Foto: Acervo pessoal/ Daniel Aguiar

Dançar. Essa é a razão da vida de Marina Droghetti. Aos 32 anos, a bailarina com formação no Brasil e na Europa hoje tem um estúdio onde ensina dança com seu método Ballet Build.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Marina começou a dançar cedo, ainda criança fazia aulas de jazz, mas àquela época não se imaginava na profissão, pois sempre pensou em ter uma carreira acadêmica. “Eu dançava, mas eu não gostava muito do balé clássico. Eu não tinha isso ainda como uma profissão, nem a minha família. Eu não tinha nenhuma referência, não tinha nenhuma amiga bailarina, então para a gente era totalmente um hobby”, conta.

Foto: Acervo pessoal

Foi na Europa que ela se reencontrou com a dança. “Fui fazer faculdade de publicidade em Madri e foi lá que eu comecei a me reconectar com o balé.” Aos 20 anos, morando na Espanha e já trabalhando com publicidade, ela conta que gostou muito de uma professora de dança e começou a fazer aulas de balé clássico. “Foi o meu primeiro contato mais intenso com a esse tipo de dança desde que saíra do Brasil.”

Mas ela acabou voltando para São Paulo, onde trabalhou com direção de arte. Só que no dia em que ia ser promovida ela havia acabado de assistir ao filme “Cisne Negro”, o que mudou sua vida. “Me deu um start. Me lembro que pensei ‘isso quer dizer ser bailarina’. E aí eu resolvi que eu queria dançar, me demiti do emprego para me dedicar à dança”, relata.

Foto: Acervo pessoal/Daniel Aguiar

Cada vez mais ligada à arte que escolhera, Marina disse ao pai que precisava voltar à Europa para estudar dança. Como já havia passado quatro anos fora, o pai respondeu que a ajudaria com cursos, mas não com uma faculdade porque não queria estar longe da filha novamente.

Foi quando Marina começou suas viagens para se aperfeiçoar.  Em 2012, foi para Paris e para Berlim, onde estudou e fez vários cursos. “Fui correr atrás do tempo perdido, da técnica, porque eu tinha 22 anos quando fiz essa escolha.”

Foto: Acervo pessoal

E era para ser. Quando ela foi fazer os cursos em Paris, conseguiu seu primeiro emprego na dança. Um casal conhecido, que a achava talentosa, convidou-a para participar de um espetáculo no Museu Rodin com bailarinas muito conhecidas, o que a deixou surpresa e feliz. “Três meses depois eles me chamaram para ir a Paris novamente. Fui para dançar em outro lugar, na Bolsa de Valores de Paris. Aí voltei para o Brasil e trabalhei numa companhia chamada Pia Fraus, mas sempre mantendo essa relação com a França”, explica.

foto: Acervo pessoal

Ela então conheceu um coreógrafo chamado Phillipe Decouflé. Foi ver um espetáculo dele no Teatro Alfa, três vezes, e em todas elas esperava para conhecê-lo, na última conseguiu e deixou seu contato com ele. Decidida, foi atrás dele em Paris, e conta que foi difícil encontrá-lo. “Lembro-me que era a minha última noite na cidade e uma pessoa acabou conseguindo o telefone dele para mim. Aí eu fui dançar para ele e acabou que Decouflé me ofereceu um trabalho que eu, na época, acabei não aceitando, depois me arrependi. Mas ele influenciou muito os meus trabalhos.”

Foto: Acervo pessoal/Daniel Aguiar

De volta a Paris, agora para passar seis meses, foi em busca do diploma EAT (Exame de Aptidões Técnicas), que é reconhecido pela Ópera de Paris – e que hoje em dia é o diploma que qualquer bailarino na França tem que ter para dançar. “Foi durante esta viagem que eu me encantei com um método que se chama Barra a Terre, que foi desenvolvido por um russo chamado Boris Knyazev. Ele trabalhava em um edifício que era tombado, então ele não podia colocar as barras na parede, foi aí que ele criou o método usando o chão como o apoio, a barra, passando todos os movimentos para o solo. Esse método é muito difundido em Paris, mas pouco na Europa. Eu ainda fui estudá-lo na Espanha, na Itália e em Portugal”, conta.

Foto: Acervo pessoal

Com a técnica de Barra a Terre, com o qual já dava aulas, Marina decidiu incrementar o método com outros movimentos funcionais, como pilates e  alongamento, e deu o nome de Ballet Build.

Em 2015, ela abriu seu estúdio nos Jardins, em São Paulo, o Ballet Build, cujo nome é homônimo ao método que criou. “O estúdio funcionou até 2018, aí eu o encerrei por um ano para produzir o espetáculo ‘Revir’.”

Foto: Acervo pessoal

Com o espetáculo ela queria muita passar uma mensagem espiritual sobre o ego, porque sua ideia sobre espetáculo de dança, não é só fazer uma dança bonita, mas uma dança que cause um impacto, uma autorreflexão e uma vontade de evolução no público.

Foto: Acervo pessoal/Daniel Aguiar

Após a temporada, que foi interrompida pela pandemia – Marina planejava viajar o País apresentado “Revir” -, ela reabriu o estúdio com novo endereço, um espaço bem maior, desta vez nas proximidades do shopping Iguatemi. O estúdio Ballet Build é acessível para todas as idades. Marina já teve aluna que começou aos 73 anos, e tem muitas na faixa dos 60, 65 anos, que estão começando.

foto: Acervo pessoal

“A pandemia foi uma coisa muito interessante para mim, porque eu nunca tinha expandido para o online, e isso cresceu de uma maneira que eu consegui 170 alunos. Dei aula para pessoas de Nova York, Lisboa, Roma, Ibiza. Neste período de isolamento eu também criei um site (que estreia em breve), no qual vai ser possível as pessoas terem contato com o método e se inscreverem para comprar aulas.

Ela ainda aproveitou o período de isolamento para criar um novo tipo de aula, a Energy Build, que funciona como uma terapia, é uma aula guiada, em que ela leva as pessoas a se conectarem com a infância, com os medos, a essência, a liberar tudo aquilo que não serve mais e abrir caminho para o novo.

Foto: Acervo pessoal

“Veio para ajudar as pessoas. Essa aula foi oferecida gratuitamente durante sete meses, aos domingos. Ela foi criada por conta do espetáculo ‘Revir’, que tem todo um aspecto espiritual e eu também queria ter algo que tivesse uma ligação em forma de aula. Com a Energy Build fui contratada para fazer aniversários, eventos em empresas.” Ou seja, sua determinação mais uma vez deu certo.

Foto: Acervo pessoal/Arnando J.G. Torres

Atualmente, Marina já está com aulas presenciais, seguindo, obviamente, todas as medidas de segurança implantadas pelos órgãos responsáveis. Ela conta que começou a receber relatos de mulheres que recuperaram a autoestima, que saíram de depressão, conseguiram terminar relacionamentos tóxicos. “É muito gratificante. Eu canso de receber alunas que vêm aqui e se emocionam, porque a aula mudou a vida delas.”

Foto: Acervo pessoal/Arnaldo J.G. Torres

Suas aulas foram se expandindo e mudando, ganhando novos formatos. Atualmente ela separou o Ballet Build em dois tipos: Ballet Build e Acessórios (que utiliza materiais como arcos, cilindros, bola, pesinho), que visa a intensificar a força e melhorar o desempenho da aluna na aula de Ballet Build.

Foto: Acervo pessoal

Multiartista, Mariana não se contenta com o que alcança, ela quer mais. “Como eu vim da área de criação, de publicidade, eu já passei pelas artes plásticas, fiz exposição de fotografia, eu desenho. Outra coisa que me interessa muito é atuar em diferentes plataformas”, conta.

Foto: Acervo pessoal/Emilia Brandao

Em andamento, Marina tem vários outros projetos,   retomar a temporada de “Revir, tem o Sena (que tem como objetivo abordar sempre a espiritualidade), o espetáculo “Le Noces” (“As Núpcias”), que lhe foi encomendado e que fala sobre o amor. Ele foi executado no Masp, onde havia um casal e 35 pessoas assistindo virtualmente. Há ainda o “Foreword”, que fala sobre o futuro e sobre a essência humana se perdendo ao longo do tempo.

Foto: Acervo pessoal/Emilia Brandao

A bailarina ainda pensa em unir dois de seus espetáculos, o “Revir” e o “Le Noces” em um só, apresentando em duas fases, um de 50 minutos e outro, o “Le Noces”, de 20 minutos.

Fora isso, Marina está sempre de malas prontas para ir a Paris, onde vai para se aperfeiçoar e fazer workshops. “Agora eu estou criando uma parceria com Paris para levar o método (Ballet Build) para lá também.”

E com gosta de viajar, outra ideia da dançarina  são viagens com alunas para imersão em dança em Paris. Já havia uma marcada, que teve de ser adiada por conta da pandemia.

Ah, e ela ainda tem uma marca de roupas, chamando Marina, cujas peças são desenhadas por ela e estão à venda no estúdio. Agora é só você acessar o Instagram de Marina e marcar uma aula para pode conhecer tudo o que ela tem a oferecer.