"As pessoas não acreditavam que daria certo", lembra Foquinha sobre início da carreira de youtuber
Foto: Divulgação/Beto Maia

A cada dia mais, a profissão de influenciador digital se torna mais comum na sociedade e é normal ver pessoas largando empregos considerados tradicionais para se dedicar à esta carreira. Mas em 2015, o tabu em volta deste assunto ainda era muito grande. Por isso, personalidades como Foquinha, jornalista que trocou um cargo em um grande veículo nacional para abrir seu próprio canal no Youtube, se tornaram e continuam sendo referência para muitas pessoas.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

“As pessoas não acreditavam que daria certo o que havia planejado fazer. O Youtube ainda não era visto como uma possibilidade de trabalho de fato, de criação de conteúdo, principalmente para jornalistas. As meninas que estavam bombando naquela época, por exemplo, eram da área da beleza, da maquiagem, do humor e eu não me via muito naquele espaço. Não tinha nenhum grande youtuber fazendo conteúdo de cultura pop”, lembra Foquinha.

Hoje em dia, seu canal no Youtube tem mais de 1,9 milhões de inscritos e a criadora de conteúdo compartilha vídeos sobre as coisas mais interessantes do mundo pop, além de entrevistas com artistas e personalidades que mais bombam na atualidade. Em entrevista à Bazaar, Foquinha contou como foi essa transição profissional e compartilhou um pouco da sua rotina de criação. Leia o papo na íntegra abaixo:

Quais foram as principais mudanças na sua forma de trabalhar? E na rotina?

Minha rotina e forma de trabalhar mudaram completamente, porque esse trabalho é muito solitário! Saí de uma redação onde tinha muita gente, com uma equipe enorme e passei a trabalhar sozinha. Hoje, tem pessoas que trabalham comigo, mas são poucas, nem se compara à quantidade de gente com quem eu convivia antes.

E sem contar que, agora, eu sou a dona do meu próprio negócio. Antes, eu trabalhava para marcas, escrevia em nome de marcas, então não era sobre mim, não era propriamente a minha visão que passava no meu trabalho, tinha que seguir um padrão e uma forma de pensar. E tudo era supervisionado por outras pessoas. Agora, quem define tudo isso sou eu, sou dona do meu próprio trabalho, e tudo que produzo depende completamente de mim. É muita responsabilidade, mas, ao mesmo tempo, uma das partes mais gratificantes do meu trampo.

Você sente falta de algo da sua rotina em outras publicações?

Sinto falta desse clima gostoso de trabalhar na redação, numa rotina saudável, com pessoas que são suas amigas, com um clima divertido… era muito bom. Também gostava muito de ir para rua fazer pautas, acabo sentindo falta disso também. E, hoje em dia, tenho muito mais pressão no meu trabalho, antes era bom ter mais pessoas com quem compartilhar, ter trocas… Atualmente tenho também, mas, como tudo que eu produzo depende de mim, e que bato o martelo final, a pressão é ainda maior.

Você acha que a sociedade está mais aberta para enxergar influenciadores digitais como uma profissão?

Com certeza! Está muito mais aberta, e cada vez mais, inclusive! Se for pensar, passou pouco tempo de 2015 para cá, mas as coisas já mudaram muito. As pessoas não entendiam muito bem, rolava um preconceito maior sobre influenciadores digitais e, hoje, vejo que tanto o público, quanto as marcas, estão entendendo que é um trabalho e como esse trabalho funciona.

Qual conselho você daria para pessoas que querem começar a investir em si mesmas como plataformas?

Acredito que, antes de qualquer coisa, tem que ter planejamento. Você não vai ganhar dinheiro de cara, não vai ser um dinheiro fácil… Então, se você vai largar um trabalho, como eu fiz, é importante você se planejar financeiramente, guardar um dinheirinho e saber como investir. Você vai precisar investir, esse trabalho é investimento o tempo todo, porque a gente depende do nosso trabalho para ganhar dinheiro. Cada dia é um dia, cada semana é uma semana. É preciso se planejar bastante para não passar perrengue, mas não tem jeito, rola muito perrengue.

E um conselho que eu daria para quem quer trabalhar com internet, seria para tentar ser original, não fazer o que todo mundo está fazendo, só porque está todo mundo fazendo, entende? Tentar encontrar a sua essência, quem você é nesse meio, e o que você quer fazer… e fazer o conteúdo do seu jeito. Eu não vejo problema nenhum seguir tendências, aliás acho necessário e superválido, mas você pode fazer o que já estão fazendo, à sua própria maneira, de forma única. É muito importante trazer esse diferencial, algo que é único, da sua personalidade, para se destacar.

Foto: Divulgação/Fabiano Leone

Como é lidar com celebridades em seu trabalho? Ainda fica nervosa antes de entrevistar algum famoso?

Eu entrevisto celebridades desde 2008, é bastante tempo, mas é claro que eu ainda fico nervosa dependendo do artista, das circunstâncias… Geralmente entrevista internacional me deixa nervosa ainda, porque é tudo muito corrido, muito rápido, é em outra língua, outro estilo, e a gente nunca sabe o que esperar. E tem uma pressão maior, de entregar uma entrevista legal, com pouco tempo e em outro idioma. São muitos fatores que me deixam nervosa, mas mais nesse sentido da pressão, de conseguir realizar a pauta que eu quero com aquela pessoa…

Um exemplo recente de quando eu fiquei nervosa é de quando eu entrevistei o elenco de La Casa de Papel. É uma série que, além de estar em alta, eu amo, pessoalmente sou fã. E, além disso, eu descobri que a a conversa tinha que ser em espanhol pouco antes da entrevista – e, detalhe: eu não falo espanhol! Na minha cabeça, eu poderia entrevistar eles em inglês, como acontece muito com os artistas que falam espanhol. Mas, como eu não podia perder essa oportunidade, corri, dei meus pulos, falei com uma amiga minha argentina que me ajudou com a pauta e com a pronúncia e fui na fé! O elenco estava dividido em duas salas e foi tudo bem complicado, nesse estilo de entrevista de apenas 5 minutos, e ainda em uma língua que eu não domino e não estava confortável falando… Dei aquelas engasgadas, mas no fim deu certo.

Quem ainda não entrevistou e sonha entrevistar?

Eu quero entrevistar muita gente ainda! Meu sonho, sonho mesmo, é entrevistar a Rihanna. Eu amo a Rihanna como artista, como mulher! Mas é difícil, porque ela não costuma dar muitas entrevistas, assim como a Beyoncé, que eu também adoraria entrevistar. E, claro, as Kardashians! Eu sei tudo sobre a vida delas e tenho vários vídeos no meu canal sobre elas e sobre o reality “Keeping Up With The Kardashians”, então seria demais poder entrevistar qualquer uma delas!

Atualmente também eu tenho um sonho de entrevistar a Cardi B, porque que eu gosto muito dela, da personalidade, e das músicas. E falando do Brasil, eu vou falar de uma pessoa que eu já entrevistei muitas vezes, mas nunca no meu canal: a Anitta. Eu já fiz várias capas dela na Capricho, já entrevistei ela em TV, em outros veículos, mas no meu canal nunca rolou uma entrevista com ela e eu quero muito que isso aconteça.

Como é trabalhar ao lado do seu namorado? O processo criativo rola melhor por serem um casal?

É muito legal trabalhar junto com o meu namorado! A gente tem um podcast juntos, chamado “Donos da Razão”, e o André é jornalista e trabalha como roteirista, na área de entretenimento. E eu também sou jornalista da mesma área. A gente é super parecido e se dá muito bem nesse sentido!

É engraçado porque, lá no início do podcast, a gente fazia roteiros bem certinhos, com esqueleto e tudo, mas, ao longo dos episódios, fomos percebendo que funcionava muito mais temas mais soltos, que não nos prendessem ao roteiro, porque muita coisa foi surgindo durante o papo, fluindo naturalmente.

Sobre o processo criativo: tudo o que acontece na nossa vida vira tema para o podcast. Tipo, quando acontece algo, a gente para, se olha e fala: “Isso é história para o podcast” ou “Vamos fazer o próximo sobre isso”. A gente usa ganchos do que acontece na nossa vida, tanto como casal quanto individualmente, para levar para o podcast. Acaba ficando tudo muito natural. E também nos ajudamos bastante nos nossos trabalhos, tanto eu no trabalho dele, como ele no meu trabalho, porque nós somos da mesma área.

É importante separar a vida pessoal da profissional na hora de se mostrar nas redes sociais? Como encontra um equilíbrio saudável?

É muito importante separar vida pessoal da profissional! Eu acho que o trabalho do influenciador, de pessoa pública na internet, é complicado justamente por isso, porque acaba que tudo vira uma coisa só. A gente tá ali mostrando nossa vida e as coisas se misturam. Sinceramente, eu ainda estou descobrindo a forma saudável de lidar com isso, porque para mim é um desafio. Eu sou muito workaholic, sempre fui, e trabalhar tendo seu próprio negócio é acordar trabalhando e ir dormir trabalhando.

É complexo, porque, todos nós precisamos ter tempo para cuidar de nós mesmos. Para mim, o lazer e o trabalho acabam se misturando porque que eu trabalho com que eu gosto, eu amo o que eu faço, amo cultura pop, música, cinema, séries, celebridades… Então acaba que eu estou o tempo inteiro trabalhando, mesmo quando também estou me divertindo.

Então, eu tento cada vez mais separar um tempo para cuidar de mim, fazer as minhas coisas, me afastar da internet um pouco também… Às vezes, eu tiro um dia para ficar sem mexer no celular, e faço isso junto com o André. Quando estamos muito ansiosos, estressados, nessa pegada frenética, a gente tira um dia do fim de semana e fica sem celular, sem ver nada na internet. Isso ajuda muito a gente a ser menos ansioso, a pensar mais na gente, curtir a vida fora da internet.

Saber dosar, ficar um pouco longe de tudo é muito importante, para cuidar de si mesmo, fazendo o que dá prazer fora do trabalho.

Quais seus planos para o futuro?

Atualmente, eu estou preferindo ter metas mais curtas, principalmente nesse ano, que foi e está sendo muito louco, que a gente não tem muita noção do que pode acontecer, como vai ser semana que vem, mês que vem, e quem dirá ano que vem. É até mais seguro, para as nossas expectativas, seguir pequenas metas!

Mas um grande sonho é ter um programa ou apresentar um programa numa grande marca de entretenimento, seja num canal de televisão ou em uma plataforma de streaming. O sonho dos sonhos é ter um talk-show!