Selfie em um tweed Chanel – Foto: Amanda Sanchez

Por Lucy Halfhead

“Eu amo morar no centro de Paris porque ele é normalmente tão cheio de vida e eu posso andar facilmente para qualquer lugar”, disse Amanda Sanchez, modelo de provas e desfiles da Chanel há quase 20 anos, quando nos falamos, no quadragésimo quinto dia de lockdown na capital francesa.

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Durante a quarentena, Amanda tem compartilhado com seus 40 mil seguidores no Instagram um vislumbre diário de seu apartamento cheio de personalidade no Marais, muitas vezes com participações especiais de seu adorável gato Hazuki e de seu filho Louis, de 13 anos, que vive com ela a cada duas semanas, quando não está com o pai.

Cenas com o filho Louis – Foto: Amanda Sanchez

É o simples ato de se vestir todas as manhãs que a ajuda a se manter positiva. “Eu acordo, me arrumo e incentivo meu filho a fazer o mesmo. Ele estava naquela de “por que não posso ficar de pijama? Eu não vou sair de casa.” E eu disse: ‘Mas sou eu quem vai ver você o tempo todo!’”

Trajetória

A modelo em seu “casulo”- Foto: Amanda Sanchez

Nascida e criada em São Paulo, Amanda passou a adolescência vestindo camisetas soltas e jeans largos para esconder seu corpo. “Sofri bullying na escola por ser muito alta e magra”, lembra ela. “Acho que muitas modelos vivenciam isso na infância.” Aos 16 anos, deixou o Brasil para estudar e morar com uma tia em Barcelona. Nessa época, foi agenciada por um amigo da família e começou a modelar durante os finais de semana e as férias escolares.

Depois de alguns anos, Amanda voltou para casa, assinou contrato com uma agência e logo estava viajando pelo mundo a trabalho, do Japão a Nova York, Alemanha, Sidney, Milão e, finalmente, Paris, em 2001. “Não foi amor à primeira vista”, diz ela. “Cheguei em novembro, estava muito frio e não falava a língua. Em comparação com Nova York, onde todos são imediatamente amigáveis, achei os franceses muito indelicados. Mas agora sei que quando você os conhece, suas amizades são bem mais verdadeiras”.

Vista de Amanda no Marais – Foto: Amanda Sanchez

Há apenas um mês em Paris, Amanda foi chamada para um casting na Chanel, que estava à procura de uma modelo para ajudar a ajustar sua última coleção de alta-costura. “Era para ser apenas uma temporada, mas eles me pediram para fazer outra e depois outra…” Agora, duas décadas depois, ela tem uma relação única com a maison e sua diretora artística Virginie Viard.

“Quando cheguei a Chanel, Virginie foi a primeira pessoa que conheci”, diz ela. “Tenho uma enorme admiração por ela – é uma mulher muito forte e há algo de bonito na equipe e em como ela trabalha com todos.” Amanda também desenvolveu um vínculo estreito com seu chefe por 18 anos, o falecido Karl Lagerfeld: “Trabalhar com Karl foi um sonho. Ele era uma pessoa muito gentil e uma fonte de inspiração todos os dias.”

Amanda com sua jaqueta favorita da Chanel – Foto: Amanda Sanchez

Para as pessoas que não sabem o que uma modelo de provas faz, Amanda tem esta resposta: “Eu apenas digo que eu tenho um trabalho normal em um mundo mágico.” Trabalhando dias inteiros, de segunda a sexta-feira, ela é a tela para as oito coleções anuais da Chanel, com sua estrutura corporal e medidas perfeitas usadas para desenhar cada peça. “Eu estou lá desde os primeiros pontos nos ateliês até o retoque final no estúdio antes do desfile”, explica ela.

“Eu realmente aprendi muito – na maioria das vezes, nem mesmo experimento roupas em outras lojas, porque posso ver imediatamente se elas serviriam em mim ou não”. Sem surpresa, Chanel compõe a maior parte do guarda-roupa da modelo – camisetas, blusas, bolsas, jaquetas – geralmente usados com jeans Levi’s e um par de tênis Vans. “Como a própria [Coco] Chanel, acho que estar confortável é essencial e ajuda você a se sentir confiante e bonita”, diz ela. “Se uma mulher está desconfortável com sua roupa, você nota claramente.”

Em casa

Foto: Amanda Sanchez

Sentir-se confortável em casa também é uma prioridade para Amanda, mais ainda nos últimos tempos. “Nos primeiros dias de lockdown, fiquei louca, queria limpar tudo”, diz ela. “Até montei alguns móveis novos e tive tempo de cuidar de cada detalhe para que meu espaço realmente se tornasse meu casulo.”

Ela se mudou para seu apartamento há dois anos, depois de ser inicialmente atraída pelas vigas de madeira escura que cruzam o teto da sala, e começou a compor um espaço repleto de plantas, velas Cire Trudon e louças de porcelana da Astier de Villatte. Cada um de seus objetos de arte, ela explica, tem “um significado especial ou um pouco de história”: há uma pintura de seu olho feita por um artista francês que costumava atuar nos desfiles da Chanel; uma peculiar lâmpada em forma de baguete pregada na parede veio do artista japonês Yukiko Morita, que transforma pão de verdade em luminária.

Um sofá é da Bo Concept, enquanto o outro – “aquele que o gato ainda não destruiu” – é da Made. “Normalmente não compro móveis de design”, diz ela. “Eu vejo as peças e escolho aquelas que se encaixam perfeitamente no meu mundo”. No fim das contas, para Amanda, assim como para o seu empregador, tudo é uma questão de encontrar o match perfeito…