Foto: Reprodução/Instagram/@daniel_tantralotus

Por Ana Carolina Soares

Nesta semana, os cabalistas celebraram o Dia do Amor, o chamado Tu B’Av. A data ocorre por causa do encontro do Sol, astro que rege o signo de Leão (estamos nele), com a Lua Cheia desse período. Representa o casamento do masculino com o feminino. Mas olha, não se trata aqui de uma “ode à heterossexualidade”, nada a ver com orientação de gênero nem preferências sexuais, machismo religioso ou discursos assim… Tu B’Av comemora a união e o equilíbrio entre forças opostas e complementares. Sabe o símbolo taoísta do yin-yang? Pois é, o encaixe perfeito.

Ok, o fenômeno aconteceu na noite desta terça (o4.08) para quarta (05.08), mas podemos sentir a energia do encontro do masculino com o feminino ainda. Quer dizer, a gente pode alcançar essa conexão sempre, em qualquer momento do ano, se estivermos dispostos, claro.

Alguns casais reclamam que o tesão se dilui com os anos de convivência. Se a gente tratasse o sexo como algo natural, tivesse uma educação sexual, isso não ocorreria. Esse desencontro ocorre porque nós, mulheres, aprendemos o sexo em paixões platônicas, romances adocicados, filmes porno-soft (toda geração teve seu “9 ½ Semanas de Amor” ou “Cinquenta Tons de Cinza”)… Tudo insinuado, velado. Ao contrário dos homens. Muitas vezes ainda na infância, eles são apresentados ao hardcore, geralmente estrelado por um macho alfa ao estilo de Rocco Siffredi que confunde seu pênis com uma arma e sai atirando para todos os lados, martelando o membro não em pessoas, mas em orifícios escancarados e depilados.

Se sexo é tapa na cara, puxões de cabelo até revirar os olhos e lacrimejar, como fazer isso com a pessoa que se ama? Mesmo quem encontra um par disposto (entre quatro paredes, com permissão de todos, vale tudo), como manter essa alta performance por anos e anos? Impossível, claro! Acho que por isso ocorre tanta traição: encarar o desejo sexual como um segredo perverso, algo impossível de compartilhar com alguém que se ama.

Com o tantra, descobri que o verdadeiro erotismo está na sutileza, no toque, no encontro, na convivência e, principalmente, no olho no olho. Curtir cada parte do corpo do outro, tocar e ser tocada dos dedos dos pés ao mais alto fio de cabelo, no timming em que os dois quiserem. Afinal, vamos falar a verdade? Nem sempre dá pra passar a noite inteira transando à luz de velas, numa cama cheia de pétalas de rosas e aromas de sândalo pelo quarto. Aliás, superprodução é algo raríssimo, ainda mais nesse nosso cotidiano muitas vezes “desanimador” de quarentena, home office, home schooling, home chatices…

Mas descobri que o verdadeiro prazer pode ser simples e despretensioso. Ao mesmo tempo, profundamente íntimo. Conexão de verdade, sem depender de performances ou lingerie especial.

Foto: Reprodução/Instagram/@daniel_tantralotus

O tantra tem um exercício muito lindo para ajudar nesse processo. Funciona assim:

• Primeiro, sente-se na frente do seu par e olhe bem olho no olho. Podem estar nus ou vestidos, no chão ou na cama… Não importa. O importante: marquem no relógio aproximadamente dez minutos. Sim, 10 minutos sem falar nada, sem desviar olhar, sem dar risada, só olhando nos olhos, não menos do que isso.

Olha, a primeira vez que fiz esse exercício, tive muita dificuldade. Aliás, já aviso que a maioria sente o mesmo. No início, a gente fica tentando seduzir, depois sofre um ataque de riso, desvia olhar, mas já no terceiro minuto, as máscaras começam a cair. Tem gente que simplesmente não aguenta e interrompe o exercício. Aliás, soube de casais que se separaram ao perceber ali a total falta de conexão. Mas não é por isso que você vai ficar com medo, certo? Um problema só pode alcançar a solução se for detectado. Então, melhor encarar @ parceir@.

• Foi bom pra vocês esses dez minutos se olhando? Então prossigam para a segunda fase, mais dez minutos se olhando e, agora, respirando juntos. Logo nos últimos minutos da fase anterior, isso naturalmente já vai ocorrer: enquanto você expira, o outro inspira o seu ar. E vice-versa.

• Curtiram? Podem então passar para a terceira fase, o toque do coração: olhando nos olhos e com a respiração coordenada, vocês vão se conectar pelas mãos. Com a sua mão direita, toque o centro do peito d@ parceir@ e vice-versa. A mão esquerda ficará por cima da mão d@ parceir@. Ah, sim, a essa altura, é bom que estejam nus. Fiquem ali o tempo de uma música, ou aproximadamente cinco minutos.

• A essa altura, estarão conectados e só assim poderão passar para fase dos movimentos. Para promover essa sincronia sutil, também de frente um para o outro, respirando juntos, coloque a sua mão direita por cima da mão esquerda del@ e vice-versa, como demonstra o vídeo abaixo (no minuto 2).

• Então, o grande final: o giro tântrico. O homem (ou, yang, no caso, quem estiver sentindo a energia masculina no casal) estará sentado com pernas cruzadas. A mulher (ou yin, a energia feminina) vai se encaixar sentando em cima dele, de frente, cruzando as pernas na altura do bumbum dele e abraçando.

(Para ilustrar melhor, veja a imagem abaixo):

Posição para o giro tântrico- Foto: Reprodução/Instagram/@daniel_tantralotus

Vocês podem ou não penetrar no primeiro encaixe. Mas fiquem ali meia hora respirando juntos (vale uns beijos de vez em quando, mas foquem na respiração) e, lentamente, girando os dois corpos encaixados em um movimento no sentido horário.

Olha, já aviso que nessa hora vocês ficarão, digamos assim, “bem animados”, loucos para “queimar etapas”, mas vá por mim: vale a pena ficar esse tempo no giro.

O que ocorre depois é mágico, vale a pena tentar.

Com amor,

@anacarolcsoares Jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw 🙂