Londres - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
Londres – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

Por Carlos Marcondes

Certamente este mês de fevereiro será um dos mais emblemáticos das últimas décadas da fantástica Londres. A primeira volta do ponteiro deste sábado (01.02) marca a saída do Reino Unido da União Europeia. É a efetivação da novela do Brexit, decisão polêmica que leva a nação para um caminho desconhecido.

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Londres não votou pela saída, quis ficar, mas a força dos nacionalistas do interior do país decretaram o novo destino. Se não bastassem as incontáveis atrações dessa cidade, visitá-la no primeiro mês fora do Bloco Europeu, é no mínimo marcante.

E a boa notícia é que para o turismo, por hora, nada muda. Vistos e regras continuam iguais (até novas definições), mas a atmosfera de mudanças – de expectativas e incertezas – será bem intensa, imprimindo um toque autêntico no pacote de quem viajar para lá.

A cidade nesse mês também é palco do London Fashion Week (de 14 a 18 de fevereiro) e do London Fashion Weekend (a partir de de 27), além de festivais de dança, de cervejas e ainda o LGBT History Month – que celebra o movimento com diversos eventos.

Uma metrópole assim não pode ser fria, ela borbulha de experiências. A temperatura média no inverno é entre 4 e 9 graus Celsius. Convenhamos, um tempo aconchegante e nem tão úmido, já que a média aponta 20 dias secos por mês, durante essa época.

O clima de friozinho é perfeito para ‘musear’ com desbravações culturais espetaculares. São nada menos que 170 museus, alguns dos mais cobiçados do mundo. Vale a dica de comprar o London Pass, que dá direito a mais de 80 atrações na cidade, incluindo os ônibus turísticos Hop-on, Hop-off , diversos museus, o The Shard e a Tower of London. Por três dias o passe custa 109 libras nessa época do ano.

Separamos alguns destaques londrinos de inverno capazes de fazer você esquecer o friozinho e perceber que uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, tem o dom de conquistar quem a visita, em todas as estações.

Do alto, que bela!

The Shard  - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
The Shard – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

Dois pontos são imperdíveis para apreciar a megalópole com vista panorâmica soberba. O primeiro é o The Shard, o edifício mais alto de Londres (244 metros), onde chega-se ao topo com duas plataformas de observação, tendo o rio Tâmisa e a Tower Bridge a seus pés. Até o banheiro conta com uma vista inacreditável da cidade.

London Eye - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
London Eye – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

A outra experiência nas alturas é o celebre London Eye, com suas 32 cabines e que este ano completa duas década de história. Talvez seja a roda gigante turística mais emblemática do mundo. Chegou a ser, até 2006, a maior, com 135 metros de altura. Hoje ocupa a quarta posição, superada por Nanchang (China), Singapura e pela High Roller, em Vegas com 168 metros.

Imersão em história e cultura
O inverno em uma cidade imensa como Londres é perfeito para se entregar aos prazeres culturais ofertados por museus. Falamos em 170! Poucas nações veneram tanto essa instituição como os ingleses. E, claro, essa paixão faz da cidade uma meca para absorver cultura, arte e história.

Tate Modern - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
Tate Modern – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

Hoje o mais visitado é o Taten Modern, uma antiga estação de energia que se transformou em um dos principais centros de arte contemporânea da Europa. Endereço imperdível.

Tower Bridge - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
Tower Bridge – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

Bem ao lado, abaixo do The Shard, está o Tower Bridge Museu que traz uma exibição sobre a construção e história de uma das pontes mais famosas do mundo.

Museu de História Natural - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
Museu de História Natural – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

Três gigantes merecem serem desbravados com calma, por longas horas. O primeiro é o extasiante Natural History Museum, com suas salas amplas, que contam toda a trajetória da vida no mundo, além de encantar com estruturas de esqueletos em tamanho real de dinossauro e de uma baleia azul.

Pertinho dele está o Victoria & Albert Museum, em Kensington, com galerias belíssimas que trazem coleções de arte e de objetos de design de todos os cantos do mundo. São mais de 2.3 milhões de itens, entre fotografias, moda, joalheria e esculturas. Reserve também um tempo para um chá britânico ou uma refeição no café de museu mais antigo do planeta – o V&A, que data de 1860.

Fechamos o trio com o The British Museum, que propõe um mergulho no desenvolvimento humano. Apresenta objetos icônicos de todas as culturas, em dois milhões de anos de história do homem na Terra.

Mercados singulares

Borough Market - Foto: Divulgação
Borough Market – Foto: Divulgação

A faceta gastronômica cosmopolita e plural de Londres é revelada no Borough Market, próximo a London Bridge. Em baixo de uma linha de trem, o pitoresco mercado é uma delícia de visitar. É charmoso, cultural, com toques de inovação e cada vez mais influência de ingredientes orgânicos e do conceito farm to table. Embora seja coberto, o espaço é amplo e arejado, tem-se a impressão de estar em mercado de rua, uma atmosfera muito bacana.

Notting Hill - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
Notting Hill – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

Em um dia de Sol invernal, poucas experiências são tão gostosas na cidade como caminhar pelo fascinante Notting Hill e Portobello Road Market. Em um dos bairros mais charmosos de Londres, diversas quadras enchem os olhos de diversidade e curiosidade nas lojas e barracas que trazem vasto portfolio de antiguidades, com toques hipster.

Apesar da Portobello Road ser famosa como palco de mercado de rua desde a metade do século 19, foi na última década de 50 que ela conquistou o reconhecimento de ser uma das principais feiras de relíquias da Europa. O clima é super cool e tem também uma eclética área de barracas gastronômicas multiculturais para beliscar durante a visita.

Um pub e o tradicional Afternoon English Tea

Tradicional chá da tarde - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
Tradicional chá da tarde – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

É heresia ir a Londres e não desfrutar de um chá da tarde, especialmente durante o inverno. Há inúmeros endereços mas o Berners Tavern dentro do espetacular hotel The London Edition, é um dos mais impactantes. Tanto pela qualidade do menu, capitaneado pelo chef estrelado, Jason Atherton, como pelo cenário, um salão histórico soberbo, que exala tradição, sem ostentação. Prepare-se, quando falamos em um Afternoon English Tea, pois é praticamente uma refeição.

Também seria pecado, por mais que você não beba, não pisar em pub, outra instituição britânica. Mesmo porque, além de um leque de excepcionais cervejas, com incontáveis artesanais, nos pubs tradicionais também come-se muito bem. Pratos simples, mas com alma.

Três endereços afastados do centro merecem entrar em sua lista de alternativas, pelo perfil autêntico e por serem frequentados por locais, sem aquela excessiva massa turística: Holly Bush, Carpenter’s Arms e Jerusalem Tavern.

Hospedagens singulares

Suíte do Brown's Hotel - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
Suíte do Brown’s Hotel – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

Há tantas em Londres, a cultura hoteleira é fascinante. Das mais modernas e autênticas às tradicionais e históricas como é o caso do Brown’s Hotel, simplesmente o primeiro da cidade, aberto em 1837. É uma instituição londrina, endereço celebre por receber políticos, membros de família real e celebridades.

Piccadilly - Foto: Divulgação/Carlos Marcondes
Piccadilly – Foto: Divulgação/Carlos Marcondes

O luxuoso cinco estrelas, que hoje pertence ao grupo de hotéis da família Rocco Forte, fica no coração da cidade, no elegante bairro de Mayfair, poucos minutos de caminhada de Picadilly Circus.

A propriedade é um retrato emblemático do quanto Londres é capaz de preservar com sofisticação seus edifícios históricos e clássicos, sem deixar de lado o vanguardismo e o expressivo perfil de inovação cultural e de estilo de vida.

Nesse fevereiro de inverno, Londres, à contragosto, parte do Bloco Europeu. Mas em sua alma cosmopolita e fascinante ela segue impressionando quem a visita, independente de sua temperatura, com todas as suas múltiplas facetas.

* O jornalista teve o apoio do Visit Britain, órgão oficial de Turismo – visitbritain.com@lovegreatbritain.br