Acontece comigo dependendo da companhia, do filme que assisto, e se eu viajo é tiro e queda. Não tenho a menor dúvida de que aconteça com você também. Estou falando sobre imitar sotaques. Explico. Sabe quando você vai para a Bahia, por exemplo, e lá pelo segundo dia da viagem você e sua turma começam meio que na brincadeira a fazer o sotaque? Não é perfeito, ou melhor pééérfeito, mas fica engraçado, e mesmo que fique ruim, você sempre pode acrescentar um “Ólhe, oxênte…” no final de cada frase que fica tudo certo.

Agora nas férias, é o momento perfeito para esse tipo de maldição, e eu digo maldição porque essa é a típica brincadeira que não tem hora para terminar. Você fica de saco cheio de você mesmo, a sua língua já cansa, seu maxilar dói, até a voz da sua cabeça tem sotaque, mas infelizmente você está fadado a passar dias imitando o tal sotaque, inclusive na sua própria casa, depois de chegar da viagem.

No sul funciona da mesma maneira, você começa tentando um “guri” ou “pra ti” e segue com infinitos “Báh, tchê…” pra manter qualquer conversa. Já o carioquês costuma acompanhar as gírias, “maneiro” e “bolado” e não importa onde você imita, ou pra quem você imita, quando você fala o carioquês, você quer parecer malandro, fato. Você não imita uma mãe com o filho, ou uma criança carioca, você imita o sambixxxta ixxpééérto! Vai entender….

Eu já sofri desse mal pelo mundo todo, sim porque não precisa estar no Brasil, em Portugal é humanamente impossível não pegar o sotaque, e de tanto treinar a pronuncia, no final da viagem você já se acha praticamente um local. Você chama pela Maria e  pelo Manuel descontroladamente, sem conhecer nenhuma Maria ou Manuel, é bem intrigante. Qualquer loja que você entre, você diz pro vendedor como se fosse a pessoa mais descolada do mundo, “Tudo fixe?” e só o que ele pode te responder é “Tudo fixe.” Pois é.

Não posso deixar de citar as novelas da Globo, elas são as grandes culpadas da nossa fase italiana, o que aconteceu com a gente na época de Passione e Terra Nostra? Ficou todo mundo italianado por meses falando “Figurate” e “Schifosa” entre qualquer diálogo. Combinávamos de “almoçare”, com os amigos bebendo “caipirinis”! Foi insuportável.

Mas gente, e o portunhol? Existe praga maior na vida? O problema com o espanhol é que se você não estudou a língua mesmo, você passa por idiota centenas de vezes, aquela coisa do, “Ah, mas é quase igual” pode acabar com você, e mesmo que você saiba uma palavra ou outra, você sempre acaba mandando um,”Abre la RANÉLIA por favor, estoy con calor.” Triste, mas é inevitável.

Já assistiram “la nueva pelicula” de Almodóvar? Como vocês podem notar, eu acabei de assistir, e o lance com os filmes do Almodóvar é a participação do Antonio Banderas, que fala meio sussurrando com a voz bem rouca, tô nessa paranóia há horas. Pra completar, viajo para Punta del Este na semana que vem. “¿Te imaginas el problema que tengo?”

Se com o meu texto influenciei mais alguém, peço “perdón”. Aproveitem las vacaciones!