Estabelecimentos reabrem em Xangai: vida quase 100% normal

“Tem luz no fim do túnel se seguir o distanciamento social, usar máscara, lavar as mãos… China, Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura são exemplos de que dá para superar tudo isso”, diz a a brasileira Camila Felix, que mora há três anos em Xangai e é sourcing manager na Ásia.

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Dois meses de depois de estourar o surto da COVID-19 na China, ela conta à Bazaar como atravessou esse período e como está a volta à normalidade no País atualmente. Veja o relato na íntegra:

“Um pouco antes do Ano-Novo chinês (25 de janeiro), as pessoas começaram a falar e a se preocupar com um vírus que vinha de Wuhan, mas não sabíamos como chamar, ainda não usávamos propriamente o nome coronavírus. Falava-se de uma onda de gripe forte, pneumonia. Alguns chamavam de influenza. Foi mesmo na semana anterior ao Ano Novo chinês que já sabíamos que tratava-se do coronavírus e que a situação na China começava a ficar preocupante.

Me lembro de embarcar para o feriado, estava indo para o Egito, e do mar de pessoas no aeroporto usando máscaras, todo mundo já um pouco assustado. Quando desembarquei no Egito, tive de passar por um checagem, pois estava vindo da China. Foi durante o Ano Novo que a “bomba” explodiu, com o fechamento da cidade de Wuhan e o isolamento mandatório em toda a China.”

Trabalho

“Trabalho em uma fashion retailer internacional bem grande, com escritórios em várias parte do mundo, então meu diretores e eu decidimos que o melhor seria eu não voltar para a China naquele momento e me manter segura, trabalhando de outras localidades. Tive duas bases principais, Índia e Brasil.

A atitude da empresa foi impecável, a preocupação com o indivíduo veio em primeiro lugar. O importante era me manter em um lugar seguro e de onde eu pudesse trabalhar com o maior acesso possível, minimizando os impactos ao business. Nesses últimos meses, passei pelo Egito, Índia, Brasil, Sri Lanka.”

Volta para casa

A brasileira Camila Felix em Xangai, onde mora há três anos – Foto: Arquivo pessoal

“Voltei para casa, em Xangai, em 8 de março, vinda de Nova Délhi. Moro com o meu namorado, que chegou de Singapura no mesmo final de semana. Tivemos a sorte de podermos fazer a quarentena juntos em casa, porque ambos receberam uma validação verde no aeroporto. O que significava que você pertence ao grupo que não tem alto risco de estar infectado e poderia seguir para casa.

Minha rotina era trabalhar, a empresa me ajudou a colocar um dispositivo de chamada de vídeo na minha mesa, ou seja, fiquei em contato com o meu time de 12 pessoas, ao vivo, durante quase todo esse tempo. Parecia que eu estava no escritório. Isso me ajudou muito a ter uma quarentena produtiva, pois o meu time já não estava mais em isolamento, e manter uma rotina de trabalho eficiente.

Acredito que este é um passo importante para o que será o futuro do trabalho, a tecnologia é fundamental para minimizar os impactos. Fiquei craque em encontrar atalhos para fazer as coisas funcionarem à distância, de maneira eficaz. Além de trabalhar, malhava na sala de casa, via filmes, lia. Na minha quarentena, os estabelecimentos já estavam abertos, em sua grande maioria, funcionando com algumas limitações de horários e com alguns procedimentos de segurança.”

Realidade pós-quarentena

“Atualmente, a vida está quase em 100% de normalidade. Em geral, tudo funciona, em horários reduzidos para evitar horários de pico. Academias e escolas ainda não estão funcionando 100%. Restaurantes e lojas estão quase na normalidade, porém eles mantêm algumas precauções. Na entrada dos restaurantes e prédios, há uma área onde é preciso parar para se registar, medir a temperatura e mostrar a cor do seu código (que indica o estado de saúde)… Em alguns restaurantes ainda têm um limite de pessoas, há lugares em que não se pode entrar sem máscara etc…

Os chineses estão vivendo normalmente, mas ainda se precavendo. Eles realmente seguem as regras e fazem individualmente o que é necessário para o bem-estar coletivo. É uma atitude cultural que eles já tinham. Os chineses ainda estão muito tocados com tudo o que passaram nesses últimos dois meses. Mas, acima de tudo, sinto que estão orgulhosos de terem vencido a luta contra o vírus. No entanto, sensibilizados com os casos fora do país, principalmente na Itália e na Espanha.

Tento ver tudo isso não como um grande desastre, mas como uma grande oportunidade de desconstruir o que está errado e começar de novo, mais forte. Faça a sua parte e seja solidário, esta é a atitude necessária para mudar a curva (de crescimento do contágio).”