Vesper – o pingente que serve também como estimulador de clitóris – Foto: Divulgação

Por Ana Carolina Soares

Dia desses, Carol Hungria, diretora de conteúdo digital aqui da Bazaar me mandou um email inacreditável: um texto sobre o lançamento de um vibrador em formato de sorvete de casquinha. E rosa. Rimos juntas (nesses tempos malucos, virtualmente), e, desde então, fiquei com vontade de dedicar um texto inteiro aos vibradores.

Confesso que até bem pouco tempo eu tinha preconceito contra os “brinquedinhos”. Para a Carol pré-tantra, vibrador era algo para mulheres “mal-amadas” (oi?!), como se o prazer pleno feminino estivesse necessariamente vinculado a um pênis. Masturbação me despertava um sentimento de solidão, acredita? Gente, que bobagem…

Até que, em 2017, em minha primeira massagem tântrica, fui apresentada ao bullet, uma maravilha em formato de bala de revólver que mira certeiramente o clitóris. Foi paixão ao primeiro “on”… Gente, mas que delícia!!!

Aí larguei preconceitos: entendi que a mulher precisa dominar os caminhos de seu prazer e a masturbação se trata da única via possível para tal conquista. E se a tecnologia pode nos ajudar, por que não? Só não lamentei o tempo perdido porque, como ensina meu professor de ioga, acredito que “o presente é nossa única realidade, uma vez que não podemos viver o ontem nem o amanhã”.

Claro que, como tudo na vida, os aparelhinhos precisam ser utilizados com cautela, nem todo dia nem em toda relação. Segundo Paula Fernanda, instrutora de tantra que até já deu entrevista para esta coluna, o estímulo mecânico é bastante forte, pode dessensibilizar e, pior, ainda causar dependência.

Mas imagine a sensação de descobrir um maravilhoso mundo de prazeres após os 40 anos? Defino como um renascimento. Você não tem noção de como um belo orgasmo pelo menos uma vez por semana pode substituir lindamente um botox rsrs (quer dizer, espero sinceramente que tenha essa noção 🙂 Além de minimizar os perrengues dessa nossa louca realidade, um “Rivotril natural”.

Aliás, curiosamente, o vibrador nasceu com uma proposta terapêutica, para tratar o “nervosismo feminino” , criado pelo médico norte-americano George Taylor em meados de 1880. A sexóloga Paula Aguiar relata todo o processo no ebook gratuito “Vibrador, O Livro”. E no filme “Hysteria” dá para ver o tratamento e a engenhoca. Gente, olha que medo:

Cena de “Hysteria” e o primeiro vibrador – Foto: Reprodução/Vídeo

O aparelho ganhou popularidade, outras versões mais “amigáveis e bonitinhas”, além de status de objeto do desejo, vendido até em lojas de departamento nos Estados Unidos, como a Sears. Mas na década de 20, surgiu a indústria pornográfica que se apropriou da diversão das donas de casa. Aí, o vibrador acabou banido dos “lares de famílias decentes”. Uma pena… Pior ainda, acredito que esse exílio se estende até hoje. Infelizmente, conheço bem poucas mulheres que conversam abertamente sobre vibradores…

Aliás, se você curte, amaria saber suas dicas e opinião 🙂 Abaixo, seguem as minhas:

Sugadores de clitóris

Foto: Divulgação

1. De longe, meu modelo preferido. Falo isso a todas as minhas amigas e agora digo a você também: toda mulher merece um Womanizer. Apesar de ser chamado de “sugador”, na verdade, a maquininha “abraça” a ponta do clitóris (a glande) e vibra bastante. Não substitui o sexo oral. Na verdade, acho que nada na vida é substituível. E, no caso dessa máquina, a sensação é bem diferente. Alcança um orgasmo rápido e intenso, daqueles de deixar toda suada e perder o controle dos movimentos. A marca alemã custa caro, em torno de  R$ 1.400. Mas, olha, que investimento… Vale muito a pena.

2. Tem também o Satisfyer, com proposta idêntica, porém, mais barato, em torno de R$ 700. Nunca experimentei, mas conheço mulheres que alcançaram uma ejaculação feminina graças a esse modelo. Comigo, esse fenômeno só ocorreu em massagens tântricas, via bullet conduzido por terapeutas. Por isso, é outro contexto, não exatamente sexual. Qualquer dia desses, se você quiser, posso explicar esse processo em um post.

Para casais

3. Premiado, o We Vibe é um sucesso e já foi mencionado aqui na coluna, como sugestão de presente de Dia dos Namorados. Ele tem formato de “U” e estimula ao mesmo tempo vagina, clitóris e o pênis. Eu curto muito. Meu namorado, não (ele acha meio duro e incômodo). Aí, dá para usar a sós, como um estimulador de clitóris. O preço oscila entre R$ 400 e R$ 1.200, os modelos mais avançados, controlados por meio de aplicativos. Tenho um desses top de linha, mas aviso que não vale a pena: a conexão volta e meia se perde. Melhor usar o controle remoto à moda antiga mesmo (no caso, essa peça branquinha aí da foto).

Prazer a distância

4. Em época de quarentena, a paquera corre solta online. E há produtos no mercado que ajudam a vencer essa separação de corpos. São vibradores acionados por meio de aplicativos. Esses brinquedinhos prometem sincronizar os orgasmos de um casal afastado por uma parede ou oceano. Um dos mais famosos é o OhMiBod Bluemotion Nex 2, que custa aproximadamente R$ 1.000.

Bullet

Foto: Divulgação

5. São as belezinhas que estimulam clitóris. Tem dos baratinhos, em torno de R$ 50 (normalmente, metálicos), aos mais sofisticados, como este modelo da Fun Factory, recarregável e à prova d’água, por aproximadamente R$ 500.

Rabbit

6. Estimula vagina e clitóris ao mesmo tempo e se tornou um clássico entre os vibradores por conta da série “Sex And The City” (Charlotte até ficou viciada em um lembra?). Famosos, mas na prática… Não me seduz porque são feitos em materiais duros, que lembram plástico e não se adaptam às diferentes anatomias femininas. Mas tem gente que curte. Custa em média R$ 300.

Dois em Um

7. Com a proposta de “dois em um”, a Zini criou o Deux, no formato Yin e Yang. O lado feminino pode estimular seios, clitóris, vagina e períneo. E o masculino, mamilos, testículos e períneo. E bem bonitinho e custa em média R$ 600.

Vesper – o pingente que serve também como estimulador de clitóris – Foto: Divulgação

Vibrador em forma de pingente

Parece um pingente, mas há outras funções 😉 Feito em aço inoxidável, na verdade é um “combo” joia com bullet. Nunca usei, mas tenho uma amiga que ama e usa pendurado no pescoço (discreto, as pessoas nem desconfiam rsrs). Acho bem lindo, quase um símbolo do prazer feminino e está na minha lista de objetos do desejo. O modelo Vesper custa a partir de R$ 650.

Os diferentões

Olha, nunca usei, mas coloquei aqui para a gente se divertir. Afinal, girls just wanna have fun 🙂 rsrs

Foto: Divulgação

8. Lançado mês passado em uma parceria da Intt com a Satisfyer, o Sweet Treat  tem essas pontinhas aí do creme que servem para estimular clitóris. Custa em média R$ 700.

Vibrador do Obama

9. Sempre achei o ex-presidente americano um charme, mas esse pessoal foi bem além da imaginação. Causou um buzz em matérias americanas, mas pelo que vi, saiu de cartaz.

Vibrador da Hello Kitty

10. Pertenceu às prateleiras da Amazon, mas pelo que pesquisei, também saiu de cartaz. So cute, não?

É isso, meus amores. Espero que curtam os brinquedinhos de gente grande.

Beijos e divirtam-se!

@anacarolcsoares Jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw 🙂