A geografia do Valle de La Muerte lembra a aridez do solo de Marte - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
A geografia do Valle de La Muerte lembra a aridez do solo de Marte – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Depoimento da nossa diretora de redação

O que mais impressiona ao chegar em San Pedro do Atacama são as cores. O céu é de um azul de aquarela, o sol, laranja quente e a vegetação, seca e dourada – nos pontos mais altos salpicada de neve. Tudo moldado pelo imponente Licancabur, o vulcão semiativo com 5.916 metros de altitude, que fica entre o Chile e a Bolívia e é a grande atração turística local.

Mas o Licancabur compete com uma gama bem variada de atrações igualmente incríveis que o Atacama oferece: destaque para os passeios pelos Valles de La Luna e La Muerte, o Salar do Atacama, os gêiseres del Tatio e as Lagunas Altiplanas. No meu caso, todos organizados pelo pessoal do Tierra Atacama Hotel & Spa, onde fiquei hospedada.

Piscina do hotel Tierra Atacama  Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Piscina do hotel Tierra Atacama Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

O hotel, aliás, é como se fosse mais uma atração turística entre as belíssimas paisagens do deserto. Com arquitetura totalmente orgânica, que se funde à natureza, todos os quartos têm vista panorâmica para o vulcão, amenities L’Occitane e um restaurante comandado pelo chef Francisco Valencia com opções vegetarianas deliciosas.

Para ir aos gêiseres, deve-se acordar às quatro e meia da manhã porque o percurso é longo para chegar aos 4.300 metros de altitude. Chegando lá, os guias montaram um café da manhã caprichado no meio das montanhas cobertas de neve, com cinco graus negativos de temperatura. E, apesar de quase ter congelado meus dedos, de verdade, foi uma experiência incrível.

As Três Marias, escultura de sal esculpida pelo vento por milhares de anos, no Valle de La Luna - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
As Três Marias, escultura de sal esculpida pelo vento por milhares de anos, no Valle de La Luna – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Mas foi nas Lagunas Altiplânicas a melhor refeição – e o visual mais acachapante – dos cinco dias que passei no Atacama. Imagine um lugar que misture, ao mesmo tempo, neve, lagoa azul, vulcão, sol, pássaros e um silêncio só cortado pelo vento gelado.

As lagoas Miscanti e Miñiques ficam a 4 mil metros. No fim do passeio por elas, uma mesa com vinhos orgânicos da região e várias iguarias locais – abacate incluso, é claro – nos aguardava. Foi inesquecível.

Valle de La Luna - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Valle de La Luna – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Agora, se você der sorte, como eu, de estar lá na lua cheia, não deixe, mas não deixe mesmo!, de ir ao Valle de La Muerte à noite. O cenário é um dos mais bonitos que eu já vi. A impressão é de estar num planetário tamanha a quantidade de estrelas, constelações, planetas e galáxias, vários possíveis de ser vistos a olho nu mesmo. A lua ilumina de maneira tão poderosa os caminhos de areia, cinza vulcânica, sal e argila, que é absolutamente desnecessário o uso de lanternas.

As lhamas, muito comuns na região - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
As lhamas, muito comuns na região – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Aliás, o céu do Atacama é considerado pelos astrônomos o mais escuro e nítido da Terra por algumas condições específicas como a altitude (San Pedro está a 2.300 metros), a secura do ar e a baixa luminosidade. Lá está instalado o Observatório Ahlarkapin, que tem um dos maiores telescópios privados do mundo.

Portanto, com lua cheia ou não, vale abrir uma garrafa de vinho e deixar o tempo passar só olhando as estrelas.