Anitta veste Adidas – Foto: Eduardo Rezende, com direção criativa de Thiago Batista (Lit Creative Agency), styling de Janelle Renèe, maquiagem de Hector Espinal e cabelo de Gianluca Mandelli

Por Patricia Carta

Anitta é a nossa eleita para uma das capas de 10 anos de Bazaar no Brasil. Ninguém melhor do que ela faz um fit tão perfeito com essa edição: assim como a artista, gostamos de olhar para a frente, para o futuro. Bazaar inspira Anitta, ela diz – e ela nos inspira de volta na busca por liberdade, criatividade, inovação, contestação, desafios e disrupção.

Bazaar foi minha primeira capa de revista de moda e foi um marco na minha vida e na minha carreira”, ela conta, de Miami, onde está morando desde o começo deste ano. “Foi por esta capa que me cerquei das pessoas que estão comigo até hoje e que deram um novo rumo a minha história.” Anitta fala, entre outros, de Paulo Pimenta, seu assessor, e Marina Morena, espécie de diretora criativa da artista.

“Somos um time muito afinado”, faz questão de frisar já que, não é novidade para ninguém, Anitta é do tipo que controla todo o processo, é dona da maioria das ideias surpreendentes (o biquíni de fita isolante na laje do clipe de “Vai Malandra?” Ideia dela. Celulite à mostra na garupa da moto? Idem), e tem um faro para hits e novidades que impressiona. “Mas também sei ouvir quando dizem que estou viajando demais em alguma ideia. Como uma boa boss, não quero me cercar apenas de pessoas que concordem comigo em tudo. Gosto de ouvir os nãos.”

Anitta veste Adidas – Foto: Eduardo Rezende, com direção criativa de Thiago Batista (Lit Creative Agency), styling de Janelle Renèe, maquiagem de Hector Espinal e cabelo de Gianluca Mandelli

Aos 28 anos, Anitta resolveu, por conta própria, que era cedo demais para chegar ao topo e se dar por contente com isso. Aqui no Brasil, tinha tudo: fama, sucesso, contratos milionários, um séquito de fãs. Mas fez a malinha rumo ao mercado internacional. “Sabia que iria descer todas as escadas e começar do zero. Bati na porta de rádios esperando para dar entrevista. Algumas vezes conseguia, outras não. E tudo bem. Passei da pessoa que era procurada para aquela que ia atrás”, contou sobre a nova fase de vida. “Voltei com o mesmo fôlego de quando estava começando.”

Anitta veste Balmain, com brinco da Tiffany – Foto: Eduardo Rezende, com direção criativa de Thiago Batista (Lit Creative Agency), styling de Janelle Renèe, maquiagem de Hector Espinal e cabelo de Gianluca Mandelli

Pergunto o porquê dessa mudança: “Basicamente porque não existe nenhum artista brasileiro com carreira internacional e quando eu perguntava por que, ouvia sempre a mesma resposta: ‘Impossível’. Essa palavra para mim não existe. E quando a ouço, aí sim quero mais ainda ir atrás do meu desejo. Comecei a estudar para fazer acontecer.”

Em poucos meses nos Estados Unidos, Anitta passou de uma artista brasileira na gringa para uma artista internacional que nasceu no Brasil. E ela própria explica: “Hoje já sou capaz de me manter, financeiramente falando, com os ganhos obtidos no exterior. Não é mais a Anitta do Brasil bancando um projeto”.

Anitta usa colar Bulgari – Foto: Eduardo Rezende, com direção criativa de Thiago Batista (Lit Creative Agency), styling de Janelle Renèe, maquiagem de Hector Espinal e cabelo de Gianluca Mandelli

Que fique claro: Anitta ama o Brasil, ama ser brasileira e só canta em inglês para poder espalhar seu talento pelo mundo, nas palavras dela. “Me pego falando com meus cachorros americanos: quem são os cãezinhos mais lindos do Brasil? (Risos)”. A cantora saiu do País, mas a brasilidade não saiu de dentro dela. Ela me mostra a dispensa da cozinha onde guarda paçoquinha, bubaloo, miojo e até trakinas made in Brazil. “Mas sinto falta mesmo das frutas, do brócolis e da couve-flor. Aqui, eles não têm o mesmo sabor.”

A casa de Anitta em Miami é propositalmente pequena: “Cansei de acordar e ter a casa cheia de gente. Decidi que esse era meu canto. Qualquer trabalho seria daqui para fora. No Rio, tinha estúdio e até camarim em casa. Aqui, não”. Reflexo da nova fase, ela não anda mais com segurança, maquiador, cabeleireiro etc. Consegue ter até um pouco de vida anônima. Só um pouco. “Já estou começando a ser notada em restaurantes, na academia e pelos paparazzi. Nem posso mais sair com qualquer roupa na rua como no começo”, brinca.

Depois de refazer o grande hit da bossa nova “Girl From Rio” e mostrar para o mundo o funk em “Faking Love”, suas próximas músicas serão um reggaeton, em novembro, uma em português, em dezembro, e uma inglês, cantada somente por ela, em janeiro. Ela promete novidades ainda na série autobiográfica na Netflix, como nova temporada por vir, e até um hino para o Carnaval. Pre-pa-ra!

Anitta veste Dolce & Gabbana – Foto: Eduardo Rezende, com direção criativa de Thiago Batista (Lit Creative Agency), styling de Janelle Renèe, maquiagem de Hector Espinal e cabelo de Gianluca Mandelli

O que de fato move Anitta, nestes quase 10 anos de carreira, é que ela não tem medo de errar. “Não tenho receio se algo vai dar certo ou errado. Gosto de tentar. Tudo é uma questão de como dar a volta por cima e o marketing que você faz em torno disso. Eu estou sempre pronta para uma nova ideia.” Anitta também aprendeu a não se importar com opiniões. “Sou a favor da liberdade, ninguém precisa concordar comigo”. Entenderam?

Sobre lidar com a fama, brinca que quando viu já estava engolida por ela. “De repente estava mergulhada em uma areia movediça. Quanto mais me mexia, mais afundava”, hoje diverte-se ao lembrar. O fato de ter começado muito cedo, aos 20 anos, despertou alguns desejos de “velha”, como ela brinca.

Adora ficar em casa, de pijama, sem fazer nada. Mas não se engane. Ela confessa que seu maior defeito é enjoar das coisas muito rápido. “Enjoo da minha cara, do bofe, de tudo!”. Para largar o pijama e se jogar na pista como se não houvesse amanhã, basta um piscar de olhos. É o que faz de Anitta, Anitta.