Por Fernanda Fehring

Foto: Fernanda Fehring

Sou uma apaixonada pela cidade de Amsterdam. Além de ser uma das minhas capitais europeias preferidas, considero-a também uma das cidades mais lindas do mundo. Já estive lá algumas vezes e minhas visitas anteriores tiveram longos espaços de tempo entre si, e motivos diferentes – incluindo uma ida obrigatória ao consulado inglês, para regularizar meu visto de permanência na Europa, antes do meu casamento civil na Inglaterra.

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Mas ir para Amsterdam desta vez, tinha um gostinho especial: estava indo visitar meu filho mais velho, Antonio, que havia se mudado para começar seus estudos universitários na Holanda havia um mês. E ainda com um mix de sentimentos: saudades; alegria; excitação; luto (a síndrome de “ninho vazio” é real); e, acima de tudo, com muito orgulho de vê-lo começar sua vida em uma cidade tão bacana, desembarquei num (raro) dia de sol nessa cidade encantadora, alegre e linda

Arquivo pessoal

Mas… um pouco antes de sair do Brasil, veio o inesperado convite para escrever sobre um hotel na cidade, que é, aliás, um ícone da hotelaria mundial: o Conservatorium Hotel. E pronto. O que seria uma viagem adorável, se transformou em uma viagem incrível. Afinal, não é todo dia que temos a oportunidade de conhecer um dos grandes hotéis da Europa.

O Hotel

Conhecido por ser um dos hotéis mais bonitos da Holanda, o Conservatorium Hotel foi assim batizado pois ocupa o espaço que anteriormente abrigou o Sweelinck Conservatório de Música. O belíssimo prédio, que foi originalmente construído para o Banco Rijkspostspaar, no final do século 19, teve projeto do renomado arquiteto holandês, Daniel Knuttel, o mesmo que projetou o sensacional Rijksmuseum, a poucos metros dali. Sua construção ajudou a alavancar a regeneração da área do Museumplein (ou Praça dos Museus), que antes se encontrava em franco abandono.

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A compra de prédio pelo Grupo Set Hotels se deu em abril de 2008, quando o conservatório de música cresceu, precisou de mais espaço e foi transferido para sua atual localização, o Oosterdokseiland. Para transformar o espaço em hotel, e restaurar a beleza original do prédio, o grupo convidou o premiado arquiteto italiano Piero Lissoni, que fez um trabalho extraordinário no interior da propriedade.

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A abertura do hotel se deu em 2011 e o que se viu foi o casamento prefeito entre a mistura do neogótico e o Art Nouveau concebidos por Knuttel, e o design contemporâneo elegante e de linhas retas, com predominância de cores sóbrias (mas com pitadas de cores vibrantes) do genial Lissoni. Não é à toa, que o design do hotel é considerado dos mais bonitos da cidade.

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Localização

O hotel tem uma localização para lá de privilegiada, e fica no coração do Praça dos Museus, ou Museumplein. As joias da coroa da cidade, como o incrível Museu Van Gogh e o Stedlijk Museum, o famoso museu de arte moderna de Amsterdam, ficam do outro lado da rua do Conservatorium – literalmente. E a poucos passos dali, situam-se o Moco Museum, de arte de rua, arte moderna e contemporânea, e o magnífico museu nacional Rijksmuseum, que abriga uma importante coleção dos “velhos mestres” holandeses, como Rembrandt e Vermeer.

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A poucos quarteirões do hotel, se encontra o parque da cidade, Vondelpark, e também uma excelente área de lojas, como a charmosa rua PC Hoofstraat e suas lojas de designers e adoráveis cafés de rua.

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Para quem (como eu), sempre achou que a parte mais interessante da cidade fosse a região dos canais, fica aqui minha opinião sincera: Museumplein é o verdadeiro coração de Amsterdam. E é, de longe, a área mais exclusiva e interessante da cidade.

Acomodações

Os quartos do hotel são um capítulo à parte. Todos os 129 quartos são decorados com painéis em cores sóbrias, tecidos em cores neutras e móveis de design, seguindo o projeto de Lissoni. Cada um deles conta com alguma peça colorida, de destaque, marca registrada do italiano. Todos eles de um bom gosto ímpar.

Foto: Divulgação

As Rooftop Suites, situadas nas torres do prédio histórico, têm vigas de madeira escura aparentes, tetos rebaixados e claraboias originais do projeto de Knuttel, e contam com uma linda vista dos telhados da cidade. São bastante amplas e possuem uma área de trabalho e uma pequena área de estar. Os banheiros são modernos e têm chuveiros potentes, banheiras e TVs embutidas nos espelhos. As suítes contam com cafeteira, duas TVs, minibar e cortinas com fechamento elétrico.

 

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Entre quartos duplos, suítes, e “signature suites”, o hotel conta com 16 categorias diferentes. Os destaques vão para a Bastiaan Woudt Suite, uma suíte toda decorada com obras do artista emergente holandês, e que conta com um mezanino, minicozinha, sala de jantar/reunião e dois ambientes. Por conta de sua configuração, é uma suíte indicada para famílias.

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E a Concerto Two Bedrrom Suite, um extraordinário loft de 150 metros quadrados com dois andares e vigas aparentes, que acomoda até seis pessoas. Com suas janelas arqueadas e vista direta para o Stedelijk Museum, é um dos quartos mais lindos do hotel.

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E ainda a belíssima suíte I Love Amsterdam, uma das minhas preferidas absolutas do hotel.

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Gastronomia

Durante minha estadia, o Taiko Cuisine e Bar, restaurante asiático, que é considerado um dos melhores da cidade, se encontrava fechado. O hotel ainda não reabriu o local após a pandemia, mas o fará em breve. Porém, tive o prazer de fazer um tour e conhecer as instalações do premiado restaurante do chef Schilo van Coevorden, e posso garantir que é uma beleza.

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Para os fãs de sua culinária, a boa notícia é que o menu do restaurante está sendo servido na Conservatorium Brasserie, o charmoso restaurante na parte coberta do hotel. É lá que são servidos café-da-manhã, almoço e jantar, e fica ao lado do Conservatorium Longe, que serve comidinhas, drinks, cafés e chás durante o dia todo. O hotel tem ainda um ótimo menu de room service, que oferece também pratos asiáticos e alguns clássicos que amamos.

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Akasha Spa e centro de wellness

Com uma área de 1000 metros quadrados, o spa Akasha Hollistic Wellbeing é considerado um dos melhores spas da cidade e foi eleito o melhor spa de luxo do país. Uma espécie de oásis urbano que conta com áreas de tratamento, uma ginástica muito bem equipada, um espaço para yoga e uma piscina.  Na área do spa, encontra-se um organic bar, uma piscina watsu, sauna, jacuzzi e hamman. E ainda 7 salas para tratamentos, que incluem massagens, tratamentos faciais e hidroterapia. O spa é aberto também para membros, que moram nos arredores do hotel, o que garante uma vibe mais autêntica e animada ao espaço.

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Shopping na Van Baerle Gallery

Na mesma linha de “trazer o morador da cidade para dentro do hotel” e oferecer um ambiente mais autêntico a quem se hospeda por lá, o Conservatorium tem a Van Baerle Shopping Gallery, uma arcada de lojas com uma curadoria de tirar o chapéu. E muitos locais vêm para fazer compras ali. De um lado da arcada, uma loja com móveis de capotar da Fendi Casa, o Club Cinq, de roupas de criança, La casa del Habano, de charutos e a joalheria Bonebakker. O local conta ainda com uma loja de relógios vintage, a Schaap em Citroen.

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Do outro lado, a loja The Real People of the Labyrinths e uma espetacular (e perigosa rs) Skin Cosmetics. No subsolo, há ainda um salão de cabelereiro completíssimo, o Hair Dressing by Bert Visser.

Foto: Fernanda Fehring

Um detalhe muito bacana que observei neste espaço, que abriga as lojas, é a presença de antigos azulejos, originais do prédio quando ainda era um banco. Neles, pequenas abelhas e aranhas, animais que “juntam coisas”, representando os clientes que traziam dinheiro para guardar no banco. Um pequeno charme escondido.

Foto: Fernanda Fehring

Minha estadia

Chegamos na cidade bem cedo por conta do nosso vôo, vindo de Zurich, que partiu às 6h da manhã. Quando chegamos ao hotel, exaustos, fomos informados durante o check-in que havíamos recebido um upgrade para uma rooftop suíte (uau!). A má notícia, soubemos, é que precisaríamos aguardar, pois a mesma ainda não estava pronta (pois um hóspede havia acabado de sair de lá), mas… que o hotel disponibilizaria uma outra suíte para tomarmos banho e descansarmos até que nosso quarto estivesse pronto.

Foto: Fernanda Fehring

Sinceramente, acho que em mais de 30 anos viajando pelo mundo, essa foi a primeira vez que isso me aconteceu. E que efeito extraordinário esse gesto de gentileza teve sobre uma mãe e um filho tão cansados, que haviam acordado às 4h da manhã! Naquele momento soube que estava em um hotel com um serviço diferenciado, algo que se confirmou (através de gestos tão gentis) outras vezes durante a minha estadia.

Foto: Fernanda Fehring

A equipe do hotel parecia estar sempre um passo à frente, tentando nos ajudar, sugerir algo bacana, dar uma boa dica. Sempre com a maior gentileza do mundo e um sorriso no rosto. E me refiro a todos os funcionários do hotel, sem exceção. O Conservatorium oferece um nível de serviço como poucos lugares que já me hospedei (abaixo os deliciosos stroopwafels que recebíamos diariamente em nosso quarto).

Foto: Fernanda Fehring

 

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Junte-se a isso, a filosofia do hotel de ter um envolvimento grande com arte (através de pequenas exposições de artistas holandeses no hotel), e música (através de concursos de música para jovens talentos que se apresentam no hotel), honrando assim a origem do prédio, que abrigava um conservatório.

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Trata-se de um hotel muito especial, que além de ser muito bonito e bem localizado, valoriza o design, a arte e preserva a memória do prédio histórico. Tudo ali é pensado para que o hóspede tenha uma experiência memorável, com um nível de serviço e gentileza impressionantes. Foi uma estadia inesquecível, uma aula de hotelaria. Mãe e filho voltaram, absolutamente, encantados. Dank je vel, Conservatorium Hotel.

Foto: Fernanda Fehring

Conservatorium Hotel
Museumplein, Amsterdam
Holanda
www.conservatorium.com
@conservatoriumhotel