Cena do filme “365 Dias” – Foto: Reprodução/imdb

Por Ana Carolina Soares

Para você, sexo oral é sexo? De acordo com 30% dos participantes de uma pesquisa do Instituto Kinsey, não é não…. E sexo anal? A resposta foi “não” para 20% desse mesmo pessoal, uma amostra de cerca de 500 pessoas, com idades entre 18 a 96 anos.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Mais do que o assunto que move a humanidade, as respostas às perguntas sobre sexo podem informar – ou, em tempos de fake news, desinformar.

“Pesquisadores, médicos, pais, educadores sexuais devem todos ter muito cuidado e não presumir que sua própria definição de sexo seja a mesma compartilhada pela pessoa com quem estão falando, seja um paciente, um estudante, uma criança ou participante do estudo”, disse Brandon Hill, pesquisador associado do Kinsey Institute.

A ideia do estudo surgiu após o escândalo entre o ex-presidente Bill Clinton e sua então estagiária, Monica Lewinsky (se você podia assistir ao Jornal Nacional naquela época, certamente vai se lembrar…). Pesquisadores do Instituto Kinsey perguntaram a estudantes universitários o que “fazer sexo” significava para eles, adotando uma abordagem, que era única na época, de pesquisar os alunos sobre comportamentos específicos.

O mais inacreditável: não houve nenhum consenso. E até hoje, pelo visto, não há.

Além da confusão, do pessoal não entender direito o que é sexo, tive uma triste constatação ao ver que o orgasmo feminino é um “indicador de sexo mais fraco” que o masculino. Desse pessoal, 89% considera sexo uma relação pênis-vaginal sem ejaculação masculina. Mas se foi a mulher que não gozou, o número de pessoas que considera sexo sobe pra 92,7% 🙁

“As descobertas reafirmam a necessidade de ser específico sobre os comportamentos ao falar sobre sexo”, diz William L. Yarber, co-autor do estudo.

“Há uma imprecisão sobre o que é sexo em nossa cultura”, disse Yarber. “Se as pessoas não consideram certos comportamentos como sexo, elas podem não pensar que as campanhas de saúde sexual sobre risco pertençam a elas. A epidemia de AIDS nos forçou a ser muito mais específicos sobre os comportamentos, à educação sexual, mas ainda há espaço para melhorias. ”

Os participantes, em sua maioria heterossexuais, foram questionados: “Você diria que ‘fez sexo’ com alguém se o comportamento mais íntimo que você teve foi …”, seguido por 14 itens comportamentais específicos.

Vamos aos resultados:

Você sabe que fez sexo com alguém quando…

  • Você tocou, acariciou ou estimulou manualmente os órgãos genitais de um parceiro: 44,9%
  • Um parceiro tocou, acariciou ou estimulou manualmente seus órgãos genitais: 48,1%
  • Você teve contato oral (boca) com os órgãos genitais de um parceiro: 71%
  • Um parceiro teve contato oral (boca) com seus órgãos genitais: 72,9%
  • Relações pênis-vaginais: 95%
  • Relações pênis-vaginais sem ejaculação; isto é, o homem não chegou ao orgasmo: 89,1%
  • Relações pênis-vaginais sem orgasmo feminino: 92,7%
  • Relações pênis-vaginais, mas “rapidinhas”: 94,4%
  • Sexo peniano-vaginal com preservativo: 93,3%
  • Relações peniano-anal: 80,8%
  • Relações peniano-anal sem ejaculação masculina; ou seja, sem orgasmo masculino:
    79,5%
  • Sexo peniano-anal sem orgasmo feminino; ou seja, a mulher não teve orgasmo:
    81,1%
  • Relações peniano-anal, rapidinha: 81,8%
  • Sexo peniano-anal com preservativo: 82%

@anacarolcsoares é jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw.