Ana Carolina Soares – Acervo pessoal

Escrevo este texto na terça, 16 de março de 2021, dia em que completo 47 anos, quase meio século de vida. Para muitos, a idade pode soar como um peso, afinal, vivemos em uma sociedade que ainda parece endeusar os vinte e poucos anos. Mas sinto que – ainda bem – isso está mudando e cada vez mais, valorizamos o natural, as diferenças. Prova disso, os textos maravilhosos da equipe da Harper’s Bazaar Brasil 🙂

Não acredito em coincidências. Ontem, meu parceiro me apresentou uma obra: “Reich, Osho e Tantra – a jornada da energia humana desde suas raízes animais ao seu florescimento espiritual”. Como a maioria dos homens, ele economiza palavras e também ao demonstrar empolgação. Então, no meu “Carol Tradutor”, interpretei a frase que me disse “esse livro é bem interessante, você vai gostar”, como “Uau! É incrível, imperdível, precisa ler agora!”

Acertei 😉 Devorei as páginas escritas por Aneesha L. Dillon, psicóloga e terapeuta tântrica que há cerca de quatro décadas criou o método Pulsation. A técnica desperta a energia vital com a pulsação da respiração, com técnicas mixadas do cientista (e discípulo de Freud) Wilhem Reich e do guru espiritual Osho.

É bem profundo e, ao mesmo tempo, fácil de ler. Um dos trechos me emocionou:

“Quando nossa energia está pulsando e fluindo dentro de nós, com o mesmo ritmo do universo que nos rodeia, imediatamente sentimo-nos em casa, em nós mesmos, em sintonia com a natureza, sendo um com a existência.

Estou feliz e grata pela experiência de estarmos vivos.”

Aneesha traduziu o meu sentimento, especialmente, neste dia: nunca estive tão bem, nunca me senti tão grata! O livro mergulha fundo em técnicas mais íntimas e recomendo bastante sua leitura. Não importa seu momento: vale para quem estiver em boa companhia e também, curtindo uma solitude. Por ora, para celebrar esta data com você, vou compartilhar aqui algumas dicas práticas escritas pela terapeuta, para ajudar este despertar.

– O Tantra requer uma atmosfera que convida as pessoas a relaxar, confiar e entender que elas estão em um lugar seguro, onde processos sensíveis como vulnerabilidade, abertura e compartilhamento podem ocorrer, pois serão respeitosamente recebidos.

– Normalmente, o nosso dia a dia não oferece tais espaços. Para ser clara, há momentos de relaxamento, momentos calorosos e amorosos, mas, ao mesmo tempo, há uma abundância de árduos conflitos e surpresas desagradáveis.

– A orientação tântrica é apreciar e explorar a energia sexual, adotando uma atitude aventureira. Por esse motivo, encaminho as pessoas com histórico de abuso a outros processos terapêuticos, antes de recomendar o Tantra.

– A palavra “Tantra” desencadeia todos os tipos de ideias sobre sexo. Assim como as pessoas são atraídas para explorar sua energia sexual, elas também têm medo. Há muitas camadas de condicionamento absorvido dos ambientes cultural e social circundantes – de pais, professores, sacerdotes, mídia, grupos de amigos – assim, frequentemente, as pessoas sentem-se envergonhadas em relação ao assunto.

– Na nossa cultura, as questões sexuais tornaram-se encobertas, implicando consequências graves e pesadas, como o casamento, a gravidez, os filhos e o estabelecimento de casas. (Em um workshop de tantra) Estamos reunidos para desfrutar a energia sexual com simplicidade, divertimento natural e, acima de tudo, como amizade.

– (Após começar o workshop com uma dança, a facilitadora pede para a turma ficar em silêncio, por um momento, sentindo os pés no chão, as pernas apoiando o corpo) É hora de levar a energia um pouco mais profundamente, fazendo a conexão macho-fêmea mais íntima. Desse modo, a minha abordagem é uma progressão passo a passo. (…) Convido as pessoas a abrirem os olhos, caminhar pela sala e fazer contato visual com os outros participantes.

Um dos primeiros exercícios do workshop de Tantra é o Balanço Pélvico. Esta prática do balanço pélvico busca fazer com que a energia de base, a energia sexual, suba pela coluna vertebral. Ajoelhado sobre uma almofada você irá fazer o seguinte movimento. Inspire profundamente e faça a anteversão da pelve (leve o quadril para trás) e exale completamente fazendo uma retroversão (leve o quadril para frente). Busque achar um ritmo e vá bombeando a energia da pelve para a sua coluna.

Estamos interessados em explorar as camadas sutis de energia, qualidades sutis de sentimento, por isso, peço às pessoas não fazerem amor durante os próximos cinco dias, a fim de suspender padrões de hábitos antigos, velhos jogos sexuais, e estarem abertos a novos níveis de experiência.

Com isso resolvido, convido homens e mulheres a se emparelharem para uma sessão de massagem – uma maneira fácil de familiarizar-se com o dar e receber. Qualquer estrutura que envolva a dinâmica masculino-feminino vai estimular a polaridade da atração, e isso eu incentivo de uma forma amigável, com algum toque delicado.

Eu os guio em uma massagem nas costas de seu parceiro, que é uma das partes menos ameaçadora do corpo. A principal ênfase é para soltar e relaxar os músculos de cada lado da coluna vertebral, mantendo a massagem leve e não intrusiva.

Enfatizo a qualidade do “não fazer” durante o toque, porque muitas pessoas, quando solicitadas a dar uma massagem, imediatamente se colocam ocupadas, trabalhando duro, cavando os músculos, ficando quase desligadas de sua respiração por causa do esforço.

Quando isso ocorre, a pessoa que está dando a massagem desconecta-se da própria energia, porque ela está muito envolvida em ideias sobre “como fazer isso” ou como agradar meu parceiro” – também um padrão comum quando se faz amor. E quando o doador não está conectado com a própria energia, não há nenhuma chance de ligar-se com a energia do parceiro que a recebe, então, lembro-os que não se trata de “fazer”, mas de estar juntos em um espaço de relaxamento.

É isso, pessoal!

E Viva a Vida!

Com amor,

@anacarolcsoares Jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw.