Stephanie Seymor para a Harper’s Bazaar – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Ana Carolina Soares

Vocês já devem ter percebido: amo pesquisas! São a melhor forma de observar tendências reais do comportamento humano sem achismos, com dados. E isso, claro, inclui sexo! Na segunda (25.10), li no “The Jerusalem Post” um artigo de Shmuley Boteach, um rabino que tem um trabalho bem interessante sobre sexo, inclusive, um livro chamado “Kosher Sex”. Ele trouxe várias pesquisas e, de certa forma, decretou que precisamos fazer uma espécie de abstinência de Netflix e celular para reacender nossa paixão interior.

Bem, não sou uma especialista, apenas uma curiosa e entusiasta sobre o tema. Concordo em partes com a teoria, mas não jogo de jeito nenhum Netflix, celular e qualquer tecnologia na fogueira. Antes de avançar nessa reflexão, é bom retomar as pesquisas.

De acordo com o “The Telegraph”, no Reino Unido, uma em cada 10 pessoas checa o celular durante o sexo. Ok, isso é dado inglês, mas duvido que a realidade brasileira seja muito diferente… Aí, Boteach lembra a pesquisa da sexóloga italiana Serenella Salomoni, que afirma que uma TV no quarto diminui a frequência sexual pela metade. Esses dados são de 2006, era pré-Netflix e o boom dos aplicativos. Pesquisei e não vi nenhum outro dado mais recente. Também duvido que o cenário tenha mudado tanto.

No confinamento do coronavírus, em um primeiro momento, acreditou-se que os casais, confinados em casa, fariam mais sexo para se livrarem do terror de enfrentar uma pandemia. Mas, uma pena, isso não aconteceu para a maioria.  Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Indiana descobriu que quase metade (49,2%) de uma amostra nacionalmente representativa de 1.010 adultos americanos relatou uma diminuição em seu comportamento sexual durante o surto de Covid-19. 

Tem outra pesquisa online da “NBC News” com mais de 11 mil entrevistados que revelou que mais da metade disse que o coronavírus impactou negativamente sua vida amorosa. De acordo com uma pesquisa online com 1.200 americanos conduzida pelo Lovehoney, um site que vende brinquedos eróticos e lingeries, apenas 32% dos casais americanos relataram ter sido “sexualmente felizes” durante a pandemia. A crise resultou em desafios de intimidade para 63% dos casais, e 19% dos casais não estavam fazendo sexo, descobriu a pesquisa.”

Segundo Boteach, os casais trocaram o toque pelas telas, acompanhando vorazmente os noticiários e, para distrair, encarando séries sanguinolentas como Round 6 (sucesso até nas funerárias, que estão replicando os caixões com lacinho!).

Mas gente… Netflix não é só sangue… Não sei você, mas todo conteúdo erótico do canal aparece para mim logo de cara (rsrs). Recentemente, vi “Sex, Love & Goop”, série comandada pela Gwyneth Paltrow, que mostra casais diversos reencontrando graças a diversas técnicas. Entre elas, o tantra (saudade dos cursos…). Tem tanta dica bacana que, a sós ou em companhia, é impossível você não sair da tela inspirado, com alguma ideia nova! Outro reality que adorei foi “Brincando com Fogo: e também “Casamento às Cegas”. Além de só ter gente linda, um monte de dicas de brincadeirinhas e reflexões sobre uma vida amorosa e sexual.

Eu sigo a cabala, filosofia que em tese deriva do judaísmo. Se tem um ponto que me atrai nela é tratar o sexo para o prazer entre casais. Não é só procriação, como aprendi no catolicismo. Sexo é um ato de amor que afirma a vida, costura dois estranhos como um organismo deliciosamente completo.

Se um casal escolhe investir horas e horas numa maratona de “apocalipse zumbi” qualquer na televisão, ao invés de “365″ ou um reality erótico o problema não é a programação da Netflix. O problema é a dinâmica desse casal! Claro, gente! Se fosse há dois milênios, esse pessoal ia devorar os livros de Edgar Allan Poe! A tecnologia vai apenas alimentar o nosso desejo. A escolha é sempre nossa!

Quer ver o cardápio do Netflix mudar? Que tal antes olhar para o lado e perguntar para a outra pessoa como ela se sente? Se está feliz, se recebe suas doses diárias de beijos, força e elogios? A partir do momento em que há essa conexão, essa preocupação, o casal, o trisal ou mesmo a pessoa solteira vai buscar essa libido. E lembro que libido vai além do sexo. Significa “força vital”.

É isso, minha gente! Bora pegar apenas o controle remoto, mas o controle de nossas vidas!

Tudo de bom.

@anacarolcsoares é jornalista desde 1994, ganhou prêmios e passou por grandes veículos de comunicação, trabalhando como repórter, editora, colunista e PR. É muito feliz também em cursos de tantra, fez mais de dez e até tirou certificado de terapeuta tântrica com Gilson Nakamura em janeiro de 2019, no método Deva Nishok. Dona de cachos assumidos e ama escrever sobre sexo, como a musa Carrie Bradshaw.