar contemplativo, forte e alinhado com a minha essência.

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Foi assim que optei pelo Atacama, deserto com algumas das paisagens mais lindas do mundo, que sempre quis conhecer. Viajei com meu namorado, Gamah, artista visual, e escolhi o Explora Atacama, hotel da cadeia homônima premiadíssima e focada em proporcionar experiências inesquecíveis de integração com a paisagem e ancestralidade locais.

Piscina do Explora Atacama - Foto: Arquivo Pessoal

Piscina do Explora Atacama – Foto: Arquivo Pessoal

A convite da The Global Nomads, empresa que representa hotéis assim pelo mundo, foi surpreendente conhecer o Explora e interessante ver que as instalações eram superconfortáveis, mas de um luxo simples, com um espaço e um silêncio que permitem que você possa enxergar a verdadeira protagonista, que é a natureza.

A estrutura é de fazenda e a arquitetura, minimalista, com construções brancas, tetos de madeira e acabamentos em amarelo-sol em muita harmonia com as cores do deserto, o chão de terra batida e o céu azul. A piscina era fantástica, assim como as saunas e massagens em uma casinha original de paredes grossas e janelas disformes.

 Dudu posa no Vale da Lua - Foto: Arquivo Pessoal

Dudu posa no Vale da Lua – Foto: Arquivo Pessoal

E, apesar de tudo isso, o mais importante: os passeios privativos com rotas alternativas ao grande fluxo de turistas. Muitas vezes, me percebi sozinho diante de paisagens absolutamente deslumbrantes. Cada programa teve sua magia. Imperdíveis as Termas de Puritama, fonte de água quente que brota do solo no meio do deserto. A primeira piscina era exclusiva do Explora, onde pude desfrutar de uma imersão e almoço deliciosos.

Caminho de madeira para as Termas de Puritama - Foto: Divulgação

Caminho de madeira para as Termas de Puritama – Foto: Divulgação

Depois, percorri uma trilha de madeira que levava a pequenas cachoeiras. Já no Vale da Lua, foi incrível ver a formação que o sal cria na terra e tive a sensação de estar na neve. Nesse cenário, fiz uma caminhada de sete quilômetros e me senti em uma fábula.

Gêiseres del Tatio - Foto: Divulgação

Gêiseres del Tatio – Foto: Divulgação

Os Gêiseres del Tatio e as Lagunas Altiplânicas também foram fantásticos, mas ficam a cerca de cinco mil metros de altitude, e é preciso, antes, se adaptar por alguns dias. Os gêiseres são formações de água efervescente que espirra da terra. No entorno deles, fiquei só vendo e sentindo a fumaça que brota de forma mágica.

Meu último passeio foi às lagoas azuis e verdes mais lindas que já vi, nos Andes e com flamingos cor-de-rosa. Ao final de cada passeio, a van nos esperava com uma mesa de almoço ou chá de fim de tarde, e uma cadeira daquelas de diretor de cinema, para eu sentar e contemplar.

Santiago
Depois de seis dias de Atacama, foi hora de explorar a capital chilena com amigos queridos, para me aprofundar na moda sustentável, com propósito, e entender como os chilenos estão respondendo a essa revolução ética pela qual a moda e o mundo estão passando.

Peças do Museo PreColombino, em Santiago - Foto: Arquivo Pessoal

Peças do Museo PreColombino, em Santiago – Foto: Arquivo Pessoal

Um passeio muito bacana foi ao Museo PreColombino, onde conheci as raízes etnográficas e a ancestralidade de toda a América do Sul. Destaco a parte têxtil desse museu, que tem uma expografia fantástica e teares maravilhosos que datam de milhares de anos. A arte indígena, as máscaras e as joias eram fenomenais, com um styling surpreendente.

O melhor é que a rua do museu, a Calle Bandera, é uma das mais famosas de brechós, com uma profusão de blusas de paetês dos anos 1970 e 1980. Também fiz uma caminhada pelos bairros sofisticados de Providencia e El Golf com a minha amiga chilena Elisa Ibañez, uma grande articuladora cultural. Com ela descobri a boutique Porquetevistes, que tem uma curadoria de marcas e designers sul-americanos com viés eco.

Feira de sustentabilidade EcoBelleza - Foto: Arquivo Pessoal

Feira de sustentabilidade EcoBelleza – Foto: Arquivo Pessoal

Outra dica inspiradora é a EcoBelleza, feira que acontece duas vezes por ano e reúne projetos que envolvem sustentabilidade e instituições de proteção animal – desde marcas de beleza vegana até de moda que só praticam upcycling. Foi legal conhecer o coletivo Siberian 3366, mais radical e jovem, ligado a conceitos de street style, de romper as questões do gênero e enaltecer os estilos individuais. Adorei ver tudo isso florescer no Chile; voltei revigorado!

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