Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Quantas vezes por dia você para e contempla algo bonito? Pode ser uma planta, uma paisagem natural, um quadro, os animais ou até mesmo o céu. E, se essa ação de parar e olhar belezas fornecer maior capacidade de aprendizagem e absorção de informações, você pararia mais vezes?

De acordo com estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Turim, na Itália, os efeitos da apreciação no cérebro podem facilitar o processo de aprendizagem, isto é, ampliar a capacidade humana de assimilar novos conhecimentos. Batizado de “Parar para conhecer: o senso estético no ciclo de percepção”, em tradução livre, o resumo do estudo está disponível em artigo publicado na revista “Neuroscience and Biobehavioral Reviews”, da Elsevier.

A metodologia do estudo focou na revisão da literatura anterior sobre o assunto, produzida com a perspectiva de diversas disciplinas, como neurociência, filosofia, psicologia e outras. Inclusive, a teoria do belo e do senso de estética é um tema muito aprofundado em cursos de filosofia EAD ou presencial e outros similares.

Os efeitos da beleza como facilitadores de aprendizagem

A análise do estudo italiano sugere que emoções decorrentes da observação de elementos belos e esteticamente agradáveis contam com um papel fundamental na obtenção de novos conhecimentos.

No entanto, a tese sustentada pelo estudo não é inédita. Desde a Grécia Antiga, a filosofia tem se debruçado sobre as relações entre beleza e conhecimento, ou estética e razão, sob diferentes óticas. Embora sejam divergentes em alguns pontos, as diferentes visões sobre o mesmo tema contribuem para reforçar a tese de que a percepção sensorial tem capacidade de afetar o processo de aprendizagem.

A própria filosofia moderna propõe que a apreciação estética, seja da natureza, da arte, de coisas ou de pessoas, é capaz de abrir caminho para o conhecimento, mediante as sensações e os sentidos, ao mesmo passo em que reúne o que é atrativo para a percepção humana para estimular o intelecto.

“Parar” e “contemplar”, por exemplo, são componentes cruciais de muitos tipos de práticas meditativas. Essas práticas propõem a ação de parar as atividades para, simplesmente, observar pensamentos, sentimentos e sensações presentes no momento, bem como sons e outros estímulos sensoriais no ambiente. Em outras palavras, a beleza é uma encorajadora do indivíduo para abraçar o momento presente e assimilar o agora.