Ana Carolina Soares - O Dia do Namoro (e a cura hétero)
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Ana Carolina Soares

Certo dia, um autoproclamado arauto de Deus acorda e prega que, durante milênios, a humanidade entendeu tudo errado. O primeiro mandamento “amai ao próximo como a ti mesmo” significa espelhamento. Ou seja, que, na verdade, as relações homoafetivas são as divinamente corretas.

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Após relutar um pouco, a maior parte das pessoas no mundo resolve adotar essa nova regra e condenar atrações heteroafetivas. Beijos e carícias entre homens e mulheres tornam-se atos condenáveis, cenas dificílimas para pais explicarem aos filhos, uma doença a ser curada…

Você é heterossexual? Se for, como se sentiria diante dessa nova realidade? Seria fácil se adaptar a essa nova regra, né? Afinal, todos nós desenvolvemos essa atração porque famílias, amigos, líderes religiosos e celebridades mandaram. Ou não é bem assim?

Se não for bem assim, por que o desejo, para os diferentes de você, seria como a moda dos vestidos balonê? Por que, ainda hoje, tem gente que insiste em rejeitar o relacionamento homoafetivo?

Bem, ironias à parte, fica a reflexão para celebrar o Dia do Amor ou Dia do Namoro. Prefiro esses termos ao adotado pelo senso comum, soa mais democrático, nem restrito ao universo masculino. Uma comemoração para todos. Ou para quem quiser…

O aplicativo de paquera Inner Circle fez uma pesquisa entre seus usuários no Brasil e detectou que apenas 1 em cada 3 pessoas “se derretem” por essa data. A porcentagem dos que amam é de 28%. Dizem curtir a data porque é romântica (56%), uma boa oportunidade para celebrar o amor (48%) e até como uma boa oportunidade para descolar alguém (5%).

Quem diria, até o Dia do Namoro tem haters! Cerca de 5% dos entrevistados odeiam a data. Entre eles, 71% não estão em um relacionamento e 24,8% acreditam que o dia traz lembranças ruins de relacionamentos anteriores. Este grupo também acredita que a data foi criada para os casais se exibirem (9%), que os preços sobem (5,3%) ou que é brega (2,7%).

Na turma dos indiferentes, estão 66,6%. Dizem que é um dia como outro qualquer, todo dia é dia de celebrar o Amor (verdade!) e é melhor se presentear do que ficar à mercê de um namorado ou namorada com mau gosto.

Se você ama o Dia do Namoro…

Vai querer curtir um monte este fim de semana, aposto! Faz tempo que motéis deixaram de ser um programa com cenário cafona (“um abajur cor de carne, um lençol azul…”). Em todo canto do país, há lugares descoladíssimos e, o melhor de tudo, com ações incríveis para esse fim de semana.

O grupo que faz parte da Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis) promove a Love Week Brasil. Os pacotes começam a partir de R$ 109,90 e o pagamento pode ser parcelado em até 12 vezes. Melhor de tudo: ao fazer a reserva pelo site, você e crush não precisaram passar aquelas horas constrangedoras na fila 😉

Se você odeia o Dia do Namoro…

Bem, estamos em distanciamento social, mas acredito que até se você sair ao supermercado encontrará casais felizes, de mãos dadas, comprando espumante e chocolates.

A dica então é não sair da sala e curtir uma maratona no Netflix. Abaixo, cinco filmes para pensar sobre o período:

“Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças”
Clementine (Kate Winslet) participa de um procedimento médico experimental para apagar suas lembranças de Joel (Jim Carrey), e ele decide fazer o mesmo.

“Closer”
A história de um quarteto amoroso, formado por Anna (Julia Roberts), Dan (Jude Law), Alice (Natalie Portman) e Larry (Clive Owen). Qualquer linha a mais sobre isso estraga as surpresas 😉

“Instinto Selvagem”
Se você nasceu na década de 90, certamente não conhece a famosa cruzada de pernas de Sharon Stone. Ela interpreta uma escritora erótica que seduz um detetive, interpretado por Michael Douglas. Um suspense quente…

“Newness”
Beleza, já falei sobre esse filme aqui. Mas já tem um tempo e não sei se você leu a coluna. Não quero que perca um dos filmes mais interessantes sobre as dores e delícias do relacionamento aberto 😉

“A Garota Dinamarquesa”
Para encerrar a lista, voltando ao tema inicial: o amor democrático. O filme é protagonizado por Eddie Redmayne, que interpreta Einar/Lili Elbe, uma das primeiras pessoas transgênero a se submeter a uma cirurgia de redesignação sexual. Mais incrível ainda: é baseado em uma história real.

@anacarolcsoares Jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw.