Gabriela veste macacão Andrea Marques, sapatos Prada, óculos Céline na Arnaldo Gonçalves, pulseira Miriam Kimelblat e brinco Ara Vartanian. Tela Waves, de Oscar Oiwa e obra de Conrad Shawcross - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Gabriela veste macacão Andrea Marques, sapatos Prada, óculos Céline na Arnaldo Gonçalves, pulseira Miriam Kimelblat e brinco Ara Vartanian. Tela Waves, de Oscar Oiwa e obra de Conrad Shawcross – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Dudi Machado, com fotos Vicente de Paulo, set design de Tissy Brauen, styling de Lucia Koranyi, beleza de Mary Saavedra e assistência de produção de Isabel Queiroz

A vida de Gabriela Moraes daria um sensacional roteiro de filme indie, com pegada artsy, enredo feliz e final em aberto. Aos 39 anos, a gaúcha de Porto Alegre, que adotou o Rio de Janeiro e o estilo tropical chic há mais de 20 anos, vive em constante mutação. Já transitou no mundo da moda e da arte o suficiente para deixar sua marca em ambos.

“Definitivamente não sou uma pessoa que consegue ficar sem fazer nada”, resume. Bem se vê: de artista performática a sócia da marca carioca Andrea Marques, passando pelos títulos de colecionadora fervorosa e mãe (ela tem dois filhos), Gabriela é ainda diretora do braço carioca da Galeria Nara Roesler, recém-inaugurada em Ipanema.

À esquerda, Gabriela usa calça e top Andrea Marques, colar Céline, anel Ara Vartanian e brinco de seu acervo pessoal. À direita, usa sandálias, pulseiras e brincos Andrea Marques e óculos Linda Farrow para Dries Van Noten; atrás do sofá, escultura-bicicleta de Jarbas Lopes - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
À esquerda, Gabriela usa calça e top Andrea Marques, colar Céline, anel Ara Vartanian e brinco de seu acervo pessoal. À direita, usa sandálias, pulseiras e brincos Andrea Marques e óculos Linda Farrow para Dries Van Noten; atrás do sofá, escultura-bicicleta de Jarbas Lopes – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Hiperatividade é sua marca registrada. E sua casa, um apartamento amplo e muito bem iluminado, no Alto Leblon, é reflexo disso. Projeto do arquiteto Felipe Lobão, o espaço foi completamente remodelado para receber a família e, obviamente, as obras – são mais de 250 no total. “Aqui só temos o que adoramos, não tem business e também não tem nenhum artista morto. Gostamos de comprar trabalhos de artistas com quem possamos, eventualmente, conviver”, explica.

De fato, a coleção que já virou referência: o acervo rendeu a ela e ao marido, o empresário Fabio Szwarcwald, um convite para integrar o board do New Museum de Nova York – além deles, apenas Chris Bicalho e José Carlos Hauer estão entre os casais brasileiros.

À esquerda, instalação de Lia Chaia. À direita, cadeira Sérgio Rodrigues, mesa Kaif Arquitetura, escultura de metal, sob a mesa,Eric Zamorra - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
À esquerda, asas de Isaque Pinheiro. À direita, cadeira Sérgio Rodrigues, mesa Kaif Arquitetura, escultura de metal, sob a mesa,
Eric Zamorra – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

A história de Gabriela com a arte vem de longa data. “Tinha vida dupla”, brinca sobre essa época. De dia, se concentrava no estilo da grife carioca Maria Bonita. À noite, dedicava-se à arte. Aos 21 anos, inscreveu-se em um curso de três anos de aprofundamento em criação artística de arte, no Parque Lage, ministrado por gente como Iole de Freitas, Nelson Leirner, Anna BellaGeiger, Charles Watson. Ali conheceu Paula Boechat, amiga com quem viria a formar uma parceria de dez anos, a PaulaGabriela.

Criadoras de arte performática, registravam seus trabalhos através de fotos e vídeos. Depois de três anos juntas, um chamado do destino: “Éramos muito próximas do Tunga e, através dele, conhecemos o curador francês Jean-Marc Bustamante, que nos convidou para uma residência na Escola de Belas Artes, em Paris. Disse para mim mesma: é agora ou nunca.” Arrumou as malas e foi.

Instalação de Lia Chaia - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Instalação de Lia Chaia – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

“Conhecemos um mecenas, Nabil Awad, que comprou nossa maluquice.” Partiram, então, para realizar seu maior trabalho, As Esferas, série de performances em quatro apresentações na Biblioteca Nacional da Cidade Luz. Na sequência, duas exposições na conceituada galeria Valérie Cueto.

Voltaram ao Rio de Janeiro e logo foram chamadas pelo incrível artista e coreógrafo norte-americano Bob Wilson para Lopesuma residência de um mês em Watermill Center, seu instituto em Long Island, Nova York. No ano seguinte, fizeram uma exposição em Belo Horizonte. “Estávamos no auge do sucesso”, pontua. Foi quando Paula, sua parceira de mais de 10 anos, se apaixonou por seu futuro marido. “Ela largou tudo e se mudou para Fernando de Noronha. Estávamos com um novo ateliê pronto, tudo para prosseguir nessa vida de artista, foi uma grande crise para mim. Poderia continuar, mas não quis seguir um trabalho solo. Para mim, não fazia sentido”, relembra.

Na sala, painel colorido de pipas Finok; na viga da parede, desenho de Otavio Schipper. Na parede ao fundo, pintura da dupla Osgemeos. Poltronas Mole Sergio Rodrigues. Acima da mesa, esculturas Otavio Schipper - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Na sala, painel colorido de pipas Finok; na viga da parede, desenho de Otavio Schipper. Na parede ao fundo, pintura da dupla Osgemeos. Poltronas Mole Sergio Rodrigues. Acima da mesa, esculturas Otavio Schipper – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Mas, ao se fechar uma porta, abrem-se outras. Para Gabriela, pelo menos, sempre foi assim. Na mesma época em que freou sua carreira artística, reencontrou Andrea Marques, amiga, estilista e ex-chefe da época da marca Maria Bonita, que tinha planos de seguir carreira independente. Deu liga.

“Entrei na marca Andrea Marques para passar um tempinho – já dura 6 anos, rendeu uma bonita sociedade e 35 funcionários,” enumera, feliz. Mas nada na vida de Gabriela é estático. “Passei por uma crise no começo do ano, comecei a sentir muita falta da arte, além das paredes de minha casa.”

À esquerda, Gabriela veste top Miu Miu, calça Andrea Marques, anéis Pedro Lourenço para Jack Vartanian e sapatos Grenson. À direita, peça de Erick Beltrán; no alto, desenhos p&b de Thiago Rocha Pitta, escultura com painéis de acrílico de Lucia Koch - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
À esquerda, Gabriela veste top Miu Miu, calça Andrea Marques, anéis Pedro Lourenço para Jack Vartanian e sapatos Grenson. À direita, peça de Erick Beltrán; no alto, desenhos p&b de Thiago Rocha Pitta, escultura com painéis de acrílico de Lucia Koch – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Foi quando a galerista Nara Roesler a convidou para inaugurar, à beira-mar, a versão carioca da renomada galeria, que tem sede em São Paulo. Nomeada diretora da galeria no Rio, abriu o espaço, em Ipanema, em julho de 2014. “É prazeroso e energizante conviver de novo com os artistas. Sinto-me viva”, finaliza. Novo capítulo de uma história sem previsão de ponto final.

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