Foto: Dan Root
Foto: Dan Root

Por Ana Pinho

Confiança nunca faltou a Morgan Mitchell. Antes mesmo de conquistar sua vaga na equipe olímpica australiana (após correr 400 metros em 52.2 segundos), ela já tinha presenteado a mãe com passagens para a capital fluminense. Foi orgulhosamente ousada. “Amo vencer,é divertido”, diz, em entrevista à Bazaar, animada com sua primeira participação em Olimpíada.

A velocista de 21 anos vive um momento de ascendência, tanto como atleta quanto ícone de estilo. Morgan impressiona com tempos cada vez melhores, eliminando segundos inteiros a cada corrida e quebrando seus próprios recordes com frequência. Além disso, conquista olhares com sua personalidade magnética, cabelos volumosos e uniformes customizados – ela carrega um infatigável par de tesouras que usa para cortar moletons e regatas. Cropped, aliás, é sua silhueta favorita. “As outras atletas sempre me perguntam de onde são minhas roupas”, conta. “Tento levar estilo para a pista, porque acho que ela precisa, na verdade.”

Foto: Dan Root
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Patrocinada pela Adidas, Morgan tem preferência pela linha original e pelas criações de Stella McCartney para a marca. Também tem uma queda pelas parcerias com artistas, como Rita Ora e Pharrell Williams – e mistura tudo. “Gosto do que é diferente.” Para criar os looks de treino, inspira-se em boxeadores, com suas camisetas velhas e shorts curtos. No dia a dia, segue um estilo mais boho, com direito a fendas, recortes e decotes profundos, que deixam à mostra o abdômen perfeito. Apreferência por cores vivas, como pink e azul-elétrico, destacam seu tom de pele – Morgan entende do assunto.

Uma das inspirações da atleta é justamente sua mãe, que a descreve como “artística e um tanto hippie”.“Ela me diz para vestir e experimentar o que eu quiser. Ouço seu conselho, porque, mesmo aos 60 anos, o que está acontecendo, ela se atualiza”, ri. Filha de um jogador de basquete americano, Morgan gosta de destacar sua aptidão inata para os esportes. Começou a correr cedo, aos 6 anos, e só parou porque quis testar outras modalidades, como natação e ginástica.

Foto: Dan Root
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Mas sentiu falta da corrida e retornou para valer ao atletismo há três anos. Fez sua primeira temporada internacional em 2014, quando se destacou nos Jogos da Commonwealth, espécie de Jogos Panamericanos do Reino Unido.“Fiquei viciada”, relembra.“Soube, então, que me comprometeria 100% com aquilo.” Apaixonou-se também pela atmosfera do atletismo profissional, que envolve uma rotina intensa de treinos, viagens e companheirismo entre atletas. Estar entre os grandes é algo especialmente inspirador.“Minha parte favorita é simplesmente poder me misturar com gente como Usain Bolt.”

Ela também ganhou as manchetes ao se declarar vegana, coisa pouco comum para um esportista profissional. E garante que a mudança, feita há um ano e meio, lhe trouxe mais vitalidade, saúde e bem-estar. Em um dia normal, começa com um smoothie, bananas com maple syrup, pão de centeio com manteiga de amendoim e todos os vegetais e frutas que quiser. O lanche é pudim de chia com tâmaras. O almoço, arroz e hambúrguer de tofu. Para jantar, prefere pizza vegana.

A dieta, aliada a seis idas por semana à academia, fez com que ela perdesse 3 kg e tonificasse ainda mais o corpo, deixando-o poderoso. Tudo para se preparar para a Olimpíada.“O Brasil tem areia, praia, biquínis.Vou poder correr e relaxar, vai ser incrível.” O entusiasmo é contagiante.

Foto: Dan Root
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