Sandy Island, com apenas um pequeno restaurante. Foto: Arquivo pessoal
Sandy Island, com apenas um pequeno restaurante. Foto: Arquivo pessoal

Por Camila Garcia

A chegada a St. Barth (a abreviação, para os íntimos, da ilha francesa Saint-Barthé- lémy) já é emocionante.Além de avistar de cima o mar com o azul mais cristalino que já vi, o pouso é feito em uma das me- nores pistas do mundo, à beira-mar. 5 Para chegar lá, mesmo quem tem um jatinho particular pre- cisa estacioná-lo na vizinha St. Martin e pegar um voo comer- cial ou reservar uma das aeronaves que fazem voos charters – a viagem dura apenas dez minutos. Com 22 praias deslumbrantes (não deixe de conhecer a re- servada Gouverneur, batizada pelos locais de Abramobeach, por abrigar a nababesca vila do bilionário russo Roman Abra- movich) e boas novidades a cada temporada, St. Barth preci- sa ser desvendada de carro (alugar um Mini Cooper conver- sível já na chegada ao aeroporto é ótima pedida) e sem pressa, em especial entre dezembro e abril, meses mais movimenta- dos por lá. A pequena ilha, onde o francês é a língua oficial e o euro a moeda, tem clima 100% europeu, das lojas ao menu dos restaurantes e hotéis.

A piscina particular do quarto, com vista para o mar. Foto: Divulgação
A piscina particular do quarto, com vista para o mar. Foto: Divulgação

Fiquei hospedada no Cheval Blanc, na praia Flamands, uma experiência para ficar na memória. O hotel, do grupo LVMH, é daqueles que você não quer sair nem para conhecer a cidade, de tão bom. Dá para passar o dia nas espreguiçadeiras da praia tomando drinks, depois um pulo na piscina, seguido de uma ida ao spa Guerlain – eles têm ótimos tratamentos relaxantes e pós-sol. Os amenities também são feitos pela marca francesa (os cheirinhos são incríveis). Para jantar, o La Case d’Isle, comandado pelo chef Yann Vinsot, que combina a gastronomia francesa com toques caribenhos. Fiquei apaixonada pelo tom de rosa presente em toda a comunicação visual e descobri que a tonalidade foi criada especialmente para o hotel. Superada a barreira de querer morar no Cheval Blanc para sempre, fui conhecer Gustavia, o centrinho supercharmoso e cheio de lojas e restaurantes bacanas.Todas as grandes maisons estão lá, mas também é divertido descobrir as marcas locais. As batas Vanita Rosa, por exemplo, são icônicas, 230 de várias cores e comprimentos. St. Barth está cheia de gente talentosa e interessante que cansou da vida nas grandes metrópoles e se mudou para lá. Caso da paulistana Jordana Gheler, que criou o Conexão Destinos (www.conexaodestinos.com) e me guiou pelos melhores lugares da ilha. Entre eles, o italiano L’Isola, do empresário Fabrizio Bianconi. O carpaccio de polvo e a pasta com lagosta são imperdíveis. Para um almoço agradável, minha dica é o DOBRAZIL, de frente para a bela Shell Beach, bem pé na areia. O ceviche e a piña colada ajudam a tornar tudo mais perfeito.

A piscina de frente para a praia do hotel. Foto: Divulgação
A piscina de frente para a praia do hotel. Foto: Divulgação

De St. Barth, segui viagem para outra ilha caribenha, Anguilla. Apesar da paisagem natural ser parecida – areia branquinha e mar transparente –, o clima da ilha britânica (os carros têm direção do lado contrário) é totalmente diferente. Bem menos conhecida e badalada que a vizinha francesa, Anguilla (pronuncia-se como se tivesse trema no u) é o lugar ideal para dias de dolce far niente com todas as mordomias. Fiquei hospedada no novíssimo Zemi Beach, um hotel na beira do mar de Shoal Bay. Assim que pisei ali, fui recebida por sorrisos muito brancos e simpáticos. Não existe front desk para o check in. Logo, um desses sorrisos me levou, num carrinho de golfe, para o meuquarto.Elá,comumdrinkcaribenhopreparado nahora numa mão e um johnny cake (espécie de rabanada local, mas muito melhor) na outra, eles pegam seus dados sem você nem perceber. Daí em diante, é só diversão. Anguilla é um paraíso no sentido mais literal e clichê da palavra.

O tom de rosa criado especialmente para o hotel está nas toalhas de praia. Foto: Divulgação
O tom de rosa criado especialmente para o hotel está nas toalhas de praia. Foto: Divulgação

O serviço de praia é atencioso e com ótimas opções de frutos do mar fresquinhos servidos com Pinot Grigio gelado. Nemo, Dory e muitos peixinhos e peixões coloridos são facilmente vistos com máscaras e snorkels providenciados pelo hotel. Não deixe de fazer um passeio de barco para conhecer melhor a ilha britânica. Os melhores pit stops são Prickly Pear, com dois restaurantes ótimos para almoçar e tomar drinks. Faça como eles e peça um rum com gelo. Mas meu lugar preferido, aquele que você não esquece jamais, é Sandy Island, um micropedaço de areia cercado do azul mais lindo que já vi e um único bar, bem rústico, com deliciosas margaritas e lagostas grelhadas no carvão, regadas a um bom papo com o povo local. Para uma noite preguiçosa no hotel, indico o room service do 20 Knots, restaurante do Zemi que tem uma pizza deliciosa de frutos do mar e trufas. Juntas na mesma temporada ou como destinos separados, desvendar o Caribe é uma viagem que pode ser repetida muitas e muitas vezes, com novas e inesquecíveis descobertas