Ana Carolina Soares -  BDSM: Dor ou Remédio?
Cena do filme “50 Tons de Liberdade” – Foto: Divulgação

Por Ana Carolina Soares

Semana passada, li uma notícia em um site de psicologia sobre um estudo publicado no The Journal os Sex Research, realizado por cientistas norueguesas. A manchete já dava o diagnóstico: “Adeptos do BDSM têm mais satisfação sexual do que não praticantes”.

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Eu, uma não praticante, confesso que fiquei surpresa e, consequentemente, curiosa. Preciso dizer aqui que, pessoalmente, não curto nada que se aproxime de um tapa – nem no sexo nem em lugar nenhum -, mas respeito adeptos do BDSM, sei que há uma série de regras éticas e tudo o que é consentido tá valendo. 😉

Bem, a história já começava com uma das conclusões de uma das responsáveis pelo estudo. “Descobrimos que os participantes que tinham comportamentos de BDSM relataram maior satisfação sexual. Enquanto aqueles que queriam tentar encenar e não o fizeram descobriram que têm menor intimidade no relacionamento e satisfação sexual”, disse Jenna Marie Strizzi, professora assistente do Departamento de Saúde Pública na Universidade de Copenhagen. Pena que não divulgaram o quanto esse número é maior…

O estudo teve mais de quatro mil participantes (todos da Noruega), selecionados a partir de uma pesquisa anterior, com 46 mil pessoas.

“A atração e o comportamento de BDSM são comuns, com um em cada três participantes expressando interesse ou tendo tentado o BDSM ou o desempenho de papéis. Também descobrimos que a atração e o comportamento de BDSM eram mais comuns na população mais jovem,” continuou Strizzi.

Na verdade, a sigla BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) resume uma gama de conceitos e práticas centrados em uma troca de poder dentro do contexto de intimidade sexual. Ou seja, nessa brincadeira, nem sempre precisa de tapa, chicote e afins… Outras atividades em BDSM podem incluir voyeurismo controlado, exibicionismo e interpretação de papéis.

Segundo pesquisadores, os benefícios do BDSM vai além de apimentar o sexo: pode também estreitar relacionamento e aproximar pessoas, uma vez que a prática requer necessariamente confiança. Aqui vai alguns benefícios da prática:

Reduz estresse

Pesquisa da Northern Illinois University comprovou que o envolvimento em práticas de BDSM pode desencadear efeitos biológicos que, quem diria, até se aproximam de uma meditação zen ou de qualquer exercício físico. Pesquisadores coletaram amostras de saliva de participantes submissos e dominantes durante cenas sadomasoquistas. Os dominantes mostraram uma diminuição do nível de cortisol (o fatídico hormônio do estresse) após o término da sessão (não falaram sobre os submissos, mas enfim…). Cortisol controlado protege de uma ampla gama de doenças de saúde, incluindo hipertensão, imunidade suprimida e resistência à insulina.

Melhora a comunicação

“Praticantes de BDSM experientes geralmente exibem altos níveis de educação sexual e habilidades de comunicação. As pessoas planejam ‘cenas’ usando muitas formas de precauções de segurança que envolvem um forte senso de assertividade e negociação, bem como vulnerabilidade”, explica Lisa Hochberger, terapeuta sexual. Comunicação é a base de um relacionamento bem-sucedido, certo?

“É importante saber que sexo é brincadeira e não há problema em ser submisso ou poderoso de forma consensual. Além disso, é importante notar que os papéis sexuais não são equivalentes à dinâmica do relacionamento emocional, nem equivalem aos papéis de poder do relacionamento fora do jogo sexual”, completa Lisa.

Melhora a confiança

Também uma consequência da boa comunicação, vem a confiança. “Todas as boas jornadas de BDSM começam com uma conversa honesta sobre o que ambas as pessoas estão interessadas em explorar. Por exemplo, sobre o que eles fantasiam? Eles estão secretamente mais excitados por serem totalmente submissos ou por terem controle total? A partir daí, eles podem começar a mapear cenários que se enquadrem nesses parâmetros. Além disso, a maioria das pessoas cria ‘palavras seguras’ para ajudá-los a navegar nas bordas desses limites sem ultrapassar”, ensina Kim Anami, terapeuta sexual.

Melhora a saúde mental

A International Society for Sexual Medicine conduziu um estudo para medir especificamente o bem-estar mental das pessoas que curtem BDSM. Não apenas os pesquisadores descobriram que os praticantes de BDSM não eram “psicologicamente danificados”, como muita gente acredita, mas estavam realmente mais bem ajustados em comparação a um grupo de não praticantes de BDSM. Na conclusão dos médicos, os participantes se mostraram mais seguros, empáticos, mais abertos, menos ansiosos e mais sensíveis.

É isso. Se você está afim de explorar o BDSM, vale a pena ter uma discussão franca e aberta com seu par 😉

@anacarolcsoares é jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw.