Catedral do Duomo - Foto: Cibele Maciet
Catedral do Duomo – Foto: Cibele Maciet

Por Cibele Maciet

Não vá a Milão achando que vai encontrar uma cidade-museu como Roma ou Veneza. Ela não tem especialmente uma beleza arquitetônica flagrante – alguns até, pasmem, dizem que é uma cidade sem alma. Milão tem detalhes muito especiais, como o afresco A Última Ceia, de Leonardo da Vinci – escondido, mas nem tanto, no antigo refeitório do convento Santa Marie delle Grazie -; e o belíssimo Duomo, com sua visão espetacular a partir da Piazza del Duomo. Também por lá, a Galleria Vitorio Emanuelle II; com suas lojas históricas da Prada e Versace; a Pinacoteca di Brera, que abriga também a escola de Belas Artes; o Teatro alla Scala e seus espetáculos históricos; a modernidade da Fondazione Prada, entre tantas outras maravilhas.

Aperitivos  - Foto: Cibele Maciet
Aperitivos – Foto: Cibele Maciet

Agora, se o seu negócio é moda, this is the place to be: o famoso Quadrilatero d’Oro – antiga região endinheirada devido aos acordos napoleónicos assinados aqui -, é recheado de boutiques como Dolce & Gabbana, Prada, Armani e todos os outros estandartes da moda italiana. Tome nota das ruas do quarteirão: Via Montenapoleone,  Della Spiga, Sant’Andrea e Manozoni, além de Corso Veneza e Verri, um pouco mais distantes. Detalhe para a Dolce & Gabbana, que criou, nesse verão, vitrines barrocas com cabeças de anjo misturadas com sapatos, flores, frutas, tintas, tudo numa bagunça deliciosamente chique. Além disso, eles servem drinks e oferecerem serviços de corte de cabelo nas suas lojas. Outro endereço a visitar: a loja-ateliê da Fornasetti, lindamente decorada com um labirinto de olhos da Lina – musa chérie do artista.

Exposicão da Fondazione Prada - Foto: Cibele Maciet
Exposicão da Fondazione Prada – Foto: Cibele Maciet

No quesito alojamento e localização, uma boa opção é o aluguel de apartamentos em sites tipo Airbnb, muito na moda na Europa. Os preços muitas vezes são menores, se comparados a hotéis, com o plus de ganharmos uma cozinha, máquina de lavar roupas, etc. Para quem gosta de bairros novos, perto do burburinho business, a região próxima da Piazza della Republica, perto da Stazione Centrale, é o lugar certo. Quem prefere o lado old school e charmoso do Centro Velho, pode preparar o bolso, porque vai sair mais caro, sobretudo para quem viaja na haute saison, entre julho e agosto, quando as tarifas aumentam consideravelmente.

Torre dourada da Fondazione Prada - Foto: Cibele Maciet
Torre dourada da Fondazione Prada – Foto: Cibele Maciet

Um hot spot de Milão é o hotel Bulgari, estrategicamente escondido numa rua charmosa no Quadrilatero d’Oro, no coração do cento comercial da cidade. Numa construção do século XVIII, com um jardim de 4 mil metros quadrados, o hotel é um petit bijou. O spa – eu testei! – é um oásis no meio do caos milanês com suas paredes de vidro, a piscina iluminada recheada de mosaicos dourados, o hammam, decorado com mármore Afyon – originário da Turquia – , entre outros regalos. Atenção para a The Experience: massagem customizada que o spa propõe, de acordo com as necessidades emocionais e físicas do cliente. A massagista-desejo chama-se Paula, que, durante uma hora, despeja óleos da Amala no nosso corpo, já em estado de relaxamento total. Super recomendo!

Loja ateliê da Fornasetti - Foto: Cibele Maciet
Loja ateliê da Fornasetti – Foto: Cibele Maciet

O que eu amei em Milão: o aperitivo, que é, nada mais, nada menos, do que um jantar de graça. Como assim? Quando você vai ao bar, tomar tranquilamente seu spritz de Aperol, o costume local – que vem de Turim – é que ele venha acompanhado de uma tábua de petiscos, que podem ir de mini sanduíches de presunto Serrano e queijo de búfala, mini pizzas a bruschettas e focaccias, entre outras delicias. E tudo isso de graça! Conclusão: você bebe, e, de quebra, janta grátis. Experimente: o absolumment –  gelato local -, o limoncello, a pasta de trufas brancas ou negras – baratíssimas na Itália -, a focaccia – pizza em forma de pão. E tudo isso você pode comer no Eataly milanês –  uma versão mais antiga e gourmande do de São Paulo  – um oásis de perdições gastronômicas, tudo ali é de chorar de emoção.

Vitrine de queijos da Nataly de Milão - Foto: Cibele Maciet
Vitrine de queijos da Nataly de Milão – Foto: Cibele Maciet

Último spot, at last but not the least, a Fondazione Prada, de difícil acesso – me perdi muitas vezes até encontrar sua torre dourada magistral -, mas que vale muito a pena. Localizada num bairro feinho e distante, a fundação foi construída em cima de uma antiga destilaria dos anos 1910, e hoje conta com sete estruturas antigas, além de três novas: a torre, o pódio e o cinema. As expôs permanentes e temporárias são surpreendentes – eles tem até um Damien Hirst. O bar Luce, um projeto de Wes Anderson, é uma mistura arquitetônica de estilo romano com os diners americanos, uma graça. Atenção: lugar para ver e ser visto no grau máximo e com preços extremamente acessíveis. Must see!