Luciana Wodzik, diretora da Arezzo – Foto: Marcus Leoni

Na mente inquieta de Luciana Wodzik um turbilhão de ideias opera em constante ebulição. Enquanto alguns paralisaram e outros “panicaram” frente aos desafios impostos pela pandemia, a diretora da Arezzo fazia a máquina rodar. “Bem vindos à Arezzo Home”, dizia ela no lançamento de uma nova categoria de calçados homewear – para ficar em casa – em meados do ano passado, tão logo o mundo se viu preso ao home office.

A ideia de descer do salto e aderir à trend comfy partiu dela – e rápido – para se adaptar ao momento distópico do mercado e não perder a conexão com as consumidoras. “Uma coleção adequada para o momento, com uma paleta de cores incríveis, levando muito conforto às nossas clientes”, conta à Bazaar.

O grupo de marcas que ela comanda como diretora executiva, que tem ainda Anacapri, Fiever e Alme, conseguiu se ajustar ao novo mundo reinventando toda a sua narrativa, que ficou muito mais voltada ao apoio e à força feminina que o momento delicado pedia (e ainda pede) com urgência.

Afinal, estamos mais sobrecarregadas do que nunca, tentando equalizar trabalho e vida familiar, ansiedades, medos e incertezas, sem desequilibrar. A moda, como se sabe, foi um dos setores mais impactados pela crise. Mas, há mais de 20 anos na empresa, Luciana usou de sua experiência para fazer a marca permanecer nos pés das brasileiras. “Minha receita é agir com velocidade, com paixão. Focada na nova cultura digital, na omnicanalidade onde o cliente é o centro. É uma empresa de gente movida a desafio, com um pulso firme na gestão e visão de futuro”, diz.

Outra receita do sucesso da diretora da Arezzo é reinventar-se quantas vezes for necessário. “A moda é um setor extremamente adaptável e nervoso, que requer medidas rápidas para entrar no espírito do momento”, ensina. Para tanto, conta com seu histórico de liderança (ela comandou a marca interinamente, junto com Alexandre Birman, em 2015, depois, assumiu Fiever e, ao longo de 2018 e 2019, conduziu a Schutz) e a paixão por novos desafios.

Sem falar, claro, em sua visão de futuro e senso de urgência. Assim que foi decretado o primeiro lockdown, com fechamento de lojas físicas, o grupo teve que rever calendários e adaptar a marca ao novo contexto. Tudo sem passar insegurança a funcionários e franqueados. “Passamos a trabalhar com lançamentos menores e com maior frequência. A cada 15 dias, temos um novo lançamento, com ações 360 de produtos”, conta. Ou seja, não faltam novidades – e, mais uma vez, projetos desafiadores. “Valorizo ainda mais cada dia, tento estar presente de corpo e alma em tudo o que faço.”

O e-commerce cresceu muito durante todo esse período de adaptação e o uso de ferramentas digitais segue como chave para os bons resultados. A marca atua fortemente em todas as redes sociais, e já soma quase seis milhões de seguidores no Instagram. Essa, aliás, tem sido uma plataforma considerável de vendas. “Entendemos o que as clientes querem e, a partir daí, buscamos fazer produtos atendendo os seus desejos, adequando o atendimento, onde ela escolhe a forma como quer comprar e receber seu produto.”

Formada em Administração e com MBA em gestão de varejo, Luciana conta que o interesse pela moda veio como resultado de sua expressão pessoal. “De alguma forma, sempre me atraiu a ideia de liberdade de poder se expressar, de ser você em suas cores, roupas e makeup”, diz. Seu estilo de comando contagia. “Gosto de construir e entregar em time; brinco que tenho um faro apurado para identificar e posicionar talentos dentro de uma equipe. Gosto da liderança pelo exemplo, então, observo minhas atitudes para inspirar pela prática.”

Pergunto como ela definiria, em uma palavra, o momento que estamos vivendo. “Coragem”, Luciana responde de bate-pronto. É o que a executiva faz para permanecer calma e focada, diante de um mundo tão desafiador: “manter o coração cheio de coragem e as pessoas que eu amo por perto. Mesmo que o perto seja por vídeo.” O mundo mudou – e ela também.