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Alexandra Loras: o que significa ser modelo negra no mundo

Ativista escreve pensata sobre as modelos negras no mercado da moda

by redação bazaar
Alexandra Loras - Foto: Reprodução/Instagram/@alexandraloras

Alexandra Loras – Foto: Reprodução/Instagram/@alexandraloras

Por Alexandra Baldeh Loras

A vida das modelos negras nunca foi fácil. Se para as meninas brancas conquistar um espaço no concorrido mercado da moda mundial é preciso trabalhar duro, imagine para as negras. E quando elas fazem sucesso ganham logo um aposto do tipo, “a primeira modelo negra a ser capa da revista x” ou “a primeira negra a abrir o desfile da grife y em Paris”, como se fosse um grande feito, e é mesmo.

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Ellen Rosa na Prada - Foto: Divulgação

Ellen Rosa na Prada – Foto: Divulgação

Elas são exceções em uma indústria dominada pela beleza branca. Muitas vezes despontam primeiro no exterior para depois serem reconhecidas no Brasil. Caso da top do momento, a mineira Ellen Rosa, de apenas 17 anos, que estreou no ano passado nas passarelas internacionais desfilando para Marc Jacobs, Fendi e Prada.

Em minhas pesquisas sobre a presença dos negros na moda brasileira me chamou atenção que até bem pouco tempo atrás a participação deles nos desfiles era tão pequena que, em 2009, uma promotora do Ministério Público causou polêmica ao propor cotas raciais para as passarelas do São Paulo Fashion Week e do extinto Fashion Rio.

Durante dois anos vigorou um acordo entre o MP e a empresa responsável pelos dois eventos de que 10% das modelos de cada desfile precisariam ser necessariamente negras ou de descendência indígena. Caso as marcas não cumprissem o acordo, a empresa pagaria multa de 250 mil reais.

Apartamento 03 - Foto: Divulgação

Apartamento 03 – Foto: Divulgação

Ainda que de forma arbitrária esse acordo ajudou a abrir os olhos da indústria e foi um passo importante para impulsionar o discurso por inclusão e diversidade tão forte atualmente. A última edição do São Paulo Fashion Week foi uma das mais coloridas dos últimos tempos, embora as grifes ainda invistam pouco na diversidade de seus castings. O Luís Cláudio do Apartamento 03, orquestrou um desfile provocador, trazendo a maioria de seus modelos negros.

Ver modelos negras ganhando cada vez mais espaço é um alento. Em 2018, quase todas as revistas femininas brasileiras estamparam negras em suas capas – sem falar que, em 2018, tivemos um aumento de 400 % da presença dessas mulheres nas revistas femininas. Muita gente pode achar algo superficial e que a militância não deveria estar ligada a assuntos aparentemente fúteis. Mas o empoderamento e a auto-estima dos negros estão diretamente associados à sua presença em todas as áreas, seja na moda, na cultura, nos negócios, na política ou na economia.

Fórum diversifique
Alexandra Loras, ex-consulesa da França no Brasil e ativista, promove nesta segunda-feira (26.11) o I Fórum Diversifique, no Teatro Santander, em São Paulo, que reunirá executivos e marcas para discutir e compartilhar conhecimento a respeito da inclusão étnica-racial nas organizações no Brasil.

O poder de consumo da população afrodescendente do País e como as marcas estão ou não conseguindo se comunicar com esse público também é uma das pautas do encontro.

Na ocasião, Andréa Waslander, diretora de desenvolvimento profissional e RH da McKinsey & Company na América Latina, apresentará o painel “A Diversidade é negócio”, com base em uma pesquisa realizada pela organização.

Adriana Carvalho, gerente para Princípios de Empoderamento Econômico da ONU Mulheres, encabeça o painel “O que aprender com as organizações inclusivas no Brasil”. Santander e Sanofi também participarão dos debates apresentando cases de sucesso. Saiba mais no site oficial.

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