Por Dudi Machado

Quem já esteve no Zazá Bistrô, restaurante em Ipanema comandado por Zazá Piereck, 47 anos, sabe que a experiência é única. O colorido dos objetos, as frases na parede, as almofadas no chão, a iluminação na medida. Da decoração ao menu – sem falar dos drinks – o mix sui generis que a banqueteira soube imprimir é referência da gastronomia carioca há quase duas décadas. A casa está sempre cheia, seja de cariocas, de gringos ou de qualquer um que esteja atrás de uma vivência multicultural. “As viagens dão o tom no décor, no menu e até na música. Índia, Marrocos e China são alguns dos países para onde fui. Todas viagens longas e carregadas de bagagem. Tanto o restaurante quanto a minha casa são um patchwork dessas culturas”, explica ela. “A diferença é que em casa sou mais minimalista, enquanto no Zazá sou totalmente maximalista”, acrescenta.

Essa colcha de retalhos cheia de referências e o tino natural de Zazá para os negócios são alguns dos segredos desse case de sucesso carioca. Além de tocar o restaurante, carro-chefe de suas empreitadas, Zazá comanda a empresa de catering Zazá em Casa e o buffet infantil Zazá para Filhotes, especializado em comida saudável para crianças.

Animada como a profissão pede, encontrou no marido, o empresário Cello Macedo, o par perfeito. Ele comanda o bar 00, na Gávea, a pizzaria Vezpa e, agora, está a todo vapor na construção de um bar/clube de jazz em parceria com Vik Muniz. O novo empreendimento, que vai ganhar o nome de Casa Camolese, deve ser inaugurado no segundo semestre deste ano, dentro do Jockey Club.

A bela residência da família, entremeada de mata, dentro de um condomínio fechado em São Conrado, corrobora tudo isso – o casal divide com os filhos Francisco, 16 anos, e Flora, 14, o mesmo espírito de celebração. “Aqui é como se fosse um clube. Todo mundo tem esse espírito de receber, tudo está para ser usado”, conta a anfitriã, que, ao menos uma vez por ano, em agosto, oferece um grande almoço dançante para comemorar seu aniversário, que costuma invadir a madrugada, com revezamento de DJ’s.

A casa, que data de 1965 e tem projeto original do arquiteto Zanine Caldas e paisagismo de Burle Marx, tem se provado palco perfeito para todas as recepções. “Quando entramos, foi amor à primeira vista. Até chegamos a olhar outras, mas não tivemos dúvida. Chamamos o arquiteto nova-iorquino Mitchell Tremsky, que fez uma reforma, construiu a sala de vidro, a lareira e abriu a cozinha. O espaço é um verdadeiro work in progress, tudo está em constante mutação. Nesse momento, por exemplo, estamos trocando a estrutura da casa por madeira ecológica”, detalha.

A decoração exala um ar carioca sofisticado, com poltronas Sergio Rodrigues, sofá Joaquim Tenreiro e grafite do coletivo Flesh Beck Crew, do artista Bruno BR, escolhas da própria Zazá, responsável pela assinatura do projeto – iluminado e cheio de vida como a autora.

Privilegiando marcas cariocas, como Andrea Marques, Patrícia Viera e British Colony, também no closet, ela é a melhor tradução do estilo beira-mar sofisticado.