Foto: Getty Images

O incentivo começou na Europa pós-flexibilização da quarentena. Países como França, Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha e Bélgica apostaram na bicicleta para combater a pandemia do novo coronavírus. A ideia é, por meio de incentivos financeiros, estimular o uso da bicicleta para evitar aglomerações nos transportes públicos, principalmente os das grandes cidades.

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Quanto mais gente sobre duas rodas, menos lotação em ônibus, trens e metrôs – e menos risco de transmissão da doença. Da implantação de ciclovias temporárias ao custeamento de reformas de bikes antigas, vale tudo para botar as pessoas para pedalar – o que é, acima de tudo, um incentivo à saúde.

Aqui no Brasil, a recomendação segue a de permanecer em casa, se possível. Mas basta uma circulada nas principais avenidas das metrópoles para ver que as bicicletas tomaram conta da paisagem urbana. Trata-se de um esporte seguro em tempos de pandemia: com o uso de máscara, e mantendo o distanciamento adequado, de cerca de 10 metros, o risco de contaminação é pequeno.

Pedalar também faz um bem tremendo à mente, em meio à holografia da paisagem ao ar livre. Essa combinação de fatores já rendeu à bike o título de rainha do desconfinamento.

Com o retorno gradual do funcionamento de parte da indústria e do comércio em várias cidades brasileiras, e com a reabertura parcial de escolas e creches, prevista para setembro, em São Paulo, o fluxo de passageiros no sistema de transporte, que já aumentou, crescerá ainda mais. A aglomeração inevitável favorece a disseminação do vírus e o risco de contágio.

Por isso, qualquer medida de distanciamento social neste momento é bem-vinda. O Projeto de Lei 3410/20, do deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA), em análise na Câmara dos Deputados, isenta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a cadeia de produção e aquisição de bicicletas comuns e elétricas durante o estado de calamidade pública decorrente do coronavírus, que vai até 31 de dezembro.

“Trata-se de alternativa viável para solucionar o caos do transporte público nas grandes cidades, o que aumenta ainda mais a possibilidade de contaminação do vírus, devido à aglomeração que ocorre”, disse o deputado.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Rede Nossa São Paulo, batizada de “Viver em São Paulo: Especial Pandemia”, revelou que 38% dos paulistanos pretendem se deslocar mais a pé depois que o isolamento não for mais necessário e 20% pretendem usar mais a bicicleta no dia a dia. Embora o seu uso vise a diminuir aglomerações e reduzir o risco do contágio pela proximidade, o ideal é evitar pedalar em grupo.

E não é só para diminuir a lotação no transporte público que as bicicletas reinam absolutas: quem se acostumou com a tranquilidade da vida sem congestionamentos e excesso de carros, não quer nem imaginar voltar a viver o caos do trânsito – o que não é para todos, evidentemente.

Pedalando com estilo

Para pedalar, vale qualquer bike. Mas, para fazer bonito, o modelo estilo anos 1950 é o hit do momento, a ponto de criar até uma categoria feminina batizada de CLOB – Chic Lady On A Bike. Rodas maiores, cesto de vime e cores vintage bombam em tempos de pandemia, sobretudo na Europa, com lojas relatando o dobro de vendas entre março e junho deste tipo de modelo. Muitas marcas se esgotaram.

Especula-se que a tendência tenha sido inspirada no visual sintetizado por Audrey Hepburn pedalando na década de 50. Além do charme de cruzar ruas e avenidas sobre um modelo retrô, sua “anatomia” é ótima opção para quem pretende pedalar distâncias de cinco a dez quilômetros. A posição do assento, que distribui o peso do ciclista mais para as costas do que para a frente, é bastante confortável e evita dores na coluna. Além de ser chique, em todos os sentidos.