Aluna modelo: Ana Claudia Michels agora é medica

A top revela à Bazaar os meandros da sua nova guinada profissional

by elav
Ana Claudia Michelsna sala de seu apartamento, em São Paulo - Foto:Tinko Czetwertynski/ Harper's Bazaar

Ana Claudia Michels na sala de seu apartamento, em São Paulo – Foto:Tinko Czetwertynski/ Harper’s Bazaar

Minha vida virou de ponta-cabeça desde que comecei a faculdade de medicina, no começo do ano. Nunca fui de rotina, mas, agora, aos 31 anos, estou tendo de me adaptar a uma vida de horário certo para tudo. É um sonho que está se realizando, mas acordar às 6h todos os dias não era algo que estava bem nos meus planos.

Modelos amadurecem rápido, e o fato de ter trabalhado desde os 14 anos me faz ver as coisas com mais seriedade e me dá força para continuar. Ando estressada, porque não tenho tempo para nada, nem para mim. Antes, passava cremes no corpo, hoje não tenho nem como ir para a academia, pois saio da faculdade às 20h. Quando chega sexta-feira, estou só o pó. Augusto, meu namorado, está tendo de se adaptar à minha nova rotina. Ficar junto, só no fim de semana, e olhe lá. Mas ele sabe o quanto lutei por isso, fazendo cursinho, negando trabalhos para poder estudar.

Voltando aos estudos, fiquei maravilhada com muita coisa a que não dava valor nos tempos da escola. Literatura, história. Quando estudo, penso que já fui para tantos lugares no mundo, mas conhecendo tão pouco da história desses lugares. Percebi que as matérias do segundo grau são maçantes para os estudantes, porque eles não viveram o suficiente ainda.

Por incrível que pareça, meu maior desafio atualmente é saber o que comer no lanche da tarde. Estou me jogando no pão de queijo, por que não há muitas opções de comida na cantina e não tem geladeira para guardar a de casa. Pode parecer bobo, mas, para quem sempre trabalhou com a imagem, é uma mudança e tanto perder o controle sobre o que comer. Sempre tive 100% de noção sobre meu corpo, entende?

Mas tudo tem um preço e percebo que meu futuro depende mais de mim do que nunca. Modelo não tem garantia de nada, não sabe qual o trabalho da próxima semana. Já um estudante tem total controle sobre seus resultados e, às vezes, dá medo quando vejo a quantidade de matérias que tenho de estudar.

Sou fã de embriologia, acho fascinante entender como somos formados. Lia tudo sobre isso antes da faculdade, e me aprofundar no assunto tem sido ótimo. Meu maior problema é Anatomia. As palavras não fazem nenhum sentido: tróclea, poplítea…

É engraçado olhar minha turma. São todos muito novos e cheios de energia. A diferença de idade pesa na hora dos trabalhos em grupo. Costumo ser a chata, que tem hora pra chegar e sair. Não estou na faculdade para curtir o ambiente, né? Pelo fato de ser modelo, vejo que houve certa resistência dos colegas em me aceitar. Uma professora, no dia em que foi devolver as provas, falou: “Nunca mais vou dizer que modelo não estuda”. Ela foi até delicada, porque, provavelmente, queria era dizer “que modelo é burra” mesmo. Mas, olha, gosto de tirar nota boa e sou super CDF.

Pela primeira vez comprei uma agenda, para dividir meus horários. Descobri que separar a vida em horas faz a gente aproveitar melhor os momentos livres ao lado das pessoas que amamos. Sinto muita falta de trabalhar. Assim que entrei de férias, me chamaram para uma campanha de lingerie, que tive de negar por não estar segura do meu corpo. As agências que me representam no exterior já estão avisadas de que, pelo menos por enquanto, não estou disponível para nada.

Por dentro, fico arrasada, porque nunca fui de dizer “não” para trabalho. Todos os dias, quando acordo, me pergunto se quero isso realmente para minha vida. Fico animada quando penso que lidar bem com essa nova fase – nem de longe normal para mim – é uma questão de costume. Vivo um dia por vez.