Por Carolina Overmeer

Há cinco anos, quando ainda prestava serviços como joalheiro iniciante, o britânico Jack du Rose foi incumbido de incrustar milhares de diamantes em uma caveira.

Desconhecia o autor e o destino da obra. Mais tarde, descobriu tratar-se da caveira For the Love of God, criada por Damien Hirst, leiloada pelo valor recorde de 50 milhões de libras esterlinas. No escuro, du Rose tinha dado o primeiro passo rumo ao estrelato no mundo dos brilhos.

A partir desse trabalho, entusiasmado com a criação de peças imponentes e exclusivas, o joalheiro resolveu dedicar-se ao próprio negócio. Há poucos meses, tomou emprestado o estúdio da artista Sam Taylor Wood, sua amiga, para apresentar a primeira e meticulosa coleção, Danger, a um bando de bacanas londrinos.

Inspirada em animais perigosos, como víboras, viúvas-negras, águas-vivas e sapos venenosos, é composta de apenas oito peças para lá de poderosas, com preços a partir de 220 mil libras esterlinas. Entre elas, está um belíssimo colar de brilhantes e safiras, em forma de orquídea carnívora, que pode ser admirado no pescoço da eterna musa Andrea Dellal ­– ela ganhou o mimo do próprio du Rose.

Detalhe: cada peça é apresentada dentro de uma campânula de vidro (bell jar) sobre pedestal de ouro rosa, fechado em uma grande caixa de ébano, com chave de ouro esculpida em forma de escorpião.

O legado de Hirst é claro. Nem bem chegou, e seu pupilo já se considera um criador de obras de arte e mostra que entende tudo de marketing.