Alok: aos 30 anos, DJ prepara álbum com povos indígenas e quer desacelerar rotina
Foto: Henrique Tarricone, com edição de moda de Bruno Uchoa, beleza de Rodrigo Costa, retocador André Kawa, assistentes de fotografia Vitor Tavares, Victor Cazuza e Davi Tarricone, assistente de moda Camila Arruda e assistente de beleza Otávio Gabriel Almeida

O personagem da nova capa digital da Harper’s Bazaar Brasil completa trinta voltas ao Sol nesta quinta-feira (26.08): Alok Achkar Peres Petrillo, popular na boca de todos como Alok, simplesmente. Místico e conectado à natureza e às suas raízes, o DJ e produtor brasileiro celebra mais um ano de vida na expectativa de lançar – nos próximos meses – o primeiro álbum de sua carreira ao lado de líderes indígenas do Brasil.

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Intitulado “O Futuro é Ancestral”, o projeto imersivo de mais de um mês ao lado de doze lideranças ancestrais resultará em um álbum musical e um documentário sem data definida de lançamento. “Estou realizando meu maior sonho musical”, contou à Bazaar sobre o projeto que “foi um chamado depois do Ayahuasca”, segundo ele.

Seus últimos lançamentos não eram previsíveis anos atrás: o dono do estrondoso sucesso “Hear Me Now”, que o alçou para o mundo, agora, une forças com talentos da cena do funk de São Paulo. A lista é longa: MC Hariel, Salvador da Rima, MC Dricka e muitos outros. A proposta, então, foi se jogar no ritmo e apostar em uma pegada consciente, falando de assuntos relevantes como droga e violência.

Alok: aos 30 anos, DJ prepara álbum com povos indígenas e quer desacelerar rotina
Alok usa moletom Ambush (Farfetch), bermuda Balmain (Shopping Cidade Jardim) e chinelo Louboutin – Foto: Henrique Tarricone, com edição de moda de Bruno Uchoa, beleza de Rodrigo Costa, retocador André Kawa, assistentes de fotografia Vitor Tavares, Victor Cazuza e Davi Tarricone, assistente de moda Camila Arruda e assistente de beleza Otávio Gabriel Almeida

“Queria falar com a juventude, quebrar a barreira linguística do inglês e fazer funk, mas que não precisasse falar, de fato, sobre ‘vida bandida’ porque não é meu lugar de fala”, completa o artista, que se tornou pai de Ravi e Raika em um período de apenas 12 meses.

Sendo obrigado a frear sua vida por conta da proibição dos shows, o olhar do músico se voltou à Romana Novais, sua esposa, e sua família, entendendo que a rotina insana de mais de 300 shows anuais não cabe mais em sua vida. “Nunca mais – e sei que ‘nunca’ é uma palavra forte – quero voltar àquela rotina insana que tinha antes. É a escolha do meu estilo de vida”, completa.

Leia na íntegra abaixo o papo com o DJ sobre família, paternidade, lembranças com seus pais, novos rumos musicais e muito mais:

Alok: aos 30 anos, DJ prepara álbum com povos indígenas e quer desacelerar rotina
Alok veste camisa Fendi, calça e tênis Louis Vuitton – Foto: Henrique Tarricone, com edição de moda de Bruno Uchoa, beleza de Rodrigo Costa, retocador André Kawa, assistentes de fotografia Vitor Tavares, Victor Cazuza e Davi Tarricone, assistente de moda Camila Arruda e assistente de beleza Otávio Gabriel Almeida

Harper’s Bazaar Brasil – Nos últimos meses, você fez algumas colaborações com funkeiros e MC’s de São Paulo. O que te chama a atenção para colaborar com essa galera?

Alok – Acho que, principalmente, o acesso que eles têm ao público mais jovem. Tudo começou um dia em que estava pesquisando sobre música e buscava acessar o público brasileiro de um jeito mais direto porque muitas das minhas músicas tem uma pegada mais internacional por serem em inglês. Foi aí, que liguei para a galera da GR6 [produtora de funk] e propuseram um time de peso. Veio o MC Hariel, o MC Ryan SP, o Salvador da Rima, o Mc Davi e o DJ W. Já queria fazer um som sobre conscientização sobre drogas e o Mc Hariel, um cara muito talentoso, veio com uma letra pronta sobre uma situação que o pai dele tinha passado. Era uma letra que estava parada e [ele] não ia fazer nada com aquilo. Depois ainda lancei outra música com o DJ GBR e o Mc Don Juan e bombou pelo TikTok. Queria falar com a juventude, quebrar a barreira linguística do inglês e fazer um funk, mas que não precisasse falar, de fato, sobre “vida bandida” porque não é meu lugar de fala.

Alok: aos 30 anos, DJ prepara álbum com povos indígenas e quer desacelerar rotina
Look total Dolce & Gabbana – Foto: Henrique Tarricone, com edição de moda de Bruno Uchoa, beleza de Rodrigo Costa, retocador André Kawa, assistentes de fotografia Vitor Tavares, Victor Cazuza e Davi Tarricone, assistente de moda Camila Arruda e assistente de beleza Otávio Gabriel Almeida

E você prepara mais lançamentos de funk?

Estou produzindo outra com DJ GBR, Don Juan, Pedrinho e o 900 e também estamos trabalhando em uma música que fala sobre violência contra as mulheres com MC Davi, MC Dricka, Leozinho ZS, Marks e Hariel que se chama “180”. Eles são muito talentosos e não é à toa o sucesso gigante que todos têm.

Falando de músicas em inglês agora, uma de suas últimas colaborações foi com o cantor John Legend. Depois de colaborar com tanta gente, quais são os feats que você tem muita vontade de fazer que ainda não aconteceram?

Estou realizando meu maior sonho musical. Gravei um álbum com os povos originários do Brasil: os indígenas. Eles fazem música visando a cura, enquanto eu fazia música visando dar certo nos charts. Este ano, depois de um chamado que tive depois do Ayahuasca, fiz um processo imersivo de um mês em um estúdio no meio das montanhas e levei comigo 12 povos diferentes do Brasil, tanto da Amazônia, quanto do Nordeste, do Mato Grosso, de Brasília, do Sul. É o primeiro álbum da minha vida. Nunca fiz um álbum porque nunca tive a fonte de inspiração para tal.

Alok: aos 30 anos, DJ prepara álbum com povos indígenas e quer desacelerar rotina
Alok veste camisa Gucci e blazer Balmain (Shopping Cidade Jardim) – Foto: Henrique Tarricone, com edição de moda de Bruno Uchoa, beleza de Rodrigo Costa, retocador André Kawa, assistentes de fotografia Vitor Tavares, Victor Cazuza e Davi Tarricone, assistente de moda Camila Arruda e assistente de beleza Otávio Gabriel Almeida

E pode falar um pouco mais desse álbum? Nome, data de lançamento?

Só vou conseguir lançar ele ano que vem ou no fim deste ano porque gravei junto um documentário. A produtora está finalizando o produto. Vamos esperar para lançar tudo junto. O álbum e o documentário vão chamar “O Futuro é Ancestral”.

Show demais! Voltando a falar sobre fora do Brasil, vemos os Estados Unidos e a Europa voltando aos poucos à normalidade da vida com o avanço da vacinação. Agora, com os nossos percentuais de vacinados crescendo, quais são seus planos para essa retomada?

Tenho uma turnê marcada na Europa nos próximos meses. Alguns festivais estão em alerta por conta da variante Delta. Cancelei uma turnê nos Estados Unidos no início da pandemia e foi a melhor coisa que fiz, senão ficaria preso fora de casa e longe da minha família e dos meus filhos. Temos uma turnê fechada em dezembro pelo Brasil, na época do Réveillon, mas em festas de pequeno porte.

Alok: aos 30 anos, DJ prepara álbum com povos indígenas e quer desacelerar rotina
Alok usa camisa Ermenegildo Zegna, calça Gucci e sapato Louis Vuitton – Foto: Henrique Tarricone, com edição de moda de Bruno Uchoa, beleza de Rodrigo Costa, retocador André Kawa, assistentes de fotografia Vitor Tavares, Victor Cazuza e Davi Tarricone, assistente de moda Camila Arruda e assistente de beleza Otávio Gabriel Almeida

Falando de Brasil e mundo, o que te prende aqui, sendo que você poderia morar em qualquer canto do planeta?

Acho que, principalmente, pela Romana e pelas crianças. Ela está abrindo a clínica dela aqui no Brasil. Não posso fazer com que só ela siga meu sonho. Ela tem os sonhos dela e preciso estar presente e apoiar. Bilhões de problemas que temos [no País], mas é minha paixão. Gosto muito do Brasil, do nosso País.

Falando de família, a gente está em agosto, o mês dos pais. Qual sua principal memória com Seu Juarez, seu pai?

São várias memórias…[pensativo] São muitas. Acho que, no fundo, sou muito uma continuação da história deles. Tanto do meu pai, quanto da minha mãe, porque eles são pioneiros da cena psy trance no Brasil. É uma memória muito presente porque vejo eles em tudo que faço. Estão dentro, acompanhando, dando os inputs e insides. Me inspiram muito em todos os caminhos.

Alok: aos 30 anos, DJ prepara álbum com povos indígenas e quer desacelerar rotina
Look total Louis Vuitton – Foto: Henrique Tarricone, com edição de moda de Bruno Uchoa, beleza de Rodrigo Costa, retocador André Kawa, assistentes de fotografia Vitor Tavares, Victor Cazuza e Davi Tarricone, assistente de moda Camila Arruda e assistente de beleza Otávio Gabriel Almeida

E, agora com dois filhos, qual foi a principal dificuldade que você notou ao se tornar o “Alok Pai”?

Além da vida passar a ser cada dia mais interessante porque estou acompanhando o crescimento diário deles, o principal ponto é a entrega paterna. É uma entrega exaustiva, mas nada comparado a entrega materna. É outro nível e sempre fico impressionado com o desempenho da Romana em relação a maternidade.

E como tem sido a rotina com os dois filhos pequenos?

É tudo muito pautado neles. Por mais que a gente tenha nossos planos, eles estão em tudo. Faço questão de ter todas as minhas manhãs com eles, mesmo em reunião direto. Viajamos para o meu projeto imersivo com eles e é uma estrutura enorme. Este é o novo normal. É uma loucura gostosa.

Alok: aos 30 anos, DJ prepara álbum com povos indígenas e quer desacelerar rotina
Blazer Balmain (Shopping Cidade Jardim) – Foto: Henrique Tarricone, com edição de moda de Bruno Uchoa, beleza de Rodrigo Costa, retocador André Kawa, assistentes de fotografia Vitor Tavares, Victor Cazuza e Davi Tarricone, assistente de moda Camila Arruda e assistente de beleza Otávio Gabriel Almeida

E o que você faz hoje em dia, que está na sua rotina, que você nem imaginava fazer antes de ser pai?

Por incrível que pareça, estou vivendo um estado emocional muito melhor: com equilíbrio e tranquilidade, tanto física, quanto emocional e espiritual. Estava vivendo uma rotina muito intensa antes da parada dos shows. Cheguei a fazer quase 300 shows no ano. Fazia quatro shows em uma noite. Chegou um momento em que estava em colapso, não aguentando mais. Nunca mais – e sei que “nunca” é uma palavra forte – quero voltar àquela rotina insana que tinha antes. É a escolha do estilo de vida: escolhi ter um estilo de vida mais equilibrado. Já cheguei a me sentir culpado por ter esse sentimento contrário a essa rotina intensa. Me peguei pensando se eu era ingrato? Mas não era ingratidão, era realmente sobrecarga. A pandemia me ajudou a reavaliar meu estilo de vida. Quero passar a ter um diferente agora.