Camponeses nos campos de arroz de Ubud - Foto: Arquivo Pessoal
Camponeses nos campos de arroz de Ubud – Foto: Arquivo Pessoal

Sou Joanna, sou do mundo. Brinco que tenho três naturalidades: nasci em Goiânia porque meu avô era médico e tinha hospital (o Santa Helena, nome da minha avó), fui registrada no Rio de Janeiro, onde morei até os 3 anos de idade, e criada em São Paulo.

Não combino muito com cidade grande para viver. Prefiro visitar e captar o que há de melhor. E viajo bastante. Adoro me arriscar na fotografia. Montei a j o u s, minha marca de roupas, em 2004 e, desde então, nunca parei, sempre respeitando o meu ritmo e momentos de inspiração, que normalmente acontecem quando estou em lugares onde posso contribuir com a mão-de-obra local, e vice-versa.

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Joanna em casa, vestindo peças que garimpou no Laos - Foto: Arquivo Pessoal
Joanna em casa, vestindo peças que garimpou no Laos – Foto: Arquivo Pessoal

Em 2015, passei uma temporada na Grécia e, depois, dois anos em Trancoso. Todos juntos: meu marido, Felippe Segall, e quatro filhos.

Agora em 2018 viemos para Bali, sem data de retorno. O que nos trouxe aqui foi a Green School, uma escola holística com uma filosofia baseada na sustentabilidade. As crianças estão amando! Catarina tem 16 anos, Rafaella, 14, Frederico, 9, e Anna, 6.

Estar na Ásia é superestimulante, é ter a oportunidade de explorar culturas e costumes diferentes e dar a chance para os meus filhos conhecerem um outro pedaço do planeta. A ideia é viajar o máximo possível e ver países por perto.

Fizemos uma travessia da Tailândia para o Laos pelo Rio Mekong. São dois dias, parando em vilarejos. Foi especial, em contato com a cultura hmong, as roupas são lindas e ricas de detalhes. No Laos, aproveitei para fazer meus garimpos, à procura de peças e tecidos antigos, e esse é só o começo. Há muito para explorar.

Menina registrada em um vilarejo do povo hmong, às margens do Rio Mekong - Foto: Arquivo Pessoal
Menina registrada em um vilarejo do povo hmong, às margens do Rio Mekong – Foto: Arquivo Pessoal

A Indonésia é um país composto por várias ilhas, que mudam radicalmente na sua cultura, religião e paisagem. Confesso que a conexão com Bali não veio de cara, ainda estou tentando entender tudo. O povo é incrível, muito gentil e sorridente, agradável de se conviver.

Passamos os primeiros três meses em Ubud, em meio aos rice fields, com camponeses plantando e colhendo arroz todos os dias. A região tem hotéis e restaurantes lindíssimos, com vistas maravilhosas, e existem milhares de warungs, pequenos restaurantes de comida típica. O meu restaurante favorito, e um dos melhores da vida, é o Sacred Rice, com visual dos campos de arroz.

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Dança típica balinesa na véspera do Ano Novo na Green School - Foto: Arquivo Pessoal
Dança típica balinesa na véspera do Ano Novo na Green School – Foto: Arquivo Pessoal

Agora nos mudamos para Umalas, no sul, para uma casa em um lugar supertranquilo. Bali é a única ilha hinduísta do país. Diariamente, sem exceção, o povo faz oferendas, reza, participa de cerimônias… Independentemente da região, as ruas são estreitas e o trânsito, caótico. Você dirige no meio de mil cachorros, galinhas, até mesmo macacos, muito carro e moto. Dirigir na mão inglesa nem é o mais difícil, a loucura é ficar em estado de hipervigilância.

Todo dia é uma descoberta. Quero explorar a Indonésia a fundo, como se fosse a minha casa. Agora é. Normalmente, acordo cedo para preparar as crianças para a escola e procuro engatar numa prática de yoga e meditação. Também cozinho e quero aprender a culinária típica e fazer aulas de bahasa, o idioma local.

Monges no Laos - Foto: Arquivo Pessoal
Monges no Laos – Foto: Arquivo Pessoal

E comecei a desenhar algumas peças, criando uma conexão com todo esse universo novo. Para não deixar a fotografia de lado, estou com a ideia de fazer uma série com as crianças daqui em suas escolas (os uniformes são incríveis, as combinações de cores, os modelos, um mais bonito que o outro). A partir daí, faço o link da moda com a fotografia.

Já conhecemos ilhas por perto, como e Gili Air e Gili Meno. Não entra carro, só se anda de bicicleta, as praias são lindas e mergulhar é um sonho. A diversidade de corais é enorme, e os peixes parecem estar numa passarela, de tantas cores e formas. Um desfile dos mais sofisticados. Passei 20 minutos sozinha na companhia de uma tartaruga gigante, voltei para o barco quase chorando, me apaixonei.