At work: Raquel Vitti Lino toca uma importadora de vinhos

Ela trabalha com pequenos produtores da Borgonha e é sócia do projeto Gaveta, que promove troca de roupas

by redação bazaar
Foto: Nicolau Spadoni, com styling de Ariel Bretas

Foto: Nicolau Spadoni, com styling de Ariel Bretas

Por Ana Ribeiro

Raquel Vitti Lino queria trabalhar com moda, cursou modelagem no Senac, depois fez faculdade de moda na Faap e chegou à posição deliciosa de criar estampas para grifes como Lolitta (onde atuou por cinco coleções) e Cris Barros. Enquanto isso, a paixão de seu pai, a Anima Vinum, empresa de importação de vinhos selecionados de pequenos produtores na região da Borgonha, na França, estava precisando de uma administração mais cuidadosa.

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Raquel foi lá fazer, sem ter muita informação sobre o assunto, experiência nenhuma – ela própria (aqui entre nós) prefere tomar uma cerveja –, mas com vontade de aprender e de “tomar conta das coisas que meu pai construiu”. O sr. Alaor Pereira, engenheiro químico, já estava bastante ocupado com a Aqia, empresa de matéria-prima para a indústria de cosméticos que fundou 30 anos atrás.

“Assumir a Anima Vinum foi a melhor faculdade de administração que existe, eu aprendi na prática, fui indo, fui fazendo”, conta ela. Aos 34 anos, Raquel é assim: segue as ideias que surgem à sua volta e dá um jeito de fazê-las acontecer. Não tem medo de carregar caixas, fazer planilhas e colocar as coisas de pé. “Sou especialista em apagar incêndios”, brinca.

Para encurtar a história: deu tudo certo, Raquel hoje conhece o que precisa de vinhos, de atender o público que vai à loja, de e-commerce, de ações de marketing. Seu lado artista é acionado sempre, como quando chega a hora de criar um banner, um anúncio ou o rótulo para um lote de vinho escolhido especialmente para um nascimento, aniversário ou casamento, ideia que fez muito sucesso.

Sua porção criativa não descansa muito, aliás. No apartamento em que mora com o marido, o advogado Francisco Meirelles, Raquel aponta os móveis que ela mesma desenhou para o ateliê, o “futon elevado”, que fica na varanda, e até o banco para o qual ela própria fez o traçado das cordas, com nós que aprendeu no Pinterest.

A saudade da moda ela mata com o projeto Gaveta, que promove troca de roupas (já intermediou a barganha de 70 mil peças) em encontros que acontecem no Rio e em São Paulo. “Essa ideia surgiu de uma conversa entre amigas”, diz. “A gente estava naquela situação em que o armário está cheio de coisas e você não tem nada para vestir. Decidimos trocar roupas entre nós, e a Giovanna (Nader) amanheceu com essa ideia de ampliar o circuito das trocas.”

As duas amigas viraram sócias no Gaveta, que surgiu em 2013 e já teve 10 edições. Além de promover vida mais longa às peças, o projeto doa os itens não selecionados para instituições de caridade e pessoas necessitadas. O ateliê que Raquel tem no apartamento de 170 m², na Rua Oscar Freire, é também um escritório, onde ela passa ao menos um dia da semana concentrada no silêncio criativo. E, assim, o sonho do pai se consolidou com o trabalho da filha, e o sonho da filha frutificou.

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