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Por Ana Carolina Soares

Aconteceu de novo. Na última segunda-feira (29), um “terapeuta holístico” gaúcho ganhou manchetes ao ser acusado de estuprar cerca de cinco mulheres durante seus “tratamentos”. Ainda neste ano, soube de um “hipnólogo”, na Vila Mariana, e em março, um “xamã” de Blumenau que abusava de suas seguidoras, dopadas por ayahuasca. Fora o “pesadelo” das vítimas do João de Deus.

Claro que toda mulher sente-se impactada diante de notícias assim. Mas a mim, isso me afronta pessoalmente porque fere também minhas crenças: frequento terapias holísticas desde a adolescência, acredito na cura pela ayahuasca e, principalmente, tenho certeza dos benefícios desencadeados por meio dos orgasmos intensos das sessões de massagem tântrica. Fico mais do que revoltada ao ver que possíveis charlatões/abusadores deturpam tratamentos que podem melhorar a vida de muita gente (inclusive a sua, sei disso porque deu um enorme up na minha). E, pior de tudo, esse pessoal se aproveita da vulnerabilidade de quem os procura. Afe, que raiva!

Longe de mim transformar uma coluna sobre sexo numa página policial. Mas não gostaria que você, leitora ou leitor, perdesse a curiosidade de experimentar tratamentos alternativos-intimistas ou questionasse a credibilidade de todos os profissionais que se dedicam a essas práticas. Acredite: há inúmeros terapeutas muito talentosos e éticos.

Então, ofereço aqui não só um post, mas um “Manual contra Charlatões”, e explicar a você como identificar uma possível cilada e conseguir cair fora antes do “bote do Lobo Mau”. Entrevistei Daniel Carletti, um dos meus mestres tântricos, que há mais de dez anos se dedica às sessões de massagem tântrica. Eis então 9 dicas. Check it out, babe 😉

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  1. Uma das formas mais eficientes é convidar um amigo, um parente ou alguém de confiança para assistir à sessão. “Assim, a pessoa sente-se mais protegida”, diz Carletti.

  2. Mas antes de se submeter à massagem sozinhx ou acompanhadx, reserve pelo menos meia hora para conversar com x terapeuta e tirar absolutamente todas as dúvidas. “A massagem tântrica possui diversos benefícios: tonifica os músculos genitais, libera os chamados hormônios da felicidade, como ocitocina e serotonina, diminui a depressão e rejuvenesce. Vai bem além do que uma masturbação, um procedimento sexual. É cura”, ressalta Carletti.

  3. Além de explicar todo o processo na primeira conversa, profissional e interagente precisam estabelecer códigos. E o principal deles, a explicação tim-tim por tim-tim de cada passo. Na massagem tântrica, normalmente x paciente permanece sem roupas e recebe toques em todo corpo, inclusive na parte genital. “Mas não se trata de uma obrigação. Há pessoas tímidas, outras, sofreram abusos. Nesses casos, elas permanecem com roupas íntimas ou de banho e recebem manobras mais sutis”, diz o terapeuta.

  4. “Apesar de explicar todo o processo na primeira conversa, também criei um Termo de Responsabilidade, que descreve o procedimento. Funciona como uma espécie de contrato, uma segurança para o terapeuta e sua cliente”, acrescenta Carletti.

  5. Sabe o “pediu pra parar, parou!”? Estabeleça como regra número um da sessão.

  6. Massagens tântricas acontecem em clínicas. E ponto final. Se algum “profissional liberal” inventar de marcar com você no seu quarto, no hotel, ou pior, motel, nem escrevo aqui “desconfie”, já afirmo: não vá! Como diz o meme, “Corre, Bino! É uma cilada!”

  7. Se massoterapia não entrou ainda na pauta dos nossos parlamentares para regulamentar, imagine a tântrica… “Houve tentativas de criar associações na área, mas existem diversas correntes. Além disso, o tantra é desrepressor, matriarcal e sensorial. Difícil reduzi-lo a algumas regras”, diz Carletti. Então como saber se o profissional é bom? “Pesquise há quanto tempo estuda, os cursos que já realizou e também, fique de olho nas redes sociais. Se não tem imagem no perfil do Facebook ou Instagram, certamente não deseja ser identificado, ou seja, um claro indício de problema”, ele responde.

  8. Eu considero também o preço um indício. O procedimento custa em média R$ 350 e leva entre 1 hora 30 minutos e 2 horas. Desconfie de quem cobra bem abaixo. Problemático pechinchar com quem pretende tocar seu corpo intimamente, heim…

  9. Em tempos de Covid19, precisa checar também o ambiente. A massagem normalmente é feita em um quarto todo fechado (ainda mais em São Paulo, você não vai querer estrelar um peep-show na vizinhança, certo?). Então, adotei a máxima “eu resolvi esperar”. Mas há clínicas abertas. “Estou com um cuidado redobrado com a limpeza, meço a temperatura de todos e atendo no máximo seis pessoas por dia, a metade do meu movimento normal. Também cogito implantar aqueles testes rápidos”, diz Carletti.

É isso, queridxs! Com a cautela necessária, dá para desfrutar da terapia do gozo, com muita felicidade e segurança 😉

Beijos e se cuidem!

@anacarolcsoares Jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw 🙂

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