Ana Carolina Soares - Por trás do maior tabu na cama
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Ana Carolina Soares

Há quase um ano escrevo essa coluna e só hoje me dei conta de que nunca falei sobre um dos assuntos mais comentados e lidos em sexualidade: o sexo anal. Coincidentemente, soube de um livro bem curioso lançado semana passada no Canadá, “Still Straight: Sexual Flexibility among White Men in Rural America”.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

“Still Straight: Sexual Flexibility among White Men in Rural America”, de Tony Silva – Foto: Divulgação

Resultado de uma pesquisa de três anos, Tony Silva, professor de sociologia da University of British Columbia, estuda centenas de milhares de homens nos Estados Unidos, que volta e meia transam com outros homens.

Apesar das relações homossexuais de vez em quando, eles se identificam como heterossexuais e, pelo perfil, flertam até com o estereótipo do “machão americano”: curtem armas de fogo, caçar, pescar… Não “estão no armário”, nem se declaram bissexuais: tratam-se de homens heterossexuais que curtem de vez em quando “uma amizade colorida” com outro homem.

Os entrevistados de Silva explicam que se sentem atraídos fisicamente por mulheres, além de gostar de se relacionar amorosamente com o sexo oposto: a maioria é casado com filhos, inclusive. Mas reclamam que gostariam de se sentir, digamos assim, “mais ativos” no sexo, por isso, procuram parceiros. E não consideram essa “pulada de cerca” como uma traição.

Uma das pesquisas mais recentes sobre a aceitação do sexo anal aqui no Brasil é de 2009, do Datafolha. De acordo com a apuração realizada com pessoas sexualmente ativas, 64% dos entrevistados confirmaram que já haviam experimentado “essa forma de amar”, enquanto 20% disseram nunca ter experimentado.

Do pessoal que curtiu, eram 72% dos bissexuais, 62% homossexuais e só 34% heterossexuais. Por outro lado, não gostaram de jeito nenhum 17%, 26%, e 32%, respectivamente.

Ao longo da minha carreira, perdi as contas de quantas matérias sobre o tema escrevi a respeito, por se tratar da maior curiosidade do público, especialmente, em revistas femininas. Ginecologistas e sexólogos com quem conversei dizem que o número de adeptos da prática é subestimado.

Seja bi, hetero ou homo, os homens são os que mais curtem, especialmente por causa da proximidade com a próstata, um local extremamente prazeroso para eles. As mulheres são mais reticentes porque não possuem essa facilidade. E a pessoa precisa estar completamente relaxada para sentir prazer. Senão, dói mesmo…

Psicologicamente, há o sentido da “dominação” mais acentuado, como uma “prova de amor”. Mas sim, é possível “chegar lá por lá”. Algumas dicas:

1) Os homens podem sentir mais prazer e gozar com mais facilidade ao receber estímulos no interior do ânus por causa da próstata. Trata-se de uma glândula do tamanho de uma noz, responsável pela produção do esperma. Num toque retal, dá para senti-la a cerca de quatro centímetros após o ânus na direção da raiz do pênis. Lá fica a espécie de “ponto G” do homem.

2) E, gente, por favor: um cara curtir receber esse estímulo “lá atrás” não significa que é homossexual! Significa que se trata de um homem, independentemente da orientação sexual, que conhece bem a sua anatomia e os caminhos de seu prazer. Bora parar com preconceitos, heim 😉

3) Infelizmente, ao contrário dos homens, mulheres não temos nenhum ponto especial na região do ânus 🙁 Em compensação, na vagina, estima-se que além do ponto G existam cerca de 100 pontos (isso mesmo, 100!!!) com altíssima sensibilidade. Isso, sem contar o clitóris, órgão todinho feito para o prazer.

4) Tanto nos homens quanto nas mulheres, a entrada do ânus é um lugar beeem sensível. E dá para sentir prazer lá, sim.

5) Ok, há um certo obstáculo: o esfincter, o músculo que envolve o ânus. Ele é bem forte e costuma se contrair toda vez que sentimos medo.

6) Você é homem ou mulher e ficou tenso só em receber carícias por lá? Pode esquecer, porque certamente vai sentir dor mesmo… Paciência é a palavra-chave.

7) Para “decifrar o esfincter”, é preciso estar em relaxamento: não ter pressa, mandar ver nas preliminares, além lubrificar muuuuito bem a entrada.

8) Dica importante para homens e mulheres: só usem lubrificantes à base de água! Nada de óleo de cozinha, manteiga ou outros temperos estranhos! Você não é uma salada! rsrsrs

9) Alô, homem ou mulher, você será o passivo ou passiva nesse jogo? Então mantenha-se na posição de controle, ou seja, domine o quanto o pênis (ou dedo ou toy) entra em você 😉 Ficar por cima pode ser uma ótima…

10) Você pode ter uma relação extremamente monogâmica, de duzentos anos, mas jamais em tempo algum dispense a camisinha! Caso contrário, os dois podem sofrer uma infecção.

Moral da história: se dá para sentir prazer, por que não experimentar?

Divirtam-se!

@anacarolcsoares Jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw.