Beyoncé usa capa e body Valentino, chapéu Stetson, brincos e anel Tiffany & Co. e luvas Wing & Weft Gloves – Foto: Campbell Addy, com styling de Samira Nasr e Marni Senofonte, cabelo de Jwara e maquiagem de Francesca Tolot

Por Kaitlyn Greenidge

Nascida no início dos anos 1980, sendo a última geração a viver uma vida analógica e a primeira a se reinventar no digital, a infância da Beyoncé coincidiu com a ascensão de equipamentos de gravação caseiros – câmeras de vídeo, sistemas estéreos que permitiam captar a própria voz, teclados capazes de encontrar qualquer som que você quisesse, e computadores pessoais que sintetizavam tudo isso.

As meninas antes dela tinham apenas espelhos para refletir sobre si mesmas. Sua geração foi a primeira a experimentar a estonteante precisão do playback. Pode ser uma força desestabilizadora; uma coisa é ouvir a sua voz tal como você a reconhece, e outra é a voz que retorna depois de apertar o botão record.

Beyoncé Knowles-Carter cresceu durante a revolução digital, e saber como navegar por essa dissonância faz parte de seu superpoder artístico. Ela transformou sua própria empresa, Parkwood Entertainment, em um conglomerado de mídia que inclui até mesmo uma linha de roupas, a Ivy Park.

Agora, é mãe de três; Blue Ivy, de 9 anos, e os gêmeos Rumi e Sir, de 4, que teve com seu marido Jay-Z. O casal icônico acabar de ser nomeado como o rosto da Tiffany & Co., que foi comprada no início deste ano pelo grupo LVMH e que, com sua ajuda, está se relançado. Ela também está trabalhando em novas músicas junto com uma série de outros projetos que prometem superar antigas barreiras e lançá-la em um novo território.

É assim que eu soo? É isso o que eu quero enviar ao mundo? Essas são perguntas cujas respostas são renovadas a cada década de sua vida. Agora, aos 40, Beyoncé ouve sua própria voz sozinha.

Beyoncé Knowles-Carter usa look total Ivy Park X Adidas, brincos e pingente, Tiffany & Co. – Foto: Campbell Addy, com styling de Samira Nasr e Marni Senofonte, cabelo de Jwara e maquiagem de Francesca Tolot

Você completa 40 anos no dia 4 de setembro. Refletindo sobre a sua vida até agora, o que cada década te ensinou?

A primeira década da minha vida foi dedicada a sonhar. Por ser introvertida, eu não falava muito quando criança. Passava a maior parte do tempo com minha imaginação. Hoje sou grata por aqueles anos de silêncio. Ser quieta me ensinou a ter empatia e a habilidade de me conectar e me relacionar com pessoas. Já não sou mais tímida, mas não tenho certeza de que eu sonharia tão alto quanto sonho hoje se eu não tivesse passado por aqueles anos complicados, imersa em meus pensamentos.

Desde meus 7 anos já participava de competições de canto e dança. Quando estava no palco, me sentia segura. Muitas vezes eu era a única menina preta, e foi assim que eu percebi que teria que cantar e dançar duas vezes mais intensamente. Eu tinha que marcar presença no palco, ser sagaz e encantar se quisesse ganhar. Aos 9 anos, comecei a ter aulas de canto com um cantor de ópera. Aos 10, já tinha pelo menos 50 ou 60 músicas gravadas em estúdio. Isso foi antes do Pro Tools, quando gravávamos por fita.

Eu tive minha primeira lesão vocal aos 13 anos, depois de cantar por muitas horas. Nós tínhamos acabado de assinar o primeiro contato de gravação, e eu temia ter desenvolvido nódulos que pudessem destruir minha voz e carreira. Os médicos me recomendaram um descanso vocal durante todo aquele verão, e eu fiquei em silêncio mais uma vez.

Minha adolescência foi sobre esforço. Eu cresci ouvindo essa passagem de Tiago 2:17, que dizia que “a fé, se não tiver as obras, está morta em si mesma”. Ter a visão e intenção não era suficiente; tive que colocá-las em prática. Eu me comprometi a sempre ser uma aluna e estar aberta ao crescimento. Ninguém na minha escola sequer sabia que eu cantava porque eu raramente falava. Minha energia era direcionada ao Destiny’s Child e ao sonho de que conseguiríamos um contrato e nos tornaríamos cantoras. Sinto que não tive tempo de me divertir ou sair com os amigos.

Sacrifiquei muitas coisas e fugi de qualquer distração possível. Pensava que, por ser uma mulher negra, não poderia falhar. Sentia toda a pressão externa e os olhares esperando para que eu caísse ou cometesse um erro. Não podia decepcionar minha família depois de todos os sacrifícios que eles fizeram por mim e pelas meninas. Ou seja, eu era a adolescente mais cuidadosa e profissional, e isso me fez crescer rápido.
Queria quebrar todos os estereótipos da superestrela negra, seja sendo vítima de drogas ou álcool, ou do absurdo equívoco de que as mulheres negras eram raivosas. Eu sabia que tinha recebido esta oportunidade incrível e senti que tinha uma chance. Recusei-me a estragar tudo, mas tive que desistir de muita coisa.

Meus 20 anos foram sobre construir uma base sólida para a minha carreira e estabelecer o meu legado. Eu estava muito focada em ter sucesso comercial e “números um”, e em ser uma visionária, independentemente de quantas barreiras eu tivesse que romper. Fui puxada até meus limites. Aprendi o poder de dizer não.

Aos 27 anos, tomei controle da minha independência e fundei a Parkwood Entertainment. Na época, não havia nenhuma companhia que fizesse o que eu precisava fazer ou que tocasse os negócios como eu queria tocar. Então, criei esse conglomerado multifuncional que era uma agência criativa, gravadora, produtora e empresa para produzir e trabalhar em projetos que significavam tudo para mim. Eu queria ser minha própria agente e ter uma companhia que colocasse a arte e a criatividade em primeiro lugar.

Juntei todos esses visionários e pensadores independentes para colaborarem comigo. Queria que mulheres fortes ocupassem cargos importantes na minha companhia quando a maior parte da indústria era dominada por homens. Queria colaboradores que não estivessem cansados do mundo corporativo e não tivessem medo de arrasar comigo quando surgisse com ideias não convencionais, um time que me desafiasse, mas não estivesse condicionado a dizer que eu não deveria fazer algo.

Eu lembro de estar em uma reunião discutindo dados, e me disseram que uma pesquisa descobriu que meus fãs não gostavam das minhas fotos em preto e branco. Me disseram que eu não iria vender se não estivesse colorido. Isso foi ridículo. Me tirou do sério o fato de uma agência poder ditar o que meus fãs queriam baseados em uma pesquisa. Com quem eles falaram? Como foi possível generalizar tanto as pessoas? Esses estudos eram precisos? Eram justos? Estavam incluídas todas as pessoas que eu queria elevar e iluminar? Não estavam. Foi um gatilho para mim quando disseram “esses estudos mostram…” Eu estava exausta e irritada com essas empresas corporativas nas quais baseei todo o projeto de fotografia P&B, que incluía vídeos como o de “Single Ladies” e “If I Were a Boy”, e todo o trabalho artístico de Peter Lindbergh para “I Am…Sasha Fierce”, que acabou sendo meu maior sucesso comercial até hoje. Tento manter emoção e espírito nas minhas tomadas de decisão.

Estava muito interessada em produção audiovisual e o meu primeiro projeto foi a direção do filme do meu show “I Am…World Tour”. Aprendi como editar e cortar sozinha no Final Cut Pro, e isso foi só o começo de uma nova paixão e expressão criativa que acabou desencadeando na criação do álbum visual autointitulado Beyoncé, e depois Lemonade, “Homecoming” e “Black is King”.

Os meus 30 anos foram sobre começar uma família e minha vida se tornando algo além da minha carreira. Eu trabalhei para curar o trauma geracional e transformei meu coração partido em uma arte que ajudaria a levar a cultura adiante e esperançosamente viveria muito mais do que eu. Meus 30 foram sobre cavar mais fundo. Em 2013, eu comecei a “BeyGOOD” para compartilhar a ideia de que todos nós poderíamos fazer alguma coisa para ajudar os outros, algo que meus pais incutiram em mim desde muito jovem – inspirar outros, ser educada, generosa e boa. Nós focamos em muitas áreas que precisavam de ajuda, incluindo vítimas de furacão, educação com direito à bolsa em faculdades e universidades americanas, um programa de bolsas na África do Sul, direitos das mulheres, apoio aos negócios de minorias, assistência a famílias com necessidade de alojamento, crise hidráulica, cuidados pediátricos, e vítimas da pandemia.

A “BeyGOOD” se tornou uma iniciativa global para promover suporte em âmbito doméstico e internacional. Sempre foi importante para mim ajudar os outros e ter um impacto positivo no mundo. Eu trabalhei para inspirar pessoas e mudar percepções para que meus filhos pudessem viver em um mundo onde são vistos, celebrados e valorizados.

Passei tantos anos tentando ser a melhor versão de mim e melhorar tudo que fazia que agora estou no ponto em que já não preciso mais competir comigo mesma. Eu não tenho interesse algum em olhar para trás. O passado é passado. Eu sinto que muitos aspectos da Beyoncé mais jovem e menos evoluída jamais poderiam f**** com a mulher que eu sou hoje. Haaa!

Vestido Givenchy, brincos, Tiffany & Co. e sapatos Saint Laurent por Anthony Vaccarello. Selaria Hermè – Foto: Campbell Addy, com styling de Samira Nasr e Marni Senofonte, cabelo de Jwara e maquiagem de Francesca Tolot

Como você processa o mutável mundo da cultura das celebridades e protege seu eu interior?

Nós vivemos em um mundo com poucas barreiras e muitos acessos. Existem muitos terapeutas de internet, críticos de comentários e especialistas sem especialização. Nossa realidade pode ser distorcida porque está baseada em um algoritmo personalizado. Ele nos mostra quaisquer verdades que estivermos procurando, e isso é perigoso. Podemos criar nossa própria falsa realidade quando não temos noção do que realmente está acontecendo no mundo afora. Sou grata por ter a capacidade de escolher o que quero compartilhar. Um dia decidi que queria ser como Sade e Prince. Queria que o foco estivesse na minha música, porque se minha arte não for forte ou significativa o suficiente para deixar pessoas inspiradas, então estou no negócio errado. Minha música, meus filmes, minha mensagem – isso deveria ser o suficiente.

Ao longo da minha carreira, intencionalmente venho determinando limites entre minha persona de palco e minha vida pessoal. Minha família e amigos até esquecem que tem um lado de mim que é a fera em stilettos até o momento em que me assistem fazer uma performance. É muito fácil e muito rápido se perder nessa indústria. Ela pega o seu espírito e luz e depois te cospe para fora. Vi isso acontecer inúmeras vezes, não só com celebridades, mas também com produtores, diretores, executivos, etc. Não é para qualquer um.

Antes de começar, decidi que só seguiria essa carreira se minha autoestima dependesse de mais coisas além do meu sucesso como celebridade. Eu me cerquei de pessoas honestas as quais eu admiro, que têm sua própria vida e sonhos e não dependem de mim. Pessoas com quem posso crescer, aprender e vice-versa.

Nesse ramo, muito da sua vida não te pertence até que você lute por isso. Lutei para proteger minha sanidade e privacidade porque a qualidade da minha vida dependia disso. Muito de quem eu sou está reservado para pessoas que amo e confio. Aqueles que não me conhecem podem interpretar isso como uma barreira da minha parte. Acredite, o motivo pelo qual essas pessoas não vêem certas coisas em mim é porque minha personalidade virginiana não quer que eles vejam.. e não porque não existam!

Como sua educação influencia sua arte e seus negócios?

Minha mãe sempre foi e ainda é minha rainha. Ela sempre foi tão forte e repleta de humanidade. Trabalhava 18 horas por dia com mãos cheias de calos e pés inchados. Não importa o quão cansada estava, era sempre profissional, amável e carinhosa. Eu tento conciliar o meu trabalho e tocar a minha companhia do mesmo modo.

Meu pai me encorajava constantemente a escrever minhas próprias músicas e criar a minha visão. Ele é a razão pela qual eu já escrevia e produzia mesmo pequena. Lembro quando comecei a ouvir críticas depois de ter ganhado um pouco de peso. Eu tinha 19 anos. Nenhuma das roupas que me enviavam cabiam em mim. Estava me sentindo um pouco insegura depois de ouvir aqueles comentários, e acordei um dia me recusando a me sentir mal comigo mesma, então eu escrevi “Bootylicious”. Esse foi o começo de converter as coisas que aconteciam comigo em algo empoderado para outras mulheres e homens que têm sofrido com as mesmas pressões.

Top Balmain, jumpsuit Ivy Park X Adidas e brincos Tiffany & Co. – Foto: Campbell Addy, com styling de Samira Nasr e Marni Senofonte, cabelo de Jwara e maquiagem de Francesca Tolot

A moda também pode ajudar no empoderamento. Você poderia nos contar a inspiração por trás da sua nova coleção da Ivy Park?

Essa coleção é uma mistura da minha infância no Texas com um pouco de história americana. Eu cresci frequentando o rodeio de Houston todos os anos. Era uma experiência incrível e multicultural, incluindo performances fantásticas, Snickers fritos no estilo de Houston, e turkey legs fritas. Uma das minhas inspirações surgiu ao analisar a história do cowboy negro americano. Muitos deles eram originalmente chamados de “cowhands”, e sofreram grande discriminação, além de frequentemente serem forçados a trabalhar com cavalos mais temperamentais. Eles pegaram seus talentos e formaram o Soul Circuit.

Com o passar do tempo, rodeios de negros passaram a apresentar artistas incríveis e nos ajudaram a recuperar nosso lugar na história e na cultura ocidental. Fomos inspirados pela cultura e estilo do rodeio de Houston. Combinamos elementos clássicos com as roupas esportivas de Ivy Park x Adidas, adicionando a nossa própria atitude em jeans com monograma, polainas e couro de vaca.

Estou animada que a coleção Ivy Park x Adidas agora passará a apresentar roupas infantis. Em nossas férias em família, amamos coordenar nossas roupas. Meus filhos geralmente estão no set comigo para as filmagens, e costumávamos colocá-los em roupas extra-extra-pequenas para que pudéssemos combinar. Portanto, é uma progressão natural para Ivy Park apresentar uma seleção de silhuetas-chave no tamanho infantil.

Vestido Christian Dior, corset Ivy Park X Adidas, brincos Tiffany & Co., sapatos Jimmy Choo e tornozeleira do acervo pessoal – Foto: Campbell Addy, com styling de Samira Nasr e Marni Senofonte, cabelo de Jwara e maquiagem de Francesca Tolot

Conte-nos sobre sua comunidade. Como as mulheres da sua vida te influenciaram?

Minhas amigas mais próximas são mulheres brilhantes que dirigem empresas, são empresárias, mães, esposas e parentes próximas. Kelly [Rowland] e Michelle [Williams] ainda são minhas melhores amigas. Eu me aproximo de mulheres fortes com os pés no chão, como a minha incrível irmã Solange. Ela é cheia de sabedoria e também é a pessoa mais legal que conheço.

Há muito poder dentro de comunidades, e eu vi isso crescendo como filha de uma dona de salão. Minha primeira exposição a mulheres bonitas foi às deusas curvilíneas criadas no Texas, alimentadas com feijão e broa de milho. Fui apresentada a tantas mulheres empreendedoras que eu admirava. Médicas, empresárias, artistas, professoras, mães – todas vieram através do salão da minha mãe. Vi como ele pode ser um santuário para as mulheres.

Lembro-me de uma cliente cantora de ópera. Era uma mulher negra majestosa que tinha viajado o mundo e contava histórias incríveis. Adoraria ouvir sobre suas viagens e decidi um dia que também viajaria ao redor do mundo. Observei minha mãe cuidar e curar aquelas mulheres, não apenas
por fazê-las parecerem e se sentirem bonitas, mas também conversando, ouvindo e conectando-se com elas. Venho observando o quanto as emoções das mulheres negras se associam a seus cabelos e beleza. A indústria da beleza nem sempre entende o que precisamos.

Quero construir uma comunidade onde mulheres de todas as raças possam compartilhar esses segredos, apoiar e cuidar umas das outras. Quero dar às mulheres um espaço para sentirem sua própria força e contarem suas histórias. Isso é empoderamento. Com tantas coisas para cuidar, como você cuida de si mesma? Como muitas mulheres, senti a pressão de ser a base da minha família e da minha empresa sem perceber o quanto isso afeta o bem-estar físico e mental.

Nem sempre me priorizei. Tenho insônia por causa das turnês por mais da metade da minha vida. Anos de desgaste em meus músculos por dançar de salto. Estresse no cabelo e pele, de sprays e tintas ao calor de modeladores, maquiagem pesada enquanto suava no palco. Aprendi segredos e técnicas para parecer bem durante minhas performances. Mas para dar meu melhor, tenho que me cuidar e ouvir meu corpo.

No passado, perdi muito tempo com dietas e com a ideia errada de que cuidar de mim significava fazer exercícios e estar excessivamente consciente do meu corpo. Minha saúde, a maneira como me sinto quando acordo, minha paz de espírito, o número de vezes que sorrio – nisso que foco ultimamente.

Cuidar da saúde mental também é autocuidado. Estou aprendendo a quebrar o ciclo de problemas de saúde e negligência; concentrando minha energia no meu corpo e vendo os sinais sutis que ele dá. Seu corpo diz tudo que você precisa saber, mas tive que aprender a ouvir. É um processo de mudar hábitos e deixar de lado o saco de batatas fritas e o caos.

Durante a quarentena, passei dos excessos para a criação de rituais positivos inspirados em gerações passadas, colocando a minha própria interpretação das coisas. Descobri o CBD na minha última turnê e seus benefícios para a minha dor e inflamação. Isso ajudou nas minhas noites inquietas e na agitação quando não conseguia dormir. Eu também encontrei propriedades curativas no mel. Estou construindo uma fazenda de cannabis e mel. Tenho até colméias no meu telhado! Fico feliz por ver que minhas filhas terão meu exemplo para praticar esses rituais. Um dos momentos mais gratificantes como mãe foi o dia que encontrei Blue na banheira, de olhos fechados, usando blends que eu criei e tirando um tempo para relaxar e ficar em paz. Tenho muito para compartilhar… e há mais por vir!

Casaco Gucci, camisa e shorts Ivy Park X Adidas, brincos Tiffany & Co., broche Tiffany & Co. Schlumberger – Foto: Campbell Addy, com styling de Samira Nasr e Marni Senofonte, cabelo de Jwara e maquiagem de Francesca Tolot

OK, já esperamos tempo suficiente para perguntar… quando virão suas músicas novas?

Com todo isolamento e injustiça do ano passado, acho que estamos prontos para fugir, viajar, amar e rir de novo. Sinto um renascimento emergindo e quero participar da criação dessa fuga de todas as maneiras possíveis. Estou no estúdio há um ano e meio. Às vezes, levo um ano para pesquisar entre milhares de sons até encontrar o certo. Um refrão pode ter até 200 harmonias. Ainda assim, não há nada como a quantidade de amor, paixão e cura que sinto no estúdio. Depois de 31 anos, é tão emocionante quanto quando tinha 9. Sim, a música está chegando!

Casaco Bottega Veneta – Foto: Campbell Addy, com styling de Samira Nasr e Marni Senofonte, cabelo de Jwara e maquiagem de Francesca Tolot

O que você espera que esta próxima década te traga?

Meu desejo é que meus 40 anos sejam divertidos e cheios de liberdade. Quero sentir a mesma liberdade do palco todos os dias. Explorar aspectos de mim mesma que ainda não tive tempo de descobrir e desfrutar meu marido e filhos. Quero viajar sem trabalhar. Que esta próxima década seja sobre celebração, alegria e dar e receber amor. Quero espalhar todo o amor que tenho às pessoas que me amam de volta. Fiz tanto em 40 anos que só quero aproveitar a vida agora.

Camiseta Ivy Park X Adidas, calça Alberta Ferretti, chapéu Stetson, brincos Schiaparelli Haute Couture e sapatos Saint Laurent por Anthony Vaccarello – Foto: Campbell Addy, com styling de Samira Nasr e Marni Senofonte, cabelo de Jwara e maquiagem de Francesca Tolot

Difícil ir contra a corrente, mas ser uma pequena parte de algumas das mudanças que estão ocorrendo no mundo, mesmo que tarde, é muito gratificante. Quero continuar trabalhando para demolir desequilíbrios sistêmicos. Continuar a virar as indústrias de cabeça para baixo. Pretendo criar negócios fora da música. Aprendi que devo seguir sonhando. Uma das minhas frases preferidas é do inventor Charles Kettering: “Nossa imaginação é o único limite para o que podemos esperar ter no futuro”. Quero mostrar que é possível se divertir e ter um propósito, ser respeitoso e falar o que pensa. Ser elegante e provocador. Ter curvas e ainda ser um ícone da moda. Desejo essa liberdade para todos. Cumpri meus deveres e segui todas as regras por décadas, então agora posso quebrar as regras que precisam ser quebradas. Meu desejo para o futuro é continuar a fazer tudo que todos pensam que não posso fazer.

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