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Royal Clippers: Bazaar faz um passeio no maior veleiro do mundo

Uma charmosa embarcação capaz de convencer qualquer ser humano avesso a água a se tornar um apaixonado viajante marítimo

by redação bazaar
Foto: Carlos Marcondes

Foto: Carlos Marcondes

Por Carlos Marcondes

Ao fim de todo o entardecer, uma cerimônia única reunia hóspedes no deck de um veleiro em águas caribenhas. Os últimos raios solares penetravam entre os cinco mastros, harmonizados pela canção, tema do filme “1942 – a Conquista do Paraíso”. Sob olhos atentos do capitão, o cenário estava formado para que 42 enormes velas fossem charmosamente içadas, rumo a um novo éden, que só o conheceríamos, ao raiar da manha, levados pelo sopro do vento.

O enredo era a aventura de explorar alguns cantinhos das chamadas Windward Islands, belezuras caribenhas como Santa Lúcia, Martinica, Antígua, Guadalupe e St. Kitts, além da icônica Barbados, ponto de partida e retorno de sete dias de navegação.

Foto: Carlos Marcondes

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Não é heresia incluir a viagem a bordo do Royal Clippers, entre as experiências singulares compulsórias para os amantes do mar. É privilégio estar no maior veleiro do mundo, com 134 metros, que remonta uma volta ao passado clássico, inspirado no lendário Preussen, embarcação que enfeitou os mares em 1902.

O veleiro é o maior da pequena frota da companhia Star Clippers, com capacidade para 227 passageiros, 57 a mais que os outros dois que formam o trio romântico dessa armadora de viagens clássicas marítimas.

Foto: Carlos Marcondes

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À bordo não há luxo, mas ótimo serviço ambientado em um cenário retrô, onde os poucos passageiros parecem compartilhar da sinergia em valorizar a singularidade de navegar em um barco exuberante. Não há espaço para a impessoalidade dos grandes cruzeiros. Todos, excitados em velejar, acabam interagindo em algum momento, seja nos jantares do salão central de um dos quatros decks, nas personalizadas aulas de ioga ou nos tours oferecidos em cada ilha aportada.

Aliás, é da terra que se tem a verdadeira convicção de que estar no Royal Clippers é uma viagem marcante. Por ser pequeno, ele consegue ancorar próximo aos piers, atraindo curiosos locais em todas as ilhas. Ao saberem que você está à bordo, logo vinham sorrisos de admiração, seguido de uma frase carinhosa: ‘how lucky you are!” (que sorte a sua).

Foto: Carlos Marcondes

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Muitas vezes, o retorno ao Royal Clippers é feito no final dia, quando o por do Sol já começa a emoldurá-lo. Há um evento onde todos os passageiros são convidados a embarcarem nos tenders para fotografá-lo de fora, em mágicos ângulos, com todas as velas içadas e douradas pelo astro rei. Não há como não brilhar o olhar.

Mas foi na imperdível e charmosa Iles des Saintes, parte de Guadalupe, que tive a sensação de conexão intensa com o mega veleiro, ao ve-lô do alto do forte de Napoleão Bonarte, soberano na cênica baia de água ‘azul-profunda’. Ele destoava em meio alguns pequenos catamarãs e barcos de pescadores, soberbo e imponente, como um retrato do que deveria ser os tempos das incríveis caravelas. Saber que ele o esperava para zarpar rumo a um novo destino, era confortador.

Do tropical ao mediterrâneo

Foto: Carlos Marcondes

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De dezembro a abril o Royal Clippers desfruta das águas tranquilas do Caribe, cobrindo boa parte das ilhas, de São Vincent e Granadinas, até a fascinante Cuba. Para o capitão Brunon, 35 anos cruzando os sete mares e desde 1995 no Star Clippers, a região caribenha é a mais sossegada para navegar no mundo. “Os ventos aqui são estáveis e as previsões confiáveis, o que permite uma experiência autêntica do que é navegar com as velas fazendo todo o esforço”, comenta.

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Na rota da Windward, uma das mais surpreendentes paradas é mesmo a Isle de Saintes, em Guadalupe, um refúgio com alma de vila de pescadores, mas com o charme e sofisticação de um território francês tropical. Outra região da França na lista de destaque é o sudoeste da Martinica, em um canto chamado de Les Anses d’ Arlet, considerado o melhor local da ilha para mergulho, tanto de snorquel como autônomo.

Foto: Carlos Marcondes

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Antígua é pérola de beleza rara no Pacífico. Foi poupada pelo furação Irma, ao contrário da vizinha Barbuda, severamente destruída. Um dos highlights de Antígua é a doca de Nelson, que por seu valor histórico se tornou Patrimônio Mundial tombado pela Unesco. A vibração da ilha é de alto astral e há impressionantes mirantes como o imperdível Shirley Heights.

Última parada do gigante de velas, Barbados também merece ser desbravada. Vale um passeio entre as mansões do bairro St. James, onde lojas de marcas de grife Como Prada e Chanel, dividem espaço com propriedades de diversas celebridades como a da cantora Rihanna, filha da terra.

Foto: Carlos Marcondes

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Há ainda um dos mais impressionantes hotéis dessa parte do Caribe, o Sandy Lane, chancelado pela Leading Hotels of The World. Outro ponto obrigatório, já do lado do Atlântico é a pequena The Crane, praia que já foi eleita como uma das top 10, na lista do site Tripadvisor.

Foto: Carlos Marcondes

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Barbados também é o porto de saída onde, no mês de abril, o Royal Clippers içou suas velas, cruzando o Atlântico, rumo ao verão no Mediterrâneo, cortando águas em fascinantes destinos como Marrocos, Portugal, a costa da Espanha e as ilhas baleares. Enquanto isso, os dois outros veleiros menores, navegam no Sudeste asiático, nas águas mornas da Tailândia. Em dezembro os gigantes charmosos, retornam novamente ao Caribe em busca de águas tropicalmente calientes.

Foto: Carlos Marcondes

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As imponentes 42 velas do Royal Clippers são referências em qualquer baia. Não se acanhe se bater uma pequena inveja-branca ao avistá-lo de alguma praia intocada ou de dentro de outras embarcações. Ao vê-lo todo aberto e dourado pelo Sol, involuntariamente, baterá uma vontade de ser um dos pouco mais de 200 passageiros privilegiados, que sentem na alma os prazeres do que é navegar em silêncio, ao sabor dos ventos.

Ainda mais imponente

As glórias do Royal Clippers, de estar presente no Guiness Book como o maior veleiro do mundo, estão prestes a serem transferidas. A Star Clippers anunciou há poucos meses, que deverá lançar até abril de 2019 o Flying Clippers, o novo detentor do título de rei das velas dos sete mares.

Em fase final de construção na Croácia, a embarcação terá 150 cabines para 300 passageiros, além de acomodar mais 150 membros da tripulação. O gigante de velas terá 162 metros de comprimento por 18,5 de largura e foi inspirado como réplica do France II, de 1911, que ostentou o título de segundo maior navio mercante da época.

Foto: Carlos Marcondes

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O Flying Clipper terá cinco decks e piscina de fundo transparente. A embarcação foi projetada para navegar em todos os oceanos, incluído as áreas gélidas da Antártica e Ártico, possíveis novas rotas da empresa sueca.

A empresa também anunciou um nova jornada temática para o verão europeu de 2019. Será a rota Mama Mia, que levará os passageiros por ilhas gregas como Skiathos e Skopelos, onde foram gravados o filme-musical, inspirado nas músicas da banda Abba.

* O jornalista teve o apoio da Star Clippers starclippers.com e do ministério de turismo de Barbados: visitbarbados.org

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