Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Por Sylvain Justum

Stefani Joanne Angelina Germanotta agora tem um Oscar para chamar de seu – ganhou o prêmio de Melhor Canção com “Shallow” –, que coroa o auge da carreira e um tremendo comeback da artista. A música interpretada em dueto com o ator e diretor Bradley Cooper já lhe havia rendido o Globo de Ouro, o Bafta– o primeiro atribuído a uma mulher na história da premiação britânica –, o Critics Choice Awards e dois Grammys este ano.

Acostumada com o título de camaleoa, Lady Gaga fez dele o seu trunfo para transitar e ser aceita em um universo que outrora lhe fechou as portas. “Eu queria ser atriz antes de virar cantora, mas era péssima nos testes”, revelou ao canal E! News à época do lançamento de “Nasce uma Estrela”, terceiro remake do filme de 1937. Contada por linhas tortas, a história de amor de Lady Gaga e a tela parece destinada a um final feliz. O Globo de Ouro pela atuação em “American Horror Story”, em 2016, já dava pistas de que a transição estava em curso.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

É um período interessante na vida da americana de sangue italiano que, aos 32 anos, experimenta um verdadeiro turnover em sua carreira. De 2008, ano em que estourou com o single “Just Dance”, até a indicação ao Oscar, muita coisa aconteceu na vida artística e pessoal de Lady Gaga. Há mais ou menos um ano, sua trajetória avassaladora parecia ter perdido o brilho e esgotado a fórmula de sucesso.

Foto: Arquivo Harper's Bazaar
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Depois de ter vendido 15 milhões de cópias do álbum The Fame, em 2008, seu último trabalho, Joanne, de 2016, estacionou na casa do milhão. Dois anos antes, seu álbum de jazz em dueto com o veterano Tony Bennett havia sido destruído pela crítica. Em 2015, Gaga chegou a declarar que estava devastada com a pane em sua carreira musical e que pensava em largar tudo. “Fico triste quando estou sobre- carregada de trabalho; sinto que me tornei apenas uma máquina de fazer dinheiro, minha paixão e minha criatividade ficaram em segundo plano”, desabafou à época.

Para piorar, sua vida pessoal também estava degringolando. A separação do ator Taylor Kinney depois de cinco anos de relacionamento a fez descer ao fundo do poço. Como desgraça pouca é bobagem, a cantora começou a sofrer de dores crônicas pelo corpo devido a uma fibromialgia descoberta durante a turnê do álbum Joanne, no início de 2018.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Enquanto concorrentes como Beyoncé e Taylor Swift lotavam estádios, Gaga era forçada a se apresentar em salas menores. Seu corpo não resistiu à pressão e os shows da perna europeia da tour foram suspensos em fevereiro. O documentário Five Foot Two, do Netflix, retrata bem esse período em que levantar da cama era um suplício para Lady Gaga. Para explicar o impacto da doença, ela chegou a declarar que era “um ciclone de ansiedade, depressão, trauma e síndrome do pânico. Tudo isso leva o sistema nervoso a um colapso, o que culmina em dores físicas insuportáveis”.

Nem mesmo seus looks polêmicos resistiram à derrocada. Aquela que em 2010 ha- via cruzado o red carpet do VMAs da MTV causando furor com um vestido todo construído com carne crua ou a que chegara, no ano seguinte, carregada em um ovo gigante na cerimônia do Grammy, mal conseguia segurar um duvidoso chapéu de caubói pink – usado durante a promoção de seu último disco. Em 2015, o site do Huffington Post tentava entender o fenômeno e publicava a seguinte manchete: “Lady Gaga era a maior estrela do planeta. O que aconteceu?”. Três anos depois, parece que Gaga deu a resposta com Nasce uma Estrela.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

E com o filme veio a redenção também nas roupas. Ela trocou os looks teatrais e lacradores por produções glamorosas dignas de uma estrela do cinema. Vestidos longos espetaculares assinados por Valentino, Saint Laurent ou Dior viraram seu uniforme. E lhe caem como uma luva. Lady Gaga nunca esteve tão bonita. De cara, ela foi ovacionada no Festival de Veneza, onde o longa dirigido por Bradley Cooper fez a sua estreia. Ele, que ouviu muitos conselhos dizendo para não fazer o filme, pois seria a pá de cal na carreira de ambos caso o projeto não decolasse, confiou em seu instinto. Era a terceira versão de um clássico, não havia espaço para erros. Clint Eastwood já havia cogitado e desistido de fazer a sua com Beyoncé em 2011.

Em 2015, Cooper finalmente decidiu realizar o filme e chamou Gaga, que ele tinha visto cantar La Vie en Rose. Ela teve de fazer testes para viver Ally, pois os investidores e o estúdio não estavam seguros da es- colha do diretor. Bastaram alguns minutos na primeira audição para que o papel tivesse dona. Não por acaso, a história da cantora frustrada que luta para sair do anonimato tem muita coisa em comum com os primeiros passos de Gaga na carreira. Ela bateu ponto nos bares em troca de cachês irrisórios e viu produtores sem escrúpulo lhe dizerem como devia se vestir ou se portar se quisesse ser uma estrela. De quebra, ainda, queriam dar suas composições para outras cantoras interpretarem. Ela não se vendeu. E venceu.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Acostumada a estampar capas de revista na última década – virou praticamente sócia da Harper’s Bazaar pelo mundo – por sua fase cantora, ela agora volta às primeiras páginas por seu talento como atriz. Gaga tem recebido um sem número de scripts para diferentes projetos nas telas. Ela finalmente controlou a fibromialgia e voltou a ser um ícone pop. Também reencontrou o amor, por quase dois anos, com o produtor musical Christian Carino, de quem se separou recentemente. E não pense que a carreira musical acabou: a nova-iorquina fechou recentemente um contrato de US$ 138 milhões por uma residência de um ano em Las Vegas e prepara um novo álbum, ainda para 2019.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Leia mais;
Vestido de Lady Gaga no Oscar já pode ser seu
Lady Gaga brilha no tapete vermelho do Oscar 2019
Lady Gaga rouba os flashes no Grammy Awards