Thalita Rebouças – Foto: Divulgação

A personagem desta seção adora inventar personagens – de escritora de sucesso para o público adolescente, a carioca Thalita Rebouças se transformou em figura constante nas produções audiovisuais do País. “Criar pessoas, inventar rotinas e dar vida a gente comum é o maior dos meus prazeres. É a coisa que sei fazer melhor. Meus livros não têm grandes histórias, mas têm personagens com os quais qualquer pessoa se identifica.”

De tão fortes e amados, eles saíram dos livros e ganharam as telas em obras como “É Fada!” (2016), protagonizado por Kéfera Buchmann e Klara Castano, e “Fala Sério, Mãe” (2017), com Ingrid Guimarães e Larissa Manoela. Logo mais, outra obra da autora ganhará uma versão nos cinemas, a partir da adaptação do best-seller “Por Que Só as Princesas se Dão Bem?” (2013), previsto para ser rodado em 2022.

Recentemente, os personagens de Thalita começaram a ganhar vida fora das páginas pelas mãos e criatividade da própria autora, que nos dá pistas de sua personalidade agitada e incansável: “Por eu gostar de inventar personagens, sou uma pessoa muito aberta. Gosto de conhecer pessoas, e gente de verdade me inspira. Sou muito apaixonada pelo ser humano. Sou intensa, escorpiana”, diz ela à Bazaar, da sala de embarque do aeroporto do Rio de Janeiro, antes de suas (merecidas) férias.

Com a fama de suas histórias, não demorou para que fosse procurada por produtores e diretores para que suas narrativas saíssem do papel e ganhassem cara, som e ação. “Entendi que as adaptações podem ser legais com os parceiros certos. Tenho tido a sorte de trabalhar com pessoas que respeitam a minha obra e me respeitam, acima de tudo”, conta, revelando que é uma autora que se envolve nos detalhes. “Sugiro pessoas, escalo o elenco quase. Vejo os testes, me meto nos figurinos, na preparação dos atores. Autora presente, sou eu”, afirma.

Thalita também tem se aventurado em produções originais na Netflix, que lançou as duas adaptações mais recentes de suas obras, “Pai em Dobro” (2021) e “Confissões de uma Garota Excluída” (2021), disponibilizadas em streaming neste ano. “Eles me procuraram dizendo que seria uma tela em branco para eu criar.”

Já prepara filmes e séries para para o próximo ano, mas revela que ainda sente dificuldade com as “regras” deste tipo de escrita. “Ainda acho chata a rigidez sobre número de páginas, momentos de viradas na trama, mas vou me acostumando. O que gosto mesmo é de criar diálogos. É meu lugar.”

Aos 47 anos, a jornalista de formação tem 25 títulos publicados em mais de 20 países (entre eles, Portugal, México e Argentina), com mais de 2,5 milhões de livros vendidos só no Brasil. Chegou a começar a faculdade de direito, mas largou para se dedicar à comunicação.

Passou por redações do Rio de Janeiro, mas a vontade de escrever os não-fatos sempre a jogou para o caminho libertário da ficção. “Quando fazia matérias, ficava muito injuriada por não poder inventar. O jornalismo acabou me mostrando que eu precisava fazer ficção”, completa.

O empurrão da vida, então, veio quando, ao escrever o livro “Um Caso de Cativeiro”, com seu ex-marido, a editora gostou de sua escrita e encomendou uma obra apenas dela. Desde então, é a história conhecida aos olhos dos leitores: “Quando soube que meu livro ‘Traição Entre Amigas’ tinha vendido 4 mil exemplares, em uma editora minúscula, que nem existe mais, com zero divulgação e distribuição, isso me animou muito e pensei: ‘Vou largar tudo, e larguei’. Sou bem louca, né?”

A franquia “Fala Sério”, voltada para o público infantojuvenil e estreante em meados da metade da primeira década deste século, a alçou para voos ainda maiores: milhares de exemplares vendidos, quilométricas filas em eventos de leitura e uma comunidade de fãs que deram match com suas histórias.

Com o passar dos anos, o público, majoritariamente adolescente, cresceu. A partir daí, inevitavelmente, Thalita passou a escrever para mais e diferentes pessoas com diversas experiências, crenças e vivências. Não enxerga esse processo como uma transição, mas, sim, como a busca por novos leitores para suas obras. “Quero, também, falar com a mulher que sou, na casa dos 40; com mulheres de quase ou mais de 50; e, sempre, com as minhas meninas, que hoje têm 30 anos, que vão para as filas me pedir autógrafo”, diz. “É mais de uma Thalita. É essa que vai falar de menopausa, de sexo, de separação, de sexualidade. Quero falar com todo mundo.”