Green School, em Bali, a escola mais preocupada com questões ambientalistas do planeta (divulgação)
Green School, em Bali, a escola mais preocupada com questões ambientalistas do planeta (divulgação)

Parece o mundo ideal. Uma confraternização de gerações e culturas em uma grande ilha em que habita um povo de uma gentileza, educação e espiritualidade exemplares. Tudo em torno de grandes estruturas de bambu, em formato de espiral, onde quase toda a eletricidade vem de painéis solares, o lixo é totalmente reciclável e a comida vem de agricultores locais e das hortas próprias, orgânicas. É a Green School, a escola mais preocupada com as questões ambientais do planeta e que atrai estudantes de mais de 30 nacionalidades, inclusive do Brasil. Para fazer parte da escola, cuja missão é formar futuros líderes conscientes, famílias inteiras estão se mudando para Bali, como fizeram a chef Morena Leite, mãe de Manuela, 8 anos, e a estilista Joanna Fleury, que matriculou os quatro filhos, de 6 a 16 anos, na instituição que não tem paredes e nem carteiras, e onde os alunos decidem as matérias que vão estudar.

Alunas da educação infantil da escola que não tem paredes e onde os alunos escolhem que matérias querem estudar (divulgação)
Alunos da educação infantil da escola que não tem paredes e onde os alunos escolhem que matérias querem estudar (divulgação)

Desde que ouviu falar da Green School, há alguns anos, por meio da cunhada, dona da escola be.Living, em São Paulo, a estilista Joanna Fleury manteve Bali nos seus planos “Fui uma criança diferente das outras, não gostava de televisão nem de eletrônicos, não tomava suco de groselha, nem comia algodão doce, não curtia piscina, só mar e cachoeira, estava sempre atrás da natureza,” lembra. “Quando tive meus filhos, minha inspiração eram os índios. Evito ao máximo dar remédios, sou orgânica por natureza, e tenho certeza de que a sustentabilidade é o tem de mais atual para a próxima geração.” Para ela, a Green School coube como uma luva. Depois de morar na Grécia e em Trancoso, Joanna se mudou este ano para Bali com o marido, Felippe Segall, e os filhos Catarina (16 anos), Rafaella (de 14), Frederico (9) e Anna (6) por conta da escola de seus sonhos. “Com filhos matriculados desde o kindergarden até o high school, tenho visto em todos eles uma liberdade que traz uma responsabilidade e uma independência muito grande”, diz. “A arquitetura da escola, toda em bambu, sem paredes, é muito inspiradora, as crianças tiram os sapatos para entrar nas suas classes. Imagine que delícia estudar descalço, ter yoga como parte do currículo, fazer caminhadas… Só isso já é muito especial.”

E há o contato com várias culturas – de famílias da Espanha à Índia, Nepal e Estados Unidos. A participação dos pais é enorme. “Para entrar no campus da escola, todos os pais têm de usar um colar de bambu com o ‘p’ de parent e seu nome. Você entra e sai quantas vezes quiser, passa o dia por lá e, se quiser, almoça com os seus filhos. Quinzenalmente, às sexta-feiras, temos assembly onde todos os alunos e pais se reúnem. Neste dia, acompanhamos novas ideias, projetos e soluções para um planeta mais consciente e melhor, cantamos, às vezes dançamos. É um exemplo a se seguir para sempre”, continua Joanna.

A chef Morena Leite conheceu a escola por acaso, ou melhor, pelo acaso. “Eu estava em um ano sabático em Paris e fui passar uma semana em Bali para celebrar o aniversário do meu irmão, que é alucinado por arquitetura e bambu. Ficamos hospedados na Green Village, a comunidade sustentável planejada do lado da Green School. Fui fazer um tour e já saí com a Manu matriculada. Só voltei para Paris para desmontar meu apartamento,” conta Morena, que reveza com sua família, incluindo a atriz Mariana Ximenes, sua comadre, a estadia na ilha para proporcionar a experiência à filha, de 8 anos, e, ao mesmo, tempo cuidar de seus restaurantes e da carreira. Morena passa parte do mês em Paris, São Paulo e em cidades da Ásia e do Oriente, como Bangcoc, Beirute e Tóquio, onde dá aulas de cozinha na Le  Cordon Bleu.

A chef Morena Leite e a filha Manu, de 8 anos, que estão há um ano em Bali por causa da escola sustentável
A chef Morena Leite e a filha Manu, de 8 anos, que estão há um ano em Bali por causa da escola sustentável

“A educação é mais livre, baseada em três pilares: o respeito à essência de cada um, a sustentabilidade e a comunidade (acredita-se que temos que crescer e evoluir todos juntos). Eles têm aula no meio da natureza. Foi um choque com a bem rígida educação francesa”, conta a chef. “A Green School é uma escola para a família, um momento de conexão e atenção ao que realmente vale a pena, aos valores que queremos passar e deixar para os nossos filhos.” Em julho, a chef se muda para Londres, onde fica até dezembro, e, então, volta para São Paulo. “Bali é com certeza uma grande escola, uma confirmação da minha crença, de que somos feitos de energia, e que tudo que lançamos para o universo, volta para a gente, gentileza gera gentileza. Que receber, significa dar.” E, assim, os pais e alunos da Green School se preparam para construir um mundo e um futuro melhor.

Lanchonete da Green School com alimentos cultivados por lá (arquivo pessoal/Joanna Fleury)
Lanchonete da Green School com alimentos cultivados por lá (arquivo pessoal/Joanna Fleury)