Cauã Reymond e Luma Grothe – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Ana Carolina Soares

O tema desta coluna surgiu dia desses durante uma conversa com uma amiga. Ela deve passar por uma histerectomia – cirurgia que fiz no ano passado, a retirada do útero, um baque para nós, mulheres. Para completar a chatice, o pós-operatório pede cerca de um mês de “jejum de penetração”, uma baita provação, sei bem. Mas pior ainda mais no caso dela, que acabou de engatar um relacionamento. Você certamente sabe “el fuego” que consome um casal especialmente nos primeiros meses de descobertas, né? Mas antes de reservar o hospital, essa figura ultracriativa pesquisou alternativas na internet, descobriu o gouinage e propôs ao boy, que encarou o experimento antes mesmo da cirurgia. Resultado: os dois seguem bem felizes no “treinamento”, com a temporada de “nove semanas e meia de amor”. A bonita vai encarar a mesa de cirurgia relaxadona e com uma pele ótima, com certeza 🙂

Bem, mas o que é gouinage? Esse termo lindo só poderia vir do francês (para mim, a língua mais sexy do mundo, ao lado do espanhol rsrs) e significa algo como sexo homoafetivo sem penetração. Aparece como uma prática lésbica (gente, mas quem disse que lésbicas não penetram, ainda mais na era dos sex toys?) e também entre homens.

Você como eu imaginava que todos os caras – hétero ou homo – são obcecados por sexo anal (ou pela submissão ou pelo prazer causado pela proximidade da próstata)? Pois vi que há um movimento considerável que não curte, que sente mais dor do que prazer. Aí, nas redes de relacionamento, eles se autodenominam “gouine”, já para avisar aos candidatos suas preferências.

Muita gente se pergunta se sexo sem penetração é mesmo sexo. Claro, que sim! Talvez por comodismo, falta de tempo ou até de criatividade, a maioria das pessoas costuma mirar todo o prazer no pênis e na vagina. Quando muito, inclui aí a boca, a vulva e o ânus, no máximo. Aí, esse pessoal simplesmente aposenta os dois órgãos sexuais mais potentes do ser humano: o cérebro e a pele.

Como uma brincadeira ao “restringir” a penetração, o gouinage é uma forma de sexo em que as preliminares se tornam “a atração principal”. Se dá para gozar assim? Pode experimentar, garanto que sim 😉

Essa técnica me lembrou bastante alguns exercícios do tantra, que propõem exatamente essa conexão de corpo inteiro. Seguem abaixo algumas dicas que vieram do maithuna, ritual do sexo:

– Antes de tudo, cheguem bem pertinho, mas não se toquem. Sentem-se nus na frente do outro e comecem uma conexão, apenas trocando olhares e coordenando a respiração. Isso é… Uau…

– Concentre-se em explorar todo o corpo da outra pessoa. Faça essa “exploração” em carícias com a língua, com as mãos, com as pontas dos dedos, com os pés, pernas e até mesmo com os cabelos. Como um sexo oral pelo corpo todo, saca? Você vai perceber que até zonas improváveis, como os cotovelos, podem se revelar altamente erógenas.

– Nessa exploração, vale a pena usar também alguns artifícios como tecidos macios, penas e alimentos. Sorvete e espumante, por exemplo, para mim, é sucesso garantido. Há também géis específicos em sex shops, bem deliciosos.

Para finalizar, vale sempre a pena refletir: afinal, o que é sexo? Não tenho uma definição absoluta. Aliás, eu me recuso a isso. Cada um que crie esse verbete no seu dicionário particular, de acordo com seus gostos. Chega de imposição de regras, de padrões, de prazeres forçados. O que vale é o consentimento, respeitar as preferências de cada membro do casal (ou trisal, quadrisal, etc… rsrs). De vez em quando, surge uma novidade por aí, como o “gouinage”. Nesses casos, por que não experimentar? 😉

Beijos e divirtam-se!

@anacarolcsoares Jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw.