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Por Silvana Bertolucci

Sempre tive muita vontade de conhecer Seychelles. Ainda mais sendo especialista em luas de mel, esse era um destino que faltava na minha lista e finalmente pude descobrir de perto o que só tem lá.

Consegui uns dias para dar uma escapada e aproveitar algumas das 115 ilhas, consideradas por muitos como um dos lugares mais românticos do mundo. De fato, o lugar me encantou e muito.

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Quem é entendido de destinos paradisíacos conhece, e não é de hoje, o arquipélago localizado no meio do Oceano Índico. Mas para o grande público o nome de Seychelles apareceu forte quando o príncipe William e Kate Middleton resolveram passar sua lua de mel nas ilhas. Pudera. As águas azuis das ilhas e os ótimos hotéis são realmente incríveis e perfeitos para esquecer do mundo. Aliás, o slogan de Seychelles, “Another world”, faz bastante sentido uma vez lá.

O ritmo das ilhas é super adequado aos casais e a estrutura hoteleira aposta em resorts pequenos, especialmente focados em privacidade e exclusividade.

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A ideia é mesmo fazer com que você se sinta em outro planeta e que não há mais ninguém no mundo além do seu par. Não ache que falta gente nas fotos, a sensação é de estar quase sempre em um lugar deserto.

Além de mimos o tempo todo, os hotéis oferecem uma programação a dois repleta de passeios e descobertas nas ilhas. Sim, porque são muitas – mais precisamente 115 ilhas e ilhotas, divididas em 6 sub-arquipélagos.

A maioria dos visitantes, como eu fiz nessa primeira vez, começa explorando Mahé, Praslin e La Digue. As distâncias entre elas não são grandes, há voos em pequenos aviões com capacidade para até 18 passageiros e voos curtos de até 20 minutos. Ou então por barco, em percursos um pouco mais longos.

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Ilha de Mahé, a principal de Seychelles é um cartão de visitas verde e com um mar lindíssimo. Assim é a Ilha de Mahé, a maior (são 28 km de extensão por 8 km de largura), a mais populosa e a porta de entrada em Seychelles.

Ali fica o aeroporto internacional e a capital Victoria, onde eu passei rapidamente a caminho do hotel. É uma das menores capitais do mundo, mas o centrinho ainda tem um charme com arquitetura tradicional, um mercado movimentado, restaurantes, além de lojas elegantes e agências de viagem. Embora tenha alguma pobreza urbana, Mahé é muito mais do que isso, com suas 65 praias lindíssimas bem espalhadas ao redor da ilha principal e outras tantas ao redor, a curtas distâncias de barco.

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Como o clima não estava lá essa maravilha, aproveitei muito o hotel Carana Beach, no extremo norte da ilha, depois de sofrer overbooking no Avani Seychelles Barbarons Resort. Acontece nas melhores famílias e o importante é contornar a situação da melhor maneira possível. O Carana, além de ser um hotel muito bacana, cujos quartos tem, todos, vista para o mar, decoração moderna e praia particular, ainda me deu um upgrade, ou seja: ficou tudo bem.

Ali ao norte, bem perto do hotéis tem a famosa Praia de Beau Vallon, uma das mais lindas do país. A estreita faixa de areia é uma passarela à beira de um mar que mais parece uma piscina, sem onda nenhuma. Dá vontade de passar o dia todo ali. Tem hotéis e restaurantes de vários tamanhos, mas a arquitetura não é nada invasiva e o visual é predominado pelas árvores. É um bom passeio de um dia para sair do hotel. Claro que tempo bom é fundamental para isso. Mas do mesmo jeito que pode chover, o sol aparece logo.

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Aliás, é uma ótima pedida estar em um hotel com boa infraestrutura e alternativas para dias chuvosos, como academia. Não pude deixar de me encantar com o Maia Luxury Resort & Spa, o melhor hotel de Seychelles. São villas maravilhosas numa praia particular. Elas parecem casas mesmo e tem piscina e vistas surreais da praia. É o que tem de mais exclusivo na ilha. Tive a chance de jantar por lá e experiência foi incrível. Ali eu poderia ter malhado nos dias de chuva e aproveitado um pouco mais sem sair ao ar livre. Outros ótimos hotéis em Mahé que contam com essa infraestrutura mais completa são o Four Seasons, o Banyantree e o Constance Ephelia, que é super exclusivo também.

A parte sul da ilha é bem mais calma e isolada, contrasta bem com o norte. Tem um monte de vilarejos e prainhas lindas também. Uma das mais impressionantes é a de Anse Forbans, com faixa de areia estreitinha, formato de ferradura e água muito clara. O acesso é bem fácil e as estradas na ilha são bem conservadas. Também vale a pena você quiser alugar um carro e ficar mais independente para explorar.

Mahé tem ainda uma riqueza incrível de fauna e flora. No Jardim Botânico você encontrará uma selecionada amostra dos grandes patrimônios naturais. Algumas espécies, como a jellyfish tree, que chegou a ser considerada extinta até ser redescoberta e preservada na década de 1970. Além dela, é um dos lugares onde você vai poder ver de perto as famosas tartarugas-de-seychelles, espécie que pode viver mais de 180 anos, tanto quanto a tartaruga-de-galápagos. Se puder, visite ainda as plantações de iguarias como baunilha e canela.

Ilha de Praslin, a mais linda

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Se em Mahé eu não dei sorte com o tempo, chegando em Praslin, as coisas mudaram. Fez um sol lindo e pude aproveitar muito ao ar livre. Aliás, essa é a essência de Seychelles, estar ao ar livre. E Praslin chama para isso. Eu amo esportes e o auge da minha visita por lá foi poder dar a volta à ilha de bike e com calma em cinco horas. Uma pedalada maravilhosa, sentindo de perto a vegetação exuberante e interagindo com os locais. É muito charmosa essa tal de Praslin e, apesar de bem menor do que Mahé, é a segunda maior ilha e a mais populosa de Seychelles.

Algumas das praias mais magníficas do mundo estão ali, como Anse Lazio, no noroeste da ilha, que é figurinha carimbada em todos os rankings de praias mais lindas do mundo. Maravilhoso o snorkeling em meio aos blocos de granito e águas muito azuis e transparentes, cercadas por palmeiras e takamaka, espécie de castanheira local. Mais a oeste, a Anse Georgette é mais uma praia tão deslumbrante quanto.

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Sobre os hotéis de Praslin. Fiquei encantada com o Constance Lemuria, super charmoso e exclusivo, na praia de Petite Anse Kerlan. É o melhor hotel da ilha, sem dúvida. Outra opção excelente é o Raffles Seychelles, com bangalôs muito elegantes de frente para o mar e um clima de exclusividade total. Um baita cenário de lua de mel. Oferece muitos serviços e é daqueles lugares que não dá nem vontade de sair do hotel. O Paradise Sun segue o mesmo modelo, com muita sofisticação, mas do outro lado da ilha, na fantástica Praia de Anse Volbert, com ótimos pontos de mergulho bem próximos, como a belíssima Ilha de Saint Pierre, onde fomos fazer snorkel. Um espetáculo!

Em Praslin também se esconde uma das grandes joias de Seychelles, o Valée de Mai National Park, patrimônio natural da UNESCO. O vale abriga seis espécies de palmeiras encontradas apenas no país, e é onde cresce o raro “coco de mer”, em árvores gigantescas. Praslin também abriga um campo de golfe com 18 buracos, o maior de Seychelles, além de um cassino respeitável.

Há muitas outras opções de passeio saindo de Praslin, pena que não deu tempo de ver tudo. Mas num percurso de barco de 45 minutos você chega à ilha de Aride, famosa pelas incontáveis espécies de aves. É quase como voltar no tempo e descobrir como eram as ilhas antes da ocupação humana. Posso dizer que é imperdível para quem quer vivenciar a natureza em sua forma mais pura e intocada.

É importante dizer que há outras ilhas incríveis ao redor de Praslin. Entre as favoritas, Cousin, Curieuse, Chauve Souris e La Digue. Certamente essa terceira oferece maior infraestrutura e atrações, a apenas 7 quilômetros de Praslin. A praia de Anse Source D’Argent está entre as mais cobiçadas de Seychelles. Por lá você vai encontrar menos hotéis sofisticados e mais vida rural, com muito transporte de bike e carroças. O snorkeling em Anse Severe e Anse Union são excelentes. La Digue é ainda o ponto de partida para as ilhas de Grande e Petite Soeur, Flicité e Marianne.

Tudo o que você precisa saber antes de ir para as Ilhas Seychelles:

Como chegar em Seychelles?
Não dá para ir direto do Brasil, é preciso fazer conexão ou em Dubai ou em Johanesburgo, para então chegar a Mahé. Recomendo muito dormir uma ou duas noites no stop tanto na ida como na volta para não se chegar cansadíssimo no destino, uma vez que as horas de voo são muitas e o fuso conta 7 horas a mais. Entre Mahé e Praslin, um voo de 20 minutos em um avião bimotor de 18 lugares da Air Seychelles ou uma hora de ferry.

Quando visitar Seychelles?
O tempo é sempre úmido, mas não há grandes variações climáticas. A temperatura varia de 24 a 32 graus o ano todo. Entre dezembro e março ventos ao norte trazem um ar mais quente e úmido. Já entre maio e setembro, mais frescor e leveza. O resto dos meses costumam ter tempo firme e pouco vento.
Saiba o essencial
1. Os três idiomas oficiais das ilha são o inglês, o francês e o creole.
2. Leve os itens básicos de praia. Óculos de sol, canga, protetor solar, sandálias, biquíni e sunga, repelente.
3. Não é preciso tirar visto, ele é dado na entrada e vale por até um mês.
4. O dinheiro de lá é o Seychelles Rupee, que pode ser facilmente trocado por dólares ou euros.
5. A voltagem em Seychelles é de 220V, mas geralmente os hotéis oferecem adaptadores.
6. A maior parte dos habitantes é cristã, sendo uma maioria católica, alguns anglicanos e outros protestantes.

O arquipélago está entre os 10 melhores pontos de mergulho do mundo. Seus mares de águas azul-turquesa repletos de recifes de coral são moradas de mais de 850 espécies de peixes. Os melhores meses para desbravar o mundo subaquático são abril, maio, outubro e novembro. Nessa época, a temperatura da água chega a 29° e a visibilidade a 30 metros. Tanto os centros de mergulho como os hotéis oferecem equipamentos e toda a infraestrutura necessária para a prática de esportes náuticos.

Definitivamente esse é um destino que eu recomendo muito para descobrir a dois, explorando as ilhas e as praias. Um lugar ainda muito bem preservado e com uma natureza fora do comum. Para além do visual, o povo é muito doce e hospitaleiro.

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