Foto: Jorge Bispo

8h30

Tenho levantado esse horário. Todos os dias tento acordar mais cedo para praticar ioga com meu professor online, mas nunca consigo. A aula é às 7h e ando com preguiça de levantar tão cedo e começar o dia. Então, a primeira coisa que fiz hoje foi olhar o despertador e pensar que estava atrasada para acordar. Emanuel já estava na cozinha e ouvi os passos do Martim levantando da cama (o filho do Emanuel, de 6 anos, fica uma semana com eles e outra com a mãe, Nanda Félix).

9h

Gosto de variar no café da manhã, mas sempre tem café preto e pão, duas coisas que amo. É tudo bem simples. Comi três pães de queijo e um pouco de mamão.

10h

Foto: Arquivo Pessoal

Depois do café, costumo praticar ioga, mas isso varia de acordo com a nossa gravação de vídeos para o canal [Flor e Manu, no YouTube]. Hoje coloquei minha roupa de ioga, mas, quando faço vídeos, coloco uma blusa mais bonita e fico com a parte de baixo do pijama. Eu e o Emanuel ficamos muito assustados e confusos em relação à quarentena e todas as consequências dela. Não achamos razoável continuar fazendo dois vídeos por semana.

O distanciamento social é um ótimo tema, estamos todos juntos nesta situação e ela gera muitos questionamentos, angústias, tristeza, solidão. Por tudo isso, resolvemos fazer um vídeo por dia.

Começamos falando sobre o relacionamento na quarentena e chamamos essa sessão de Quarentenados. É claro que os temas acabaram se expandindo para além dos relacionamentos amorosos.

O canal ganhou novos inscritos [depois do episódio sobre o Bolsonaro] e isso foi uma coisa boa de tudo o que aconteceu. Várias pessoas que não conheciam o canal souberam da existência dele, acabaram gostando e ficando.

Mas também ganhamos haters, pessoas que só seguem para agredir e manter o ataque. Quando fiz a cena de ódio explícito ao presidente, eu não estava realmente desejando que fizessem isso com ele ou querendo fazer. Era uma figura de linguagem para demonstrar frustração. Achei que estava protegida na minha bolha, nas pessoas que concordam comigo, que não gostam e não compactuam com as atitudes do presidente, mas é claro que, quando dizemos uma coisa na internet, isso pode se propagar de uma forma distorcida. Então, estou mais atenta.

11h30

Ainda na parte da manhã, troquei a roupa de cama e as toalhas, lavei tudo e pendurei. Eu e Emanuel conversamos sobre coisas de trabalho e, depois disso, fiz minha prática de ioga. Comecei a praticar com 16 anos, mas parei e voltei várias vezes. Pratico sozinha há um ano, todos os dias. Hoje fiz uma prática rápida, porque o tempo estava corrido. Não estou fazendo outro exercício no momento, mas costumo frequentar academia.

14h

O almoço é sempre feito pelo Emanuel. Comemos um lombinho com arroz integral, cenoura e vagem.

15h

Lavamos a louça e arrumamos a cozinha. Nós sempre fizemos tarefas da casa, porque só temos faxineira duas vezes na semana, e, agora, tudo é nossa responsabilidade, além, claro, dos deveres e estudos do Martim, que também ocupam muito.

16h

Foto: Arquivo Pessoal

Fiz análise, que continuo fazendo online durante a quarentena, e comecei a escrever. Estou acabando meu primeiro livro, que é de autoficção. É um projeto antigo, comecei a trabalhar nele em 2017 e, agora, vi a possibilidade de terminá-lo. Preciso ficar muito mais concentrada para conseguir sentar para escrever uma hora por dia, e isso foi uma grande mudança na minha rotina.

20h

Pedimos pizza, mas Emanuel costuma fazer o jantar também. Depois assisti a “Jurassic Park” com o Martim. Não existe praticamente rotina de beleza na quarentena, faço o que dá, quando dá. Passo creme no corpo e no rosto, sou um pouco desapegada dessas coisas. A prática de ioga todos os dias já é um ritual para mim. O que mais cuido é do cabelo, lavo três vezes na semana com produtos do Laces. Para desacelerar, bebo vinho com Emanuel, fico na rede; ler tem ajudado bastante também. Estou lendo “Cem Anos de Solidão” e tem me feito muito bem.

22h ou 23h

Vou dormir entre estes horários.