Foto: Ilana Bessler

Por André Ciaffone

Por telefone, o pai pede para sua filha única, de 13 anos, que pesquise quem foi Louis Vuitton. Curiosa e obediente, a menina vai buscar nas páginas das enciclopédias Britânica e Mirador – era 1994 e a internet ainda engatinhava no Brasil – a informação sobre o tal francês que fazia malas. Quando o pai lhe presenteou com uma carteira Louis Vuitton, a adolescente entendeu a razão do pedido. “Foi a minha primeira peça de grife”, conta Iara Jereissati, que hoje, aos 30 anos, é a primeira-dama da rede Iguatemi de shopping centers, a mais prestigiada coleção de templos de consumo de luxo do Brasil.

Filha de juiz de direito e diretora de colégio, a beldade de 1,81 metro, 60 quilos, pele perfeita e longos cabelos castanhoescuros nunca se interessou pela carreira de modelo. Preferiu os concursos de beleza. Acompanhou de perto a trajetória de uma amiga que concorreu a Miss Bélgica quando foi estudar por um ano no país. “Quando voltei ao Brasil, quis participar de um concurso, mas isso não existia em Luz, minha cidade natal de 15 mil habitantes”, lembra.

Anos depois, já cursando direito, na PUC de Belo Horizonte, o desejo tornou-se viável. Foi assim que a moça batizada com nome de princesa – Iara Maria Resende Azevedo Coelho – ganhou o Miss Minas Gerais 2004. Naquele ano, o Miss Brasil celebrava seus 50 anos e a disputa foi particularmente acirrada. Iara ficou em segundo lugar. Grazi Massafera em terceiro. Durante seu reinado, em um jantar em Belo Horizonte, ficou encantada com a eloquência e o carisma de um convidado que estava na mesma mesa que ela. Era o empresário Carlos Jereissati, 30 anos mais velho. O encantamento foi mútuo. Casaram-se há seis anos. Com o casamento, Iara mudou-se para São Paulo, deixou a carreira de advogada em “pause”. “Por conta da vida social e empresarial do Carlos, conheci e conversei com algumas das pessoas mais interessantes da atualidade, das mais diferentes atividades. Empresários, políticos, intelectuais, esportistas, artistas, designers, enfim, gente que faz acontecer, que tem repertório. Vejo a história acontecer da primeira fila”, diz.

No dia a dia, Iara acorda cedo para dar conta da sua agenda. A prioridade é a filha Maria Clara, de pouco mais de 1 ano. Em São Paulo, a vida social do casal Jereissati também é intensa. Entre segunda e quinta-feira, a agenda costuma incluir, em média, dois jantares. “Tenho planilhas para não esquecer de nada”, explica.

Já os fins de semana geralmente são passados fora da cidade. Parte do tempo de Iara acaba sendo dedicado a administrar as várias residências da família. O duplex de cobertura no Jardim Paulistano, em São Paulo, com obras de arte de grandes artistas brasileiros, está sendo redecorado por Ana Maria Vieira Santos. Dentre todas as propriedades do casal, é a casa da fazenda de Indaiatuba, em que foram feitas as fotos deste ensaio, a favorita de Iara. “Acho que gosto especialmente daqui por causa das minhas raízes do interior. Cresci indo para a fazenda da minha avó materna. Me faz bem o contato com as plantas, o ar da montanha”, diz. “Além disso, a casa é espetacular, cheia de tesouros arrematados em leilões e antiquários. A decoração é de Ugo di Pace e tem uma coisa de encontro do antigo com o moderno que me agrada muito.”

Na casa de Indaiatuba seus ambientes preferidos são a sala e o jardim. “No jardim, acompanho a mudança das estações e brinco com minha filha.” Dos móveis, seu favorito é a cama de opium chinesa. “Foi do meu cunhado, Hugo Jereissati, e hoje enfeita a nossa varanda.” Para o ensaio, Iara escolheu peças de marcas que costuma comprar, como Diane von Fustenberg, Chanel, Christian Louboutin, Oscar de la Renta e Carolina Herrera.

“Meu pai quis que eu pesquisasse Louis Vuitton para que entendesse o valor do presente em termos culturais. Até hoje me interesso pela história das marcas que uso. Claro que adoro ir às compras. Mas espero ser capaz de passar essa visão para a minha filha quando chegar a hora.”