Foto: Lucas Landau

Por Gabriel Weil

O Designer de móveis Sergio Rodrigues falou na tarde dessa sexta-feira (13.01) na casa FIRJAN da Indústria Criativa, em Botafogo, no Rio. A palestra acompanha uma exposição de peças do designer que acontece no Píer Mauá durante o Fashion Rio.

O evento informa sobre a importância da assinatura e da criação para a indústria, e fala com expoentes da criação no Brasil. Sergio representa para o design de mobiliário o que a Bossa Nova representou para a música, ou Niemeyer à arquitetura.

Ele traçou uma linha do tempo de sua carreira, ilustrada por imagens de suas criações. Tendo experimentado trabalhar como grafiteiro, escultor e designer gráfico, o arquiteto de formação não deixa dúvidas de que sua verdadeira vocação é desenhar móveis.

No design como na moda, clássicos produzem um fascínio particular. Seus móveis, alguns criados há mais de 50 anos, não perderam em relevância e valor estético, e seu estilo foi coerente durante toda a sua carreira. “Um designer cria a tendência. Mais tarde os copistas a seguem”, ele diz.

O desenho de Sergio, que produzia móveis de luxo com preços elevados, como a poltrona Mole, por exemplo, foi por ele aplicado a peças mais acessíveis, na criação de uma marca de difusão chamada Meia Pataca, estratégia que designers de moda aplicariam a seus trabalhos anos depois.

Ele fala com exclusividade sobre sua fórmula para a criação de clássicos: “Clássicos são produtos com alma, feitos com amor e entusiasmo; acreditando no que se está fazendo. Tudo que tem alma vai durar”.  Ele diz que desenha o que gosta, sem olhar para o que acontece ao redor: “Sou cliente de mim mesmo”.

Sergio também nos falou sobre como seu produto transcendeu a categoria de mobiliário e tornou-se culto no universo da moda: “Não foi sempre assim. Foi o Otto Stupakoff (fotógrafo) e Bia Ferrer (stylist) que passaram a usar meu produto em editoriais de moda. Antes eles só usavam móveis napoleônicos ou “Luises” para valorizar uma fotografia do gênero”.

Um exemplo de individualidade, devoção e talento, essencial para a indústria criativa.