Busca Home Bazaar Brasil

Annie Lennox usa redes sociais para denunciar injustiças contra mulheres

Cantora promove online a Circle, ONG internacional pelos direitos das mulheres que fundou em 2008

by redação bazaar
Foto: James White, com edição de moda Cassie Anderson

Foto: James White, com edição de moda Cassie Anderson

Por Keely Weiss

Tudo começou com uma camiseta. “Estava em uma loja de departamentos e vi uma camiseta com a estampa da Mulher Maravilha”, conta Annie Lennox, sobre o momento que inspirou sua mais recente campanha. Era o verão de 2018 (no hemisfério Norte), e esse ícone da música estava tentando descobrir como levar a missão da Circle, ONG internacional pelos direitos das mulheres que fundou em 2008, para um novo patamar.

“Olhei para as camisetas e pensei: ‘Meu Deus, e se a Mulher Maravilha pudesse levar a mulheres e homens comuns informações sobre desigualdade de gênero vivida por milhões de mulheres e meninas diariamente ao redor do globo?’. Então, comprei a camiseta, a levei para casa e a vesti. Em seguida, escrevi uma lista de fatos e estatísticas em folhas de papel e tirei uma série de fotos de mim mesma para o Instagram, segurando as mensagens.”

O resultado: a hashtag #OneReasonWhyImAGlobalFeminist (uma razão pela qual sou uma feminista global) nas mídias sociais, promovendo a campanha de Lennox.

Sua missão de popularizar o feminismo mundial é bastante nobre. Nesta era dourada do feminismo na cultura pop, o movimento pelos direitos das mulheres se tornou fraturado, com inúmeras fissuras na teoria e na prática. “Feminismo é uma religião ampla, que contém uma variedade de crenças e interpretações, mas dissidências existem e podem nos impedir de alcançar todo o nosso potencial”, diz Lennox.

Ela queria um termo que chamasse a atenção para os problemas universais da desigualdade de gênero, como dois terços dos adultos analfabetos no mundo serem mulheres, ou uma em cada três mulheres ou meninas serem vítimas de violência física ou sexual. “Tenho testemunhado pessoalmente como mulheres e meninas são extremamente desprovidas de poder em todo o planeta. Violência baseada em gênero acontece em todo lugar – em Nova York, em Nairóbi. É endêmica em nível global.”

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Foto: James White, com edição de moda Cassie Anderson

Foto: James White, com edição de moda Cassie Anderson

Entre na campanha online de Lennox, que encoraja os participantes a tirarem fotos de si mesmos, segurando uma placa com a principal razão pela qual eles apoiam a luta por igualdade de gênero. Mas há outro motivo para ela abraçar o termo “feminista global”. Enquanto as feministas ocidentais não chegam a um acordo se os aliados do sexo masculino têm o direito de usar a palavra “feminista” para se descreverem, Lennox enxerga como vital essa participação de homens e meninos. “Acho que os homens, às vezes, se sentem desconfortáveis dizendo ‘sou feminista’. Mas, quando dizemos que somos feministas globais, estamos dando a eles a chave para fazerem parte do movimento”, diz ela.

Para Lennox, incluí-los significa desprogramá-los de visões problemáticas sobre as mulheres, que eles podem ter inconscientemente internalizado. “Muito disso volta a ensinar os homens a tratar as mulheres como pessoas iguais, e não como propriedades deles”, explica a cantora.

Lennox, que luta contra essa desigualdade desde muito antes de se tornar famosa, ainda se lembra do momento que a inspirou a impulsionar sua fama para apoiar seu ativismo. “No fim dos anos 1980, a Anistia Internacional promoveu uma turnê incrível que incluía Sting, Peter Gabriel, Tracy Chapman e outros. Na época, pensei: ‘Uau, esta é a melhor maneira de usar a música para construir uma plataforma de conscientização e promoção de mudanças políticas e sociais’”, conta ela.

Com o surgimento das redes sociais, essa meta é mais fácil de alcançar internacionalmente – e mais decisiva. “Se vamos falar em ser feminista, precisamos falar sobre o mundo inteiro. Não somos feministas apenas para nós mesmas.”

Leia mais:
Ana Girardot: atriz fracesa fala sobre a carreira e novo filme
É hora de estimular a construção de um amanhã amoroso
Três pequenas marcas feministas e sustentáveis para conhecer já
Charlize Theron: “não tenho medo de ser feminista”