Agnès veste casaco Michael Kors - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Agnès veste casaco Michael Kors – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Charlotte Cowles, com fotos Simon Upton

A primeira vez que Agnès Monplaisir pôs os olhos em La Paillardière, enorme propriedade rural situada a uma hora de carro de sua movimentada galeria em Paris, estava sendo paquerada por seu proprietário, o incorporador de imóveis francês Christian Pellerin. “Dirigíamos devagar, através destas árvores enormes, havia frutas por toda a parte. Tudo cheirava tão bem, e podia ouvir milhares de pássaros. Pensei: se um homem possui um lugar como este, para que precisa de mim?” diz, aos risos. Sua preocupação diminuiu quando chegaram à casa principal, um château de tijolos e estuque, todo coberto por heras, que a fizeram sentir uma imensa sensação de pertencer àquele lugar. “Percebi que já havia estado ali. Havia visitado aquele lugar em meus sonhos.” Ela e Pellerin se casaram pouco depois.

Agnès escala a casa-sede de La Paillardière. O vestido é Oscar de la Renta - Foto: reproduçao/Harper's Bazaar
Agnès escala a casa-sede de La Paillardière. O vestido é Oscar de la Renta – Foto: reproduçao/Harper’s Bazaar

Criada nos arredores de Bordeaux, em uma casa relativamente desprovida de arte – seu pai era banqueiro e sua mãe, professora de História -, o despertar criativo veio aos 13 anos, quando um amigo da família a levou a uma exposição de Monet. “Apaixonei-me e, imediatamente, pensei: este é meu universo”, relembra. Aos 18, abriu sua primeira galeria de arte, num modesto espaço na região da Bastilha, em Paris.

Escultura de Daniel Hourdé - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Escultura de Daniel Hourdé – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Passadas quase três décadas – e inúmeros clientes ilustres, dentre eles Yves Saint Laurent -, hoje ela opera seu negócio, um showroom de mais de mil metros quadrados no coração de St-Germain-des-Prés. Embora sua galeria seja uma das maiores da região, as ambições – bem como as gigantescas esculturas – ultrapassaram o terreno, e Monplaisir passou a expor as obras em La Paillardière, hospedando clientes para visitas aos finais de semana e festas de arromba.

Monplaisir e Pellerin se conheceram por meio de um amigo em comum, o produtor cinematográfico Jean-Claude Fleury, em um jantar em Paris. “Não estava muito a fim de sair, mas fui e acabei conhecendo meu marido.”

A escultura Ikaro Blu Caduto, de Igor Mitoraj, nos jardins da La Paillardière. Agnès usa vestido Valentino - Foto: reproduçao/Harper's Bazaar
A escultura Ikaro Blu Caduto, de Igor Mitoraj, nos jardins da La Paillardière. Agnès usa vestido Valentino – Foto: reproduçao/Harper’s Bazaar

Pellerin ganhou renome incorporando alguns dos mais importantes distritos comerciais da França. Conhecedor nato de imóveis prime, começou a comprar as terras ao redor de La Paillardière em meados de 1970. Situada próxima a Gien (uma pitoresca cidade à beira do Rio Loire), a casa principal foi construída, originalmente, como abrigo de caça, no século 18, ampliada no início do século 20 pelo magnata Georges Lesieur e, depois, novamente, por Pellerin, ao final da década de 70. “A casa é bem francesa, devido ao cenário e seu passado”, conta Monplaisir.

“Muito do que está aqui pertence à família de meu marido há mais de um século – as louças, os lustres”, acrescenta. Obviamente, ela introduziu alguns itens contemporâneos, garimpos de artistas que expõe em sua galeria. Muitos deles argentinos, colombianos e brasileiros. Atribui o interesse pela América do Sul às raízes ancestrais de seu pai (nas Índias Ocidentais), que foram sua porta de entrada para o continente. Recentemente, adquiriu uma propriedade de frente para a praia no Brasil, por pura extravagância. “Comprei online, após um jantar com uma amiga, sem nunca nem sequer ter conhecido o local.”

La Paillardière - Foto: reproduçao/Harper's Bazaar
La Paillardière – Foto: reproduçao/Harper’s Bazaar

Apesar da tranquilidade das redondeza, La Paillardière é um lugar agitado. No último verão, um imenso arco em tom vermelho escarlate – assinado por Hourdé – foi construído em meio a um bosque. No outono, ocorrem os grupos de caça, em fluxo constante – e Monplaisir aprecia os sabores sazonais. “Amo comer no jantar os legumes e verduras de nossa horta e, à noite, dormir com as janelas abertas. Na primavera, é possível ouvir o barulho dos cervos. Aqui, jamais temos momentos de tédio.”

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