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Leticia Cazarré descobre pedaço de paraíso na costa leste do México

Jornalista e bióloga viaja para Cancun

by redação bazaar
Leticia visita as ruínas do sítio arqueológico maia El Rey, em Cancún - Foto: Arquivo Pessoal

Leticia visita as ruínas do sítio arqueológico maia El Rey, em Cancún – Foto: Arquivo Pessoal

Por Letícia Cazarré

Desde pequena sou fascinada por viagens. Como carioca da gema, sempre gostei de destinos solares. Meu pai é mergulhador e, por isso, a praia esteve incluída em quase todas as viagens de família. Existia um lugar emperrado no meu mapa há anos, por puro preconceito: o Caribe.

Há quase 15 anos meus pais viajam para lá e nunca aceitei um convite sequer para me juntar a eles. “Muito clichê!”, pensava. Prefiro um destino mais exótico…

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A praia banhada pelo Mar do Caribe - Foto: Arquivo Pessoal

A praia banhada pelo Mar do Caribe – Foto: Arquivo Pessoal

A convite da Bazaar, tive a chance de vivenciar tudo isso em um dos destinos caribenhos mais famosos, Cancun, na costa leste mexicana. Minha base: um refúgio altamente sofisticado e discreto, o Nizuc Resort & Spa, fincado em uma área oposta à agitada zona turística.

Área a céu aberto do restaurante La Punta Grill, o mais cool do Nizuc Resort & Spa - Foto: Arquivo Pessoal

Área a céu aberto do restaurante La Punta Grill, o mais cool do Nizuc Resort & Spa – Foto: Arquivo Pessoal

O hotel deve seu nome à península Punta Nizuc, que foi habitada pela civilização maia há milhares de anos. É um pedaço de paraíso de altíssima riqueza natural, cujos recifes fazem parte do chamado Grande Recife Maya, pertencente ao sistema da Barreira de Corais Mesoamericana – a segunda maior do mundo.

Há alguns anos, a área que hoje abriga o Nizuc pertencia ao governo mexicano e era usada como residência de veraneio presidencial: daí ser extremamente isolada e privativa. Qualquer um que contemple o horizonte a partir daquelas praias sente-se reconectado à sua essência natural.

Suíte do Nizuc, com terraço particular e piscina de pedras vulcânicas - Foto: Arquivo Pessoal

Suíte do Nizuc, com terraço particular e piscina de pedras vulcânicas – Foto: Arquivo Pessoal

Finalmente eu estava pertinho do Mar do Caribe. Era tarde da noite e fui direto para a suíte. O tamanho e a sofisticação me impressionaram, mas nada se compara ao que encontrei no dia seguinte, ao abrir as cortinas. A vista deslumbrante revelava águas cristalinas num degradê de azul-turquesa a marinho, que antes eu só tinha visto em fotos e filmes.

Área a céu aberto do restaurante La Punta Grill, o mais cool do Nizuc Resort & Spa - Foto: Arquivo Pessoal

Área a céu aberto do restaurante La Punta Grill, o mais cool do Nizuc Resort & Spa – Foto: Arquivo Pessoal

Logo abaixo da minha janela, um trecho de manguezal verde pulsante abrigava casais de aves que faziam sua algazarra matinal. O terraço da suíte, com as chaises estendidas sob o sol nascente, a piscina de pedras vulcânicas e uma estatueta maia eram o convite que faltava para eu entrar no clima da viagem: relax e harmonia com a natureza.

Depois de curtir o amanhecer agradecida por estar ali, resolvi encarar uma aula de ioga logo cedo. Queria curar o jet lag e preparar a alma para o restante da estada. Mens sana in corpore sano, era hora de partir para o café da manhã – um dos mais fartos que já vi – e depois revezar entre a praia de areia branquíssima e a piscina principal, cujo bar submerso convidava a pedir coquetéis a qualquer hora.

Piscina principal do Nizuc - Foto: Arquivo Pessoal

Piscina principal do Nizuc – Foto: Arquivo Pessoal

Assim, meus dias foram preenchidos por mergulhos no mar calmo e quentinho, passeios de stand up, caiaque, almoços e jantares nos seis restaurantes assinados por chefs criativos.

O grande destaque ficou para a piscina adults only, na porção mais bonita da propriedade, a La Punta, literalmente na beira do mar. Melhor que isso, só mesmo o bar-canoa montado na praia, cheio de peixes frescos coloridos e lagostas enormes para o late lunch.

Mas ficar dentro do hotel todos os dias, por mais luxuoso que seja, não é a minha praia, principalmente numa região tão instigante como a Península de Yucatán. Esse trecho do México é conhecido não apenas como o berço de civilizações fascinantes, mas também o lugar onde o grande meteoro que aniquilou os dinossauros teria caído na Terra.

Espelho d’água no resort Nizuc - Foto: Arquivo Pessoal

Espelho d’água no resort Nizuc – Foto: Arquivo Pessoal

Em alguns lugares, conhecidos como cenotes, a parte superficial do solo cedeu, deixando à mostra a água verde e azul de poços naturais profundos, cercados por vegetação exuberante e cujos tetos são cobertos por estalactites multicoloridas.

A pedida, então, foi combinar um passeio pelo sítio arqueológico mais próximo do hotel, o famoso El Rey, e um mergulho no cenote Las Palmas, que até hoje é propriedade de descendentes maias. Muitas cidades se formaram ao redor dos cenotes, porque, além de importantes fontes de água, o povo acreditava que eram morada do deus da chuva, Chac.

Um mergulho nas águas puras do cenote Las Palmas - Foto: Arquivo Pessoal

Um mergulho nas águas puras do cenote Las Palmas – Foto: Arquivo Pessoal

El Rey, à beira de uma falésia com vista para o mar, data de 1250 a 1630 a.C. Preserva os contornos de palácios, praças e centros religiosos que dão uma ideia de como seria a civilização em seu auge. A vegetação nativa ao redor das ruínas, os coqueiros moldados pelo vento e o visual evocam um quê de magia.

A energia e leveza que senti depois desses dias pareciam ter desconstruído em mim todos os preconceitos. Então, decidi anunciar minha terceira gravidez ali, com uma foto da barriguinha de quatro meses sob a luz dourada do pôr-do-sol no mar. Nem os amigos sabiam.

A jornalista em um passeio pela propriedade - Foto: Arquivo Pessoal

A jornalista em um passeio pela propriedade – Foto: Arquivo Pessoal

O que se seguiu foi uma enxurrada de mensagens que enriqueceram ainda mais o meu sentimento de plenitude, mesmo estando a milhares de quilômetros do meu marido e filhos. Foi como se estivesse junto deles. O mundo inteiro era a minha casa e as areias do México, a minha própria praia. Afinal, não somos todos viajantes desta nave azul cheia de surpresas? Bem-vindo, meu filho, que o mundo seja a sua melhor viagem!

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