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E daí que tirei o começo do mês/ano para resolver pendências chatas que a gente adora enrolar, tipo cadastrar as milhas da viagem do réveillon, mudar o plano do celular, pedir segunda via da conta do cartão de crédito, essas coisas… Fui bem. Não gritei, não chorei, sim, já chorei muito com isso. Alguém já experimentou mudar de casa? Não mudem. Reformem, construam puxadinhos, lajes, mas não troquem de endereço, é um inferno.

Mas eu estava lá digitando o número da agência, conta, senha e quase conseguindo, mas ops, teclei um número errado e começa tudo de novo… Beleza, segui tranquila, pratinho com amêndoas ao lado – eu fico muito nervosa com fome – suco, café – o truque é preparar o cenário – até que finalmente teclei tudo certo e começou a musiquinha medonha da espera. Às vezes tem um cara todo bem humorado dizendo que a sua ligação é muito importante, mas não é sempre. Como estamos em janeiro, “O banco tal te deseja um bom ano!”. A gente fica nessa de “Bom ano!” até quando, hein?

O nome da atendente era Monica, mas já li em algum lugar que elas mudam de nome, quase nenhuma usa o seu nome verdadeiro, safadinhas. Nunca entendi a função do atendimento eletrônico, a Monica me pediu exatamente os mesmo dados que eu havia acabado de digitar, e fora umas 10 perguntas pra ter certeza de que eu sou eu mesma.

São tantas as perguntas que mais um pouco a gente já começa no, “Ah Mô, gosto de dançar, sair com os amigos, sou uma pessoa sociável. Minha cor preferida é verde…” só que o problema é que a Monica não ouve quase nada do que você diz, assim como você não escuta quase nada do que ela pergunta.

Alguém já reparou a zona que é? São milhares de vozes no fundo da ligação, risadas, barulhos estranhos, eu noto que é bem animado, sabe? Eu me tranco no quarto, fecho as janelas, tapo o ouvido e pressiono o telefone bem forte na outra orelha. É tão difícil conseguir ligar e teclar o numero certo para aparecer um ser vivo do outro lado da linha, que quando eu consigo quero aproveitar cada minuto do papo. Mas a Monica estava em outra, talvez ouvindo o papo da mesa ao lado, não sei.

Toda vez que eu ligo para alguma central de atendimento eu fico imaginando o pessoal com os pés na mesa, grupinhos de 3 ou 4 fofocando e rindo alto, salgadinhos passando de mão em mão, aquele lixo transbordando com garrafas de refrigerante e algodões sujos de esmalte vermelho. Certeza que rola um comércio. Pão de mel, brincos, fivela de cabelo, coisas pra criança, “Olha esse macacão jeans, Claudia! Não é uma coisa?”

E sabe quando elas te colocam no mudo com a desculpa do “analisando o seu cadastro”? Tão nada. Imagino a Monica berrando, “Eu quero essa com missanga verde Marli, separa uma pra mim? Já acabou a torta de frango? Ô Juraci, me passa um pedaço!”. A Monica me deixou no mudo umas 5 vezes, “o sistema está lento, senhora”, sei. E foi assim em todos os lugares que eu liguei, eles são felizes, eu consigo notar. Tontos somos nós quando ficamos berrando…

Ah, bom ano pra vocês!